Economia

Publicado em 16 de Junho às 17:26:09

Varejo decepciona e reforça desaceleração da atividade no 2T26

Os dados da PMC de abril reforçaram a expectativa de desaceleração da atividade brasileira na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026. O varejo restrito recuou 1,5% m/m, resultado pior que o consenso de mercado e próximo ao piso das estimativas, interrompendo uma sequência de três altas consecutivas. O varejo ampliado também apresentou desempenho negativo, com queda de 0,7% m/m, revertendo a trajetória mais favorável observada nos meses anteriores.

A composição do resultado foi qualitativamente fraca, com recuo em seis das oito atividades pesquisadas no varejo restrito. Os principais vetores negativos foram combustíveis e lubrificantes, outros artigos de uso pessoal e doméstico e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação. No caso dos combustíveis, a queda também pode refletir os efeitos da alta da gasolina associada ao conflito no Oriente Médio, que tende a ter limitado a demanda no período. Entre as altas, o destaque positivo ficou por conta de hipermercados e supermercados, mas o avanço não foi suficiente para compensar a retração disseminada dos demais segmentos.

O resultado também sugere perda de fôlego em componentes do varejo mais sensíveis ao crédito e à renda, em linha com a expectativa de acomodação da economia após um início de ano mais forte. A média móvel trimestral do varejo restrito passou de alta de 0,7% para estabilidade, enquanto a do varejo ampliado desacelerou de 0,6% para 0,1%. Além disso, o carrego estatístico para o segundo trimestre ficou negativo tanto no varejo restrito quanto no ampliado, reforçando a leitura de arrefecimento da atividade na margem.

Em nossa avaliação, os números divulgados seguem compatíveis com um cenário de desaceleração relevante do PIB no segundo trimestre, de 1,1% t/t para 0,5% t/t, refletindo o esgotamento de medidas de impulso à demanda mais concentradas no início do ano. Ainda que o mercado de trabalho permaneça resiliente e parte das medidas fiscais e parafiscais siga sustentando a demanda, o resultado do varejo indica que a política monetária contracionista e o elevado endividamento das famílias começam a impor maior limitação à expansão do consumo. Dessa forma, mantemos a projeção de crescimento de 2,0% para o PIB em 2026.

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