Economia

Publicado em 05 de Agosto às 20:01:33

Selic cai para 14,00% a.a. em decisão com tom ligeiramente mais duro

Hoje foi divulgada a taxa básica de juros, a Selic, para os próximos 45 dias. O Copom reduziu a taxa em 0,25 p.p., levando-a ao patamar de 14,00% ao ano. Em nossa avaliação prévia à divulgação, esperávamos uma redução de 0,25 p.p., no entanto, considerávamos que a decisão mais prudente seria manter a taxa em 14,25% a.a., especialmente após a desancoragem das expectativas observada no Boletim Focus desde a reunião de junho e diante da elevada incerteza trazida pelo cenário externo.

Assim, o resultado veio conforme o esperado tanto em relação ao tom ligeiramente mais duro quanto ao corte de 25bps. No comunicado, o Comitê seguiu avaliando que a atividade econômica se encontra em processo de desaceleração, ainda que permaneça resiliente. Nos chamou atenção um ponto ligeiramente mais duro, a classificação do mercado de trabalho como aquecido, avaliação que não havia sido mencionada na reunião anterior. Além disso, o Copom reconheceu a desaceleração da inflação, embora tenha voltado a destacar que ela permanece acima do limite superior da meta.

Essa postura mais cautelosa também apareceu na avaliação do balanço de riscos. Os riscos para a inflação permaneceram os mesmos da reunião anterior, com assimetria altista. Outro ponto foi o destaque dado pelo Comitê ao custo que a desancoragem das expectativas impõe à trajetória de desaceleração do IPCA, tornando o processo de convergência da inflação mais custoso.

Em contrapartida os principais pontos dovish ficaram por conta da caracterização de medidas subjacentes em patamar ligeiramente abaixo do teto da meta, quando algumas dessas medidas, como serviços subjacentes e três dos cinco núcleos, se encontram acima do teto da meta no acumulado em 12 meses até junho. Além disso, destacamos também a volta do uso do conceito “ao redor da meta” para se referenciar à convergência da inflação, reforçando uma leitura de possível suavização do ciclo em termos de condução da política monetária.

Dessa forma, embora o Copom tenha dado continuidade ao ciclo de cortes, o comunicado reforçou uma postura cautelosa diante da desancoragem das expectativas e da persistência dos riscos altistas para a inflação.

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