Economia

Publicado em 17 de Agosto às 07:22:47

Reversão de curto prazo ou mudança de tendência

Após um primeiro trimestre de alta dos preços das ações, forte valorização do Real frente ao Dólar, quedas das taxas de juros e deslocamento da curva de juros para baixo, os preços dos ativos passaram a mostrar estabilidade no segundo trimestre (abril-junho).

A partir de agosto, o comportamento dos ativos passou a mostrar uma reversão da tendência, com forte desvalorização do Real, queda dos preços das ações e aumentos das taxas de juros, apesar da persistência da queda da taxa SELIC pelo Banco Central, diante de sinais de redução da taxa de inflação.

Após ter atingido R$ 4,99/US$ em maio e estabilizando próxima a R$ 5,00/US$ em junho e julho, nos últimos 15 dias a taxa de câmbio atingiu R$ 5,22/ US$ na sexta feira passada. Uma desvalorização próxima a 4,5% em 15 dias.

Ainda que 15 dias não pode ser considerado uma mudança de tendência, alguns sinais começam a preocupar. Em especial o comportamento da taxa de inflação nos Estados Unidos começa a indicar taxas de juros mais elevadas por mais tempo que o esperado, a proximidade das eleições brasileiras, aumento do déficit fiscal e da relação dívida/PIB, que chegou 82%, a percepção por parte dos investidores de que um próximo governo Lula não deverá adotar um ajuste fiscal suficiente para pelo menos estabilizar esta relação, além da volatilidade internacional e as tensões geopolíticas.

De nosso ponto de vista, a persistência destes fatores poderá transformar esta reversão em uma mudança de tendência e forçar o Banco Central a interromper a queda da taxa SELIC já na próxima reunião do Copom em setembro.

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