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Fed deve manter juros enquanto Copom corta 0,25 ponto; Brent dispara para acima de US$ 115 com bloqueio prolongado de Trump
Fed mantém juros na última reunião de Powell; Copom corta Selic em 0,25 ponto com cautela redobrada. Brent a US$ 115. Após fechamento, balanços de Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta. No radar político: sabatina de Messias no STF. Vale reporta 1T, leia nosso relatório para mais informações.
Resumo do dia
O dia é de bancos centrais. Lá fora, o Fed deve manter os juros na última reunião de Jerome Powell, enquanto o mercado já digere a orientação de Trump para um bloqueio naval prolongado no Estreito de Ormuz. O Brent disparou para acima de US$ 115. Por aqui, o Copom deve cortar a Selic em 0,25 ponto, mas com um discurso de cautela redobrada diante da volatilidade externa. Mais tarde, após o fechamento, os balanços de Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta vão testar o fôlego do rali em inteligência artificial.
No campo político, o governo Lula conta votos para a sabatina de Jorge Messias no Senado para o STF, enquanto Flávio Bolsonaro faz campanha para a oposição derrotar a indicação. A agenda econômica traz o Caged de março (estimativa de 148 mil vagas) e o resultado primário do governo central, que deve registrar forte déficit. No noticiário corporativo, a VALE3 reportou resultados do primeiro trimestre.
Expresso Brasil e Mundo
Ibovespa: O Ibovespa fechou em queda de 0,51% aos 188.619 pontos, em movimento de baixa pressionado pela inflação doméstica e pelo exterior desfavorável. O dólar teve leve recuo, cotado a R$ 4,98, enquanto os juros futuros operaram próximos da estabilidade. As maiores altas foram Metalúrgica Gerdau (+4,55%) e Gerdau PN (+4,16%), enquanto as maiores baixas ficaram com Hapvida ON (-8,44%) e Assaí ON (-5,74%).
Juros futuros: Juros futuros fecharam em queda, com investidores ajustando posições antes das decisões do Copom e do Fed.
Mundo: O Fed deve manter os juros na faixa de 3,5% a 3,75% na última reunião de Powell como presidente, com incerteza sobre perspectivas econômicas dominando a atenção. Futuros americanos operam misturados, enquanto o conflito EUA-Irã eleva tensões geopolíticas e pressiona os mercados energéticos.
Metais: O minério de ferro opera em alta leve em Singapura, mas a Vale reportou custos pressionados pela alta do petróleo, projetando faixa superior da estimativa anual. A guerra no Oriente Médio afeta cadeias globais de commodities.
Petróleo: O petróleo opera em alta forte, com Brent ultrapassando US$ 115 e WTI acima de US$ 103. O bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz, orientado por Trump para sufocar exportações iranianas, tornou a rota estratégica intransitável e dispara os preços.
Economia
Por José Marcio Camargo
Headline benigno, composição ainda desafiadora
No dia de ontem, o IBGE divulgou o IPCA-15 de abril, prévia da inflação oficial do mês. A leitura reforça a mensagem observada no primeiro trimestre do ano: sinais mistos, mas com pontos de deterioração na margem. O índice avançou 0,89% m/m, 0,10 p.p. abaixo da nossa projeção e abaixo do piso das estimativas de mercado (0,90% m/m, Broadcast+). Em 12 meses, a alta acumulada foi de 4,37%. Apesar da surpresa baixista em relação às expectativas, dois pontos apontam para um qualitativo menos favorável.
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De olho nas ações
SANB11 | Resultado 1T26: Lucro abaixo do esperado, com impostos pressionando e sazonalidade
O Santander Brasil reportou lucro líquido recorrente de R$ 3,8 bilhões no 1T26, queda de -1,1% a/a e -7,3% t/t, com ROE de 16,0%. O resultado veio ligeiramente abaixo das nossas estimativas e do consenso, mesmo considerando um trimestre mais fraco em nossas projeções. A diferença foi explicada principalmente pela normalização da alíquota efetiva, com menor benefício fiscal (IOC). Por outro lado, o lucro antes de impostos cresceu 5,4% t/t, evidenciando melhora operacional. A carteira de crédito recuou 0,4% t/t (R$ 705,6 bi), enquanto o NII total avançou 3,1% t/t, com NII clientes caindo 1,4% t/t. As provisões cresceram 3,9% t/t , com NPL >90d em 3,16% (+0,21 p.p. t/t). O CET1 ficou em 11,14% (-42 bps t/t). (Santander, Genial)
Relatórios
Vale (VALE3) | Resultado 1T26: O mercado esqueceu de modelar a conta
EBITDA de US$3,9b (-19% t/t; +21% a/a), abaixo do esperado (-4% vs. Est), à medida que custos mais elevados (principalmente distribuição e compras de terceiros) somados à queda sazonal nos embarques (59,4Mt; -19,2% t/t) mais que neutralizaram a contribuição da VBM; O C1/t ex-terceiros atingiu US$23,6/t (+10,8% t/t), acima do guidance 26E (US$20–21,5/t), com a companhia sinalizando direcionamento para a banda superior do intervalo.
