A primeira prévia do PIB dos EUA do 2º trimestre de 2026 veio abaixo do esperado, com crescimento anualizado de 1,5% t/t, ante consenso de 2,0% t/t, desacelerando em relação ao avanço de 2,1% t/t observado no trimestre anterior. Apesar da frustração no índice cheio, a composição foi mais favorável do que o resultado agregado sugere. A principal pressão negativa veio do avanço das importações, que retirou 1,5 p.p. do crescimento, enquanto consumo e investimento seguiram mostrando resiliência.
O consumo das famílias foi o principal vetor positivo do trimestre, com alta anualizada de 3,2% t/t, bem acima do ritmo observado no 1T26 e do consenso de mercado. O avanço foi disseminado entre bens e serviços, com destaque para bens duráveis, veículos, medicamentos, alimentação, hospedagem e serviços financeiros. Esse desempenho reforça a leitura de que a demanda privada doméstica segue sólida, mesmo em um ambiente de juros elevados, incerteza externa e choque geopolítico associado ao conflito no Oriente Médio.
Os investimentos também contribuíram positivamente, especialmente pelo desempenho do investimento fixo não residencial. A alta em equipamentos e produtos de propriedade intelectual segue compatível com a continuidade do ciclo de investimentos em tecnologia, software, infraestrutura digital e inteligência artificial, que tem sustentado a demanda no curto prazo. Em contrapartida, estoques, setor externo e gastos do governo atuaram como vetores negativos, explicando parte relevante da desaceleração do PIB cheio no período.
Do ponto de vista de política monetária, o resultado reforça um quadro de cautela para o Fed. Embora o crescimento agregado tenha vindo abaixo do esperado, a força da demanda privada reduz os temores de uma desaceleração abrupta da atividade e do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, a aceleração do índice de preços do PIB, ainda que acompanhada de alguma moderação no núcleo do PCE, sugere que os riscos inflacionários seguem relevantes. Dessa forma, a leitura é consistente com a manutenção de uma postura cautelosa pelo Fed, com juros estáveis por mais tempo enquanto a autoridade monetária avalia a persistência da inflação e a resiliência da demanda.
