
Fique por dentro das principais informações do mercado financeiro nesta quinta-feira, 30 de abril.
Brent dispara a US$126 antes de recuar a US$116 com Trump avaliando novas opções militares contra o Irã — no Brasil, Copom corta Selic em 0,25pp em decisão lida como hawkish.
Sessão volátil com petróleo testando máximas de quatro anos. No Brasil, Copom eleva projeção de inflação para 3,5% e sinaliza ciclo de cortes menor — Senado rejeita indicação de Messias ao STF em derrota política para Lula.
Resumo do dia
O Brent chegou a superar US$126 i— maior nível em quatro anos — antes de recuar para a casa de US$116, em sessão volátil marcada por notícia de que Trump deve ser informado sobre novas opções militares contra o Irã. O WTI opera em alta de 1,1% a US$108,03. Os futuros em NY se estabilizam, com resultados corporativos robustos ajudando a compensar as preocupações inflacionárias. O PCE concentra as atenções nos EUA, com o núcleo esperado em 0,3% mensal e 3,2% anual. BCE e Banco da Inglaterra devem manter juros inalterados enquanto calibram suas respostas ao conflito.
No Brasil, o Copom cortou a Selic em 0,25pp em decisão lida como hawkish, elevando a projeção de inflação para 3,5% no horizonte relevante — acima dos 3,3% do RPM de março — e introduzindo o termo “extensão” ao tratar do ciclo, sinalizando que a magnitude total do afrouxamento pode ser menor do que o mercado precificava. O Senado rejeitou por 42 a 34 a indicação de Jorge Messias ao STF, em dura derrota política para Lula. No corporativo, Suzano reporta lucro abaixo das estimativas no 1T, Kora Saúde obtém acordo com credores para recuperação extrajudicial e o Banco do Brasil aprova plano para elevar seu limite de capital.
Expresso Brasil e Mundo
Ibovespa: O Ibovespa caiu 2,05%, aos 184.750 pontos, no sexto pregão seguido de baixa, pressionado por Vale (-4,48%) após resultado abaixo do esperado e WEG (-6,75%). O Fed manteve juros com tom hawkish e o petróleo subiu mais de 6% com Trump mantendo o bloqueio naval ao Irã, enquanto o Copom deve cortar a Selic em 0,25pp com comunicado mais duro.
Juros futuros: Os juros futuros dispararam e o dólar subiu com nova alta do petróleo — Brent acima de US$ 115 — após Trump orientar assessores para bloqueio naval prolongado em Ormuz, somado ao tom hawkish do Fed, com três diretores se opondo ao viés de corte. O Copom deve cortar a Selic em 0,25pp com comunicado mais cauteloso, em meio à volatilidade da guerra.
Mundo: O Fed deve manter os juros na faixa de 3,5% a 3,75% na última reunião de Powell como presidente, com incerteza sobre perspectivas econômicas dominando a atenção. Futuros americanos operam misturados, enquanto o conflito EUA-Irã eleva tensões geopolíticas e pressiona os mercados energéticos.
Metais: O minério de ferro opera em leve alta, com o futuro de Singapura avançando. O movimento reflete cautela do mercado chinês diante da demanda incerta por metais industriais em meio à tensão geopolítica que pressiona os custos logísticos globais.
Petróleo: O petróleo opera em alta forte com volatilidade extrema. O Brent disparou a US$ 126 antes de recuar, enquanto o WTI sobe acima de US$ 108. A guerra no Irã e os riscos ao Estreito de Ormuz sustentam os preços, com a gasolina mais cara pressionando a inflação americana.
Economia
Por José Marcio Camargo
Super quarta sem surpresa nos juros, mas com sinais de maior cautela
Ontem, 29 de abril, Brasil e Estados Unidos tiveram decisões de juros em linha com o esperado, corte de 0,25 p.p. pelo Banco Central do Brasil e manutenção pelo Federal Reserve. Apesar de enfrentarem dinâmicas distintas, o conflito no Oriente Médio adicionou uma camada comum de complexidade, ao elevar riscos inflacionários via energia e ampliar a incerteza sobre o cenário prospectivo. Nesse contexto, ambas as autoridades buscaram preservar credibilidade e previsibilidade em um ambiente de maior volatilidade.
