Economia

Publicado em 27 de Maio às 17:56:31

O alerta veio dos alimentos

Ontem, o IPCA-15 de maio mostrou que a inflação veio mais pressionada do que o esperado. O índice avançou 0,62% em relação a abril e a taxa acumulada em doze meses subiu para 4,64%. O número não muda, por si só, a leitura para a política monetária, mas deixa claro que o curto prazo ficou menos confortável.

A principal mensagem está nos alimentos consumidos em casa. Esse grupo subiu 1,73% no mês, acima do que projetávamos, e foi o grande responsável pela surpresa. O aumento veio espalhado por vários itens, e com também alta relevante em alimentos industrializados, o que acende um alerta em um contexto de cadeias de produção pressionadas. Quando a pressão aparece em muitos alimentos ao mesmo tempo, o dado passa a ser mais preocupante, porque deixa de parecer apenas um movimento pontual de alguns produtos.

Nos demais grupos, o quadro foi mais equilibrado. Os serviços subiram 0,48%, um pouco menos do que esperávamos, ajudados por uma alta menor de passagens aéreas. Ainda assim, serviços ligados à demanda e à mão de obra, como alimentação fora de casa e serviços pessoais, continuam rodando em ritmo elevado no acumulado em doze meses, em torno de 7,0% ao ano (bom lembrar que a meta de inflação é de 3,0%). Já os bens industriais vieram melhor: carros, vestuário e alguns duráveis ajudaram a aliviar o índice, compensando parte da piora nos alimentos.

O resultado reforça uma mensagem importante para o consumidor: a inflação não está espalhada de maneira homogênea. Há alívio em alguns bens e combustíveis, mas a comida voltou a pesar no orçamento e tende a puxar o IPCA fechado de maio para cima. Isso pode levar a revisões de curto prazo, especialmente se a pressão dos alimentos persistir nas próximas leituras.

Para a Selic, o dado de ontem não muda nossa visão. Continuamos esperando IPCA de 4,9% e Selic de 13,25% ao final de 2026. Mas o IPCA-15 trouxe um recado incômodo: a inflação segue subindo na margem e o processo desinflacionário,  interrompido. 

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