Na terça-feira (26), o Banco Central divulgou os dados do Setor Externo referentes a abril. O resultado surpreendeu parte do mercado, com o Investimento Direto no País acima de todas as projeções coletadas pelo Broadcast+. A divulgação, apesar de trazer sinais mistos, é um bom retrato do cenário macroeconômico recente, em especial da sensibilidade do Brasil ao ambiente internacional.
Por um lado, as Transações Correntes seguiram mostrando a resiliência do setor externo brasileiro, com destaque para a balança comercial de bens, que se beneficiou dos preços de commodities em meio ao conflito no Oriente Médio, em especial petróleo. A receita líquida foi quase US$ 3 bilhões superior à registrada no mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, as importações mantiveram ritmo elevado de crescimento, sinalizando uma economia ainda aquecida e com forte absorção interna. Esse quadro também aparece na piora da renda primária e da conta de serviços, que registraram déficits 35,5% e 23,3% maiores do que no ano anterior, respectivamente.
Por outro lado, o IDP contou uma história parecida com a observada no câmbio: a de continuidade do apetite por ativos brasileiros. As entradas líquidas somaram US$ 8,9 bilhões em abril, superando o teto das projeções, de US$ 6,5 bilhões. Com isso, o IDP acumulado em 12 meses atingiu US$ 79,2 bilhões, equivalente a 3,28% do PIB. A leitura reforça a percepção de que o financiamento externo segue confortável, ainda que a composição das contas externas continue exigindo atenção, especialmente diante da piora em serviços e renda primária.