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Relatórios
Suzano (SUZB3) | Resultado 1T26: Apenas um revés, não um quebrador de tese
Apesar de superar nossas estimativas na maioria dos indicadores, a companhia entregou EBITDA de R$4,6b (-6% vs. Consenso) e queima de FCF de -R$2,1b (81% pior vs. Est.), o que pode gerar uma reação negativa dos investidores; Éramos mais pessimistas, antecipando que a concentração de paradas de manutenção e o corte nominal de -3,5% pesariam mais do que o mercado havia modelado.
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Multiplan (MULT3) | Resultado 1T26: Cenário robusto, com ressalvas
Vemos os resultados do 1T26 como fortes, ainda que com ressalvas. A Multiplan segue exibindo fundamentos sólidos, com o fluxo de caixa operacional crescendo 18,0% a/a. Além disso, lucro líquido e FFO vieram acima das expectativas, puxados por menor alíquota efetiva de IR e maior resultado financeiro. Por outro lado, o trimestre foi marcado por um aumento de custos de propriedade acima do esperado, pressionando NOI e EBITDA e trazendo um tom mais cauteloso para a leitura operacional.
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Santander (SANB11) | Resultado 1T26: Imposto Impacta Lucro, mas Operacional Avança
O Santander Brasil reportou um lucro líquido gerencial de R$ 3,79 bilhões no 1T26 (-7,3% t/t; -1,9% a/a), -5,9% abaixo das nossas estimativas de R$ 4,03 bilhões e do consenso. O resultado foi penalizado pela sazonalidade sequencial e principalmente pela normalização da alíquota efetiva de imposto — que saltou frente ao 4T25, beneficiado por maior volume de JCP. O ROE recuou para 15,7% (-1,5pp t/t; -1,3pp a/a), patamar que a gestão reconhece não ser estrutural, reiterando a trajetória de busca aos 20%.
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BB Seguridade (BBSE3) | Prévia 1T26: Nada mal a Despeito da Queda de Prêmios
Apesar do baixo crescimento de receita, esperamos um trimestre com boa evolução de lucro a/a, impulsionado pelo bom desempenho financeiro e sinistralidade baixa. Para o 1T26, projetamos um lucro líquido consolidado de R$ 2,217 bilhões (-3,0% t/t; +11,1% a/a).
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As principais notícias do dia 30/04/26
💧 Saneamento
CSMG3 (Copasa) | Aegea admite menor competitividade na disputa e sinaliza cautela em leilões futuros
O que aconteceu? Em entrevista ao Valor, o presidente da Aegea, Radamés Casseb, reconheceu que a crise das últimas semanas (atraso na publicação do balanço de 2025 e rebaixamento de notas de crédito, com alavancagem em 3,78x próxima do teto de 4x) aumentou o custo de capital do grupo, o que deve comprometer seu posicionamento competitivo na privatização da Copasa, onde busca uma fatia de 30% como sócio de referência. O aporte dos acionistas (Equipav, Itaúsa e GIC) para viabilizar a oferta está na “reta final dos ajustes finos”, após aumento de capital de R$ 1,2 bi feito em fevereiro, quando o grupo foi precificado em R$ 40,5 bi. Para demais licitações, Casseb sinalizou maior seletividade: “provavelmente vamos ser mais cautelosos.” O IPO da Aegea foi postergado para 2027. (Valor Econômico e Genial)
🛫 Aéreas
AZUL3 (Azul) | Novo CFO prioriza geração de caixa e retomada da frota de longa distância
O que aconteceu? Em primeira entrevista desde que assumiu o cargo, o novo CFO da Azul, Antonio Carlos Garcia (ex-diretor financeiro da Embraer por seis anos), afirmou que o foco pós-Chapter 11 é crescimento disciplinado de capacidade atrelado à geração de caixa — evitando a armadilha de crescer receita sem rentabilidade que derrubou Gol e Latam em 2015. A alavancagem da Azul caiu de 4,9x para abaixo de 2,5x após a reestruturação. A Petrobras reajustou o QAV em 55% no início de abril, com novo aumento de 18% previsto para 1º de maio, reforçando a disciplina de capacidade — a Azul havia anunciado corte de 1% na oferta do 2T26 a/a, mas por ora a oferta está estável. Para a frota de longa distância, a Azul negocia a recepção de dois A330neo (maio e setembro) e mais oito A330ceo nos próximos dois anos, reconstituindo os 12 wide-bodies perdidos para a Gol. (Valor Econômico e Genial)
