As vendas do varejo restrito avançaram apenas 0,1% em maio, abaixo do consenso de mercado, de 0,7%, e da nossa projeção, de 0,6%. Já o varejo ampliado recuou 0,2%, também frustrando as expectativas de alta. Apesar de o setor ainda operar em patamar elevado, os resultados mais fracos pelo segundo mês consecutivo reforçam a perda de dinamismo do consumo das famílias no segundo trimestre.
A leitura sugere que os efeitos da política monetária restritiva começam a aparecer com mais clareza, especialmente nos segmentos mais dependentes de crédito e renda. Ainda assim, a desaceleração deve ocorrer de maneira gradual, sustentada pela resiliência do mercado de trabalho e pelos estímulos fiscais e parafiscais.
Diante da fraqueza recente dos principais indicadores de atividade, revisamos nossa projeção de crescimento do PIB no segundo trimestre de 0,5% para 0,4%. Para 2026, mantemos a expectativa de expansão de 2,0%.
Além de reforçar o cenário de moderação da economia, o resultado do varejo, combinado com uma inflação mais favorável, amplia o espaço para a continuidade do ciclo de cortes de juros. Nossa expectativa é de que a Selic seja reduzida para 14,0% ao ano na reunião de agosto.
