O petróleo registrou forte queda na sessão, refletindo a redução simultânea de dois importantes riscos de disrupção de oferta que vinham sustentando o prêmio geopolítico nas últimas semanas. O Brent encerrou próximo de US$ 88,36/bbl, com recuo de 8,7%, a maior queda diária desde 17 de abril, enquanto o WTI acompanhou o movimento e fechou em torno de US$ 82,22/bbl. A correção dos preços foi impulsionada principalmente pela pausa nos ataques militares dos EUA contra o Irã e por sinais de avanço nas negociações para a retomada do fluxo comercial pelo Estreito de Ormuz.
O principal vetor de alívio veio da suspensão das hostilidades diretas entre EUA e Irã pelo terceiro dia consecutivo. Segundo relatos de mercado, Washington havia se preparado para uma campanha militar mais intensa e prolongada, mas a operação foi adiada diante da necessidade de avaliar os estoques americanos de interceptadores de defesa aérea, incluindo sistemas Patriot. Esse movimento levou os investidores a reduzirem parte do prêmio de risco acumulado no petróleo, sobretudo diante da percepção de que a pressão política nos EUA, com a aproximação das eleições de meio de mandato, pode acelerar uma estratégia de desescalada nas próximas semanas.
Em paralelo, as negociações entre Irã e Omã para reabrir a navegação comercial pelo Estreito de Ormuz reforçaram uma leitura mais benigna para o balanço de oferta. A eventual normalização do tráfego em um dos principais pontos de passagem do petróleo global reduziria de forma relevante o risco de restrição física à oferta, além de aliviar pressões sobre fretes e seguros marítimos. A reação também se espalhou para outros mercados de energia, com queda expressiva nos preços do gás natural europeu, evidenciando que o movimento foi interpretado como um alívio mais amplo dos riscos geopolíticos
Contudo, na nossa avaliação, o espaço para queda do preço no curto prazo se mostra de certa forma limitado, visto que a normalização do fluxo via Estreito de Ormuz ainda depende de avanço mais significativos nas negociações. Além disso, a entrada dos Houthis no conflito, bloqueando a saída de navios da Arábia Saudita pelo Mar Vermelho, adicionam restrições de oferta relevantes, que devem continuar pressionando o preço do petróleo no curto prazo.
Pelo lado da demanda, a expectativa de recuperação das importações de petróleo da China em julho, após atingirem em junho o menor nível em uma década, também atua como contraponto ao movimento baixista. Em suma, a sessão de ontem marcou uma redução relevante do prêmio geopolítico, mas ainda não configura uma normalização plena do mercado de energia, mantendo petróleo, inflação global e política monetária sensíveis à evolução do conflito no Oriente Médio.