🛒 Varejo
PCAR3 (GPA) | Credores reagem a proposta de deságio de até 90% na recuperação extrajudicial
O que aconteceu? Na recuperação extrajudicial de sua dívida de R$ 4,5 bi, o GPA tem apresentado aos credores propostas de corte de até 90% no passivo — com deságio médio de ~70% — e conversão em ações com base no preço de tela de 2029, segundo o Valor. Debenturistas (R$ 990 mi) e detentores de CRIs (R$ 560 mi) — R$ 1,5 bi no total — reclamam de tratamento desigual em relação aos bancos e de terem esperado mais de 30 dias para serem contactados. O principal credor é o Rabobank (R$ 917 mi), seguido de Itaú (R$ 707 mi), BTG (R$ 225 mi) e HSBC (R$ 206 mi). Analistas estimam necessidade de aporte imediato de R$ 500–700 mi pelos sócios. A Casas Bahia (R$ 170 mi a receber) permanece fora da mesa. O prazo de 90 dias do stay period, iniciado em 11 de março, já está na segunda metade; o GPA precisa de adesão de mais 4% dos credores (~R$ 210 mi) para aprovar o plano. (Valor Econômico e Genial)
🏦 Financeiro
ITUB4 (Itaú) | Diogo Guillen assume como economista-chefe em julho; vaga no BC segue aberta
O que aconteceu? Diogo Guillen, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central (mandato encerrado em dezembro de 2025), será o novo economista-chefe do Itaú a partir de 1º de julho, após cumprir a quarentena de seis meses. Formado pela PUC-Rio com PhD em Princeton, Guillen passará a liderar a área de análise macro que era comandada há quase uma década por Mário Mesquita, que deixa o cargo por exigência estatutária ao completar 60 anos. No BC, a Diretoria de Política Econômica (Dipec) segue acumulada interinamente por Paulo Picchetti; o governo Lula ainda não formalizou as nomeações pendentes, em meio ao troca-troca de cargos pré-eleitoral. (Brazil Journal e Genial)
🏭 Mineração
Terras Raras | Australiana Oceana adquire projeto Serra Negra (MG) com potencial de terras raras e nióbio
O que aconteceu? A australiana Oceana (valor de mercado de A$ 94 mi, ações +1.788% em 12 meses) fechou acordo para adquirir 100% do projeto Serra Negra, em Minas Gerais, por US$ 7,95 mi (US$ 2,95 mi em caixa + ~US$ 5 mi em ações), mais pagamentos condicionados de até US$ 2,25 mi e royalties de 2,5% sobre receita líquida. As reservas de terras raras e nióbio ainda não estão confirmadas, mas levantamentos preliminares indicam presença dos minerais em área próxima às reservas de nióbio da CBMM em Araxá. O negócio ocorre dias após a aquisição da Serra Verde (GO) pela americana USA Rare Earth — que enfrenta questionamento da Rede Sustentabilidade no STF. (Brazil Journal e Genial)
🔧 Indústria
BRKM5 (Braskem) | AGO elege Magda Chambriard para presidir conselho de administração
O que aconteceu? Os acionistas da Braskem elegeram nesta quinta-feira (30), na AGO, Magda Chambriard — presidente-executiva da Petrobras — para presidir o conselho de administração da petroquímica, com Héctor Nuñez (ex-CEO da Novonor) como vice-presidente. A eleição da chapa de 11 membros indicada por Novonor e Petrobras confirma o novo arranjo de controle compartilhado entre o FIP Shine I (IG4), que adquiriu a fatia da Novonor (~50,1% das ON), e a Petrobras, após esta abrir mão do direito de preferência e tag along em troca de um novo acordo de acionistas com paridade de indicações no conselho e na diretoria. (Money Times/Reuters e Genial)
🌲Papel e Celulose
RANI3 (Irani) | Lucro despenca 68% no 1T26 para R$ 19,4 mi; eventos não recorrentes penalizam resultado
