Ontem (29/06), foi divulgado o IGP-M referente a junho. O índice registrou queda de 0,50% no mês, recuo ligeiramente mais intenso do que a mediana do mercado (-0,46% m/m). Com esse resultado, o IGP-M acumula alta de 3,16% em 12 meses.
O IGP-M é útil para avaliar pressões de preços em diferentes etapas da cadeia produtiva. Sua composição é formada majoritariamente pelo IPA, que responde por 60% do índice e captura preços ao produtor. O IPC representa 30% e acompanha preços ao consumidor, enquanto o INCC, com peso de 10%, mede custos da construção civil. Por isso, o índice ajuda a identificar se os choques de preços estão concentrados no atacado, chegando ao consumidor ou pressionando custos mais inerciais.
A leitura de junho teve composição benigna, principalmente pela queda do IPA, refletindo o arrefecimento de commodities energéticas, minerais e agrícolas. Esse movimento foi favorecido pela convergência de alguns preços internacionais após a redução do risco geopolítico e por safras ainda favoráveis no segmento agrícola. Ainda assim, os preços seguem em patamar elevado, o que recomenda cautela ao extrapolar o resultado de junho para uma desinflação mais persistente.
No lado mais doméstico, o IPC desacelerou, mas ainda mostra pressões relevantes em algumas aberturas. Além disso, o INCC voltou a acelerar, com destaque para mão de obra, reforçando que os custos ligados ao mercado de trabalho continuam sendo um ponto de atenção. Esse diagnóstico conversa com a PNAD mais recente, que mostrou desemprego no menor nível para um trimestre encerrado em maio, ainda que com algum sinal de moderação marginal dos rendimentos.
Em linhas gerais, o IGP-M de junho reforça que o alívio recente vem principalmente do atacado, em especial de commodities e matérias-primas brutas. Para o IPCA, o dado é benigno, mas não elimina os riscos associados à inércia de serviços, ao mercado de trabalho ainda apertado e à sensibilidade dos preços domésticos ao cenário internacional. A política monetária pode conter a demanda e ancorar expectativas, mas tem alcance limitado sobre choques de commodities, clima e geopolítica.