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Klabin (KLBN11) | Prévia 1T26: A ressaca do 4T…
Esperamos suavização sequencial, com Papel Cartão & Embalagens normalizando após a sazonalidade do 4T, parcialmente compensada pela Celulose, onde a recuperação de preços da BHKP deve atuar como amortecedor relativo; Projetamos EBITDA de R$1,7b Est. (-8% t/t; -9% a/a).
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Brava (BRAV3) | Monetização de “Ring-Fence” do Campo de Argonauta/BC-10! O que achamos disso?
Vemos a operação como positiva para a tese de investimento da Brava Energia, sobretudo por evidenciar capacidade de monetização de ativos periféricos a múltiplos atrativos. A companhia transforma uma participação pequena e com baixa materialidade operacional em recursos, sem comprometer o núcleo produtor do portfólio. Mais importante do que o valor absoluto recebido é a sinalização implícita de preço: se uma fração do “ring-fence” associada a cerca de 300 boe/d foi negociada por um montante expressivo, o mercado pode voltar a discutir o valor econômico de ativos mais relevantes.
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Petrobras & Gás | Emirados Árabes anunciam saída da Opep! Qual impacto nos seus investimentos?
No curto prazo, impacto zero. A questão é o depois. Entendemos que a saída dos Emirados Árabes da OPEP/OPEP+ representa um evento de baixo impacto imediato para os preços do petróleo, dado que as restrições logísticas no Estreito de Hormuz ainda limitam a capacidade efetiva de expansão de oferta da região. No entanto, o movimento possui relevância elevada em um segundo instante por sinalizar desgaste no mecanismo de coordenação do cartel justamente em um momento de forte sensibilidade geopolítica.
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As principais notícias do dia 29/04/26
💧 Saneamento
Setor | Saneamento vive fim da fase de euforia
O que aconteceu? Reportagem do Valor Econômico destaca que o setor de saneamento brasileiro entra em uma nova etapa após o entusiasmo inicial gerado pelo Marco Legal e pela privatização da Sabesp. O mercado passa a exigir maior disciplina de capital, execução operacional consistente e retornos tangíveis sobre os investimentos prometidos. Após forte re-rating em alguns ativos nos últimos anos, investidores agora diferenciam empresas entre vencedoras operacionais e casos com desafios regulatórios, alavancagem elevada ou dificuldade de expansão rentável. O foco migra da narrativa estrutural para entrega concreta de metas de universalização, crescimento de base regulatória e geração de caixa. (Valor Econômico e Genial Investimentos)
Opinião Genial: A leitura é construtiva no longo prazo, mas mais seletiva no curto e médio prazo. O setor continua oferecendo atributos defensivos, previsibilidade de demanda e um ciclo multianual de investimentos raramente visto em utilities brasileiras. Contudo, o prêmio setorial tende a depender menos de storytelling e mais de execução. Nesse contexto, vemos empresas com escala, capacidade financeira e ambiente regulatório mais maduro em posição superior para capturar valor. No caso da SBSP3, seguimos vendo um case diferenciado: combinação entre perfil defensivo e crescimento acelerado via capex pós-privatização, com potencial relevante de expansão de base de ativos e ganhos de eficiência. Já nomes como SAPR11 e CSMG3 podem continuar oferecendo assimetrias, mas com maior sensibilidade a temas regulatórios e políticos. Em resumo, o setor não perdeu atratividade: apenas ficou mais exigente.
⛽ Petróleo & Gás
Setor | Choque recente de oferta pode deixar cicatrizes duradouras no mercado global de petróleo
O que aconteceu? Matéria da OilPrice argumenta que o choque recente de oferta no mercado global de petróleo (marcado por disrupções logísticas, tensões geopolíticas e uso mais intenso da capacidade ociosa dos grandes produtores) tende a gerar efeitos que vão além do curto prazo. O texto destaca que estoques estratégicos foram consumidos, cadeias de suprimento ficaram mais sensíveis, custos de frete e seguro subiram, e empresas devem rever políticas de investimento e segurança energética. Mesmo com eventual normalização física da oferta, o mercado sairia do episódio estruturalmente mais cauteloso, com prêmio de risco superior ao observado antes da crise. (OilPrice e Genial Investimentos)
Opinião Genial: A principal leitura para ações do setor é que choques temporários frequentemente produzem consequências permanentes na precificação de risco. Se governos e companhias passarem a valorizar mais redundância logística, estoques elevados e diversificação de origens, o custo marginal do sistema energético sobe. Isso tende a sustentar um piso mais alto para o Brent no médio prazo, mesmo sem ruptura contínua. Para produtoras listadas no Brasil, como PRIO, Petrobras, Brava Energia e PetroReconcavo, o efeito líquido tende a ser positivo via geração de caixa, desde que não haja destruição relevante de demanda global. Já distribuidoras e refinadoras podem enfrentar maior volatilidade política e comercial.