O que aconteceu? A Irani reportou lucro líquido de R$ 19,4 mi no 1T26, queda de 68,1% a/a e bem abaixo do consenso Bloomberg de R$ 44 mi. O Ebitda ajustado recuou 16,7% a/a para R$ 113,5 mi, com margem de 27,7% (-4,5 p.p.). A receita líquida caiu 3,1% a/a para R$ 409,8 mi, pressionada tanto pelo mercado interno (-2,4%) quanto pelo externo (-10%). A companhia atribui o resultado a eventos não recorrentes: paradas programadas para reforma da MP#5 (Projeto Gaia XI), inspeção bianual da caldeira da MP#1 e falha no transformador do turbo gerador TG4 em Vargem Bonita (SC), que elevou a compra de energia de terceiros. A alavancagem encerrou o trimestre em 2,11x (vs. 2,21x no 1T25). (Money Times e Genial)
🌎 BDR / Tecnologia
Amazon (AMZO34) | AWS acelera para crescimento mais rápido em 15 trimestres; receita total bate US$ 181,5 bi
O que aconteceu? A Amazon reportou receita de US$ 181,5 bi no 1T26 (+17% a/a), superando os US$ 177,3 bi do consenso, com EPS de US$ 2,78 (vs. US$ 1,64 esperado) e lucro líquido de US$ 30,3 bi. O AWS cresceu 28% a/a para US$ 37,6 bi — ritmo mais acelerado em 15 trimestres — com lucro operacional de US$ 14,2 bi e margem de 37,7%. Publicidade cresceu 24% para US$ 17,2 bi. O negócio de chips proprietários (Graviton, Trainium, Nitro) superou US$ 20 bi em run rate anual, com crescimento de três dígitos. O capex foi de US$ 44,2 bi, com investimentos em IA elevando a meta anual para ~US$ 200 bi, o que derrubou o papel ~3% no after-hours. O Prime Day foi antecipado para junho. Guidance do 2T26: receita de US$ 194–199 bi. (CNBC e Genial)
🌎 BDR / Tecnologia
Microsoft (MSFT34) | Azure +40% e IA em ritmo anual de US$ 37 bi impulsionam 3T fiscal 2026
O que aconteceu? A Microsoft reportou receita de US$ 82,9 bi no 3T fiscal 2026 (+18% a/a), acima do consenso de US$ 81,5 bi, com lucro líquido de US$ 31,8 bi (+23%) e EPS de US$ 4,27 (vs. US$ 4,03 esperado). O Azure cresceu 40% a/a em moeda local, acima do guidance de 37–38%. A receita de nuvem total atingiu US$ 54,5 bi (+29%), representando dois terços da receita total. O negócio de IA superou US$ 37 bi em run rate anual, alta de 123% a/a. O capex de US$ 31,9 bi veio US$ 3,4 bi abaixo das expectativas de US$ 35,3 bi — sinal positivo de moderação nos gastos com IA. O backlog comercial dobrou para US$ 627 bi. Para o 4T, a Microsoft projeta crescimento Azure de 39–40%. (Microsoft IR e Genial)
🌎 BDR / Tecnologia
Alphabet/Google (GOGL34) | Receita avança 22% para US$ 109,9 bi; Google Cloud dispara 63%
O que aconteceu? A Alphabet reportou receita de US$ 109,9 bi no 1T26 (+22% a/a), 11º trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos, com lucro líquido de US$ 62,6 bi (+81%) e EPS de US$ 5,11 (+82%), acima das estimativas. O destaque foi o Google Cloud, com receita de US$ 20,0 bi (+63% a/a) — superando os US$ 18,1 bi esperados —, com backlog que quase dobrou para mais de US$ 460 bi. Busca cresceu 19%, YouTube ads subiram 11% para US$ 9,88 bi (ligeiramente abaixo do esperado). O Gemini App registrou seu melhor trimestre em planos pagos; assinaturas totais chegaram a 350 mi. Capex foi de US$ 35,7 bi. Ações subiram ~6,5% no after-hours. (SEC/Alphabet e Genial)
🌎 BDR / Tecnologia
Meta (META34) | Receita sobe 33% no 1T26 para US$ 56,3 bi; capex elevado derruba ação no after
O que aconteceu? A Meta reportou receita de US$ 56,3 bi no 1T26 (+33% a/a), acima do consenso de US$ 55,5 bi, com lucro líquido de US$ 26,8 bi (+61%) e EPS de US$ 10,44 — que inclui benefício fiscal de US$ 8,03 bi relacionado ao pacote tributário de Trump; o EPS ajustado seria US$ 7,31, ainda acima da estimativa de US$ 6,79. Impressões de anúncios cresceram 19% a/a e preço médio por anúncio subiu 12%. Os usuários ativos diários (DAP) ficaram em 3,56 bi, abaixo dos 3,62 bi esperados, afetados por bloqueios de internet no Irã e restrições ao WhatsApp na Rússia. O guidance de receita para o 2T26 é de US$ 58–61 bi. O ponto negativo foi a revisão do capex 2026 para US$ 125–145 bi (vs. US$ 115–135 bi anteriores), o que derrubou o papel mais de 6% no after-hours. O Reality Labs registrou prejuízo operacional de US$ 4,03 bi. (CNBC e Genial)
