O petróleo voltou a subir de forma relevante nesta segunda-feira, com o WTI avançando 5,1%, para US$ 82,02/bbl, e o Brent encerrando próximo de US$ 87,51/bbl. O movimento estende a alta acumulada nas últimas três sessões e reflete, principalmente, a persistência do fechamento do Estreito de Ormuz. Embora o Irã tenha sinalizado que um acordo com Omã estaria próximo, as negociações ainda não produziram avanços concretos, mantendo elevada a percepção de risco sobre um dos principais pontos de escoamento de petróleo do mundo.
No front geopolítico, a perspectiva de uma solução diplomática se deteriorou ao longo do dia. O presidente Trump elevou o tom ao exigir reparações de guerra do Irã, em movimento que espelha as próprias demandas iranianas por compensações. Além disso, Teerã negou a existência de conversas diretas com Washington, contrariando sinalizações anteriores dos EUA de que um acordo estaria próximo. A combinação entre exigências consideradas pouco factíveis no curto prazo, incluindo retirada militar americana, descongelamento de ativos e reparações, reforçou a leitura de que a reabertura de Ormuz deve demorar mais do que o inicialmente esperado.
A pressão sobre os preços também foi ampliada por um novo choque de oferta. Militantes Houthis, apoiados pelo Irã, atacaram a refinaria de Jazan, da Saudi Aramco, no fim de semana, uma instalação com capacidade de 400 mil barris por dia. A retomada da operação teria sido adiada para o fim de agosto, cerca de duas semanas depois do previsto inicialmente, pressionando os preços do diesel na Europa e adicionando um segundo vetor de risco ao balanço de oferta. Ao mesmo tempo, pelo lado da demanda, a recuperação das importações chinesas de petróleo, após níveis próximos às mínimas em uma década, também contribui para sustentar os preços.
Do ponto de vista macroeconômico, a alta do petróleo volta a elevar a preocupação com a trajetória da inflação global e com a condução da política monetária nos EUA. O avanço dos custos de energia já se refletiu em alta nas taxas de juros implícitas em contratos OIS ligados ao Fed, enquanto os Treasuries avançaram entre 4 e 5 bps na sessão. As falas de Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, reforçaram esse movimento ao indicar que algum número de altas de juros pode ser necessário para reconduzir a inflação à meta de 2,0%. Nesse contexto, a divulgação do CPI de julho ganha relevância ainda maior, especialmente para avaliar se o choque de energia começa a contaminar medidas subjacentes de inflação. Para os mercados, o impasse em Ormuz mantém petróleo, inflação e juros no centro da reprecificação global de riscos.