⛽ Óleo e gás
Maha Capital | Fusão com SPAC americano para expandir petróleo na Venezuela
O que aconteceu? A Maha Capital (listada em Estocolmo, com Starboard como acionista de referência) assinou carta de intenções para se fundir com o SPAC americano BWIV, em transação que avalia a companhia em US$ 490 mi (pre-money) e injetará US$ 130 mi em caixa (que já soma US$ 140 mi). O plano pós-fusão prevê a separação da fintech Keo World e da operação de petróleo — o campo Petrourdaneta na Venezuela, onde a Maha detém 24% (com call option para mais 16% até fim de maio) — em duas companhias listadas em Nova York. O campo hoje produz 2 mil barris/dia, mas a Maha estima potencial de 40 mil barris/dia em quatro anos após revitalização. A Starboard, criadora da 3R no Brasil, ficará focada na plataforma de petróleo, com plano de adquirir outros ativos venezuelanos conforme a PDVSA busca elevar produção de 1 mi para 2,5–3 mi de barris/dia. (Brazil Journal e Genial)
🛫 Aéreas
AZUL3 (Azul) | Abra contesta aporte da American no Cade
O que aconteceu? A Abra (holding de Gol e Avianca) pediu ao Cade para ser incluída como terceira interessada na análise do aporte de US$ 100 mi da American Airlines na Azul, argumentando que a operação — somada aos US$ 100 mi já aprovados da United — equivale a uma aquisição coordenada de controle: juntas, as duas americanas alcançariam ~19% do capital da Azul e teriam assento no comitê estratégico responsável por todas as nomeações de gestores. A Abra alerta que American, United e Azul passariam a responder por mais de 50% do mercado Brasil–EUA e que acordos de codeshare com outras companhias brasileiras poderiam ser bloqueados. A Azul não se manifestou; American e United não comentaram. (Valor Econômico e Genial)
🏥 Saúde
ONCO3 (Oncoclínicas) | Camille Faria deve retornar após AGE de 30/abr
O que aconteceu? Segundo o Valor, há grandes chances de Camille Faria — que liderou as reestruturações da Americanas e da Oi — retornar à vice-presidência da Oncoclínicas, condicionado à Mak Capital (6,3%) conquistar a maioria no conselho na AGE de quinta-feira (30), via voto múltiplo. A candidatura é apoiada também pela Lumina (coinvestidora no empréstimo de até R$ 150 mi + aporte de R$ 500 mi) e, potencialmente, pela Centaurus (14,77%) e Goldman Sachs (2,86%); a entrada dos R$ 500 mi está condicionada ao controle do conselho e à assinatura de recuperação extrajudicial. A executiva havia renunciado em março ao discordar sobre a divulgação de fato relevante envolvendo a Porto. A companhia encerrou 2025 com prejuízo de R$ 3,6 bi, alavancagem de 4,2x (covenant 3,5x) e capital circulante líquido negativo em R$ 2,3 bi. (Valor Econômico e Genial)
🔧 Indústria
WEGE3 (WEG) | Lucro recua 5,7% no 1T26 para R$ 1,45 bi, abaixo do consenso
O que aconteceu? A WEG reportou lucro líquido de R$ 1,45 bi no 1T26, queda de 5,7% a/a e 8,2% t/t, abaixo do consenso Bloomberg de R$ 1,56 bi. A receita líquida totalizou R$ 9,46 bi (-6,1% a/a), pressionada pelo mercado interno (-19,5% a/a, R$ 3,57 bi) em função da menor demanda por projetos de geração solar no Brasil e pela valorização do real, que penalizou a receita externa (R$ 5,89 bi, +4,5% a/a em moeda local). O Ebitda ficou em R$ 2,10 bi (-3,2% a/a), com margem de 22,2% (+0,6 p.p. a/a). O ROIC se manteve em 33,1% (-0,1 p.p. a/a). No exterior, equipamentos para óleo & gás e sistemas de ventilação e refrigeração seguiram com boa demanda, assim como o segmento de transmissão & distribuição na América do Norte. (Money Times e Genial)
💊 Farmácia
HYPE3 (Hypera) | Reverte prejuízo e lucra R$ 346,8 mi no 1T26; receita dobra na base anual
O que aconteceu? A Hypera reverteu o prejuízo de R$ 141,1 mi do 1T25 e registrou lucro líquido de R$ 346,8 mi no 1T26, com receita líquida de R$ 2,01 bi (+86,7% a/a) — crescimento que reflete principalmente a base deprimida do 1T25, quando a companhia restringiu vendas para otimizar capital de giro. O Ebitda de operações continuadas foi de R$ 586,5 mi (margem de 29,1%), com lucro bruto de R$ 1,2 bi e margem de 60% (+12,8 p.p. a/a); a margem ainda não captura o reajuste de preços da CMED, vigente apenas a partir do 2T26. O sell-out avançou 9,4%, superando em 1,5 p.p. o crescimento das categorias em que atua. A dívida líquida encerrou março em R$ 6,3 bi (2,2x Ebitda LTM), queda de 17,8% frente ao fim de 2025 após aumento de capital de R$ 1,5 bi. O conselho aprovou R$ 185 mi em JCP (R$ 0,26/ação). (Money Times e Genial)
