PIB x Selic: crescimento com custo de capital elevado
O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, segundo o IBGE, reforçando a resiliência da atividade mesmo em um ambiente de juros elevados. A composição do resultado também importa: o consumo das famílias avançou 1,0% e a formação bruta de capital fixo subiu 3,5%, sinalizando demanda ainda aquecida e retomada de investimentos. Para o mercado de crédito, esse quadro tende a sustentar novas operações, especialmente em setores com geração recorrente de recebíveis.
Nos FIDCs, o dado é relevante porque atividade econômica mais forte costuma ampliar a base de originação: mais vendas, mais contratos, mais prestação de serviços e maior necessidade de capital de giro. Mas o ponto central não está apenas no volume. Em um ciclo de juros altos, o crescimento precisa vir acompanhado de estruturas capazes de transformar essa expansão em fluxo financiável, com critérios claros de elegibilidade, monitoramento da carteira, mecanismos de cobrança e reforços de crédito compatíveis com o risco do lastro.
A leitura prática é que o PIB forte melhora o pano de fundo para crédito estruturado, mas não substitui análise de carteira. Setores ligados a consumo, serviços, saúde, educação, infraestrutura e indústria leve podem ganhar espaço em novas teses, desde que consigam demonstrar histórico de performance, inadimplência controlada e previsibilidade de liquidação. Para o mercado de FIDCs, a semana reforça uma mensagem objetiva: crescimento econômico gera oportunidade.

Curva de Juros
Na última semana, a curva de juros futura registrou alta moderada ao longo dos principais vencimentos, mesmo em um cenário de crescimento econômico mais forte e continuidade dos estímulos à atividade. O movimento reflete a cautela do mercado em relação aos efeitos desse ambiente sobre as expectativas de inflação e a trajetória da política monetária. Assim, os investidores seguem avaliando o equilíbrio entre crescimento econômico e condições financeiras nos próximos meses. Saiba mais

Principais Notícias
InfoMoney | FIDCs ganham força e prometem mudar o mercado de crédito no Brasil | “O crédito no Brasil está passando por uma transformação silenciosa, mas de enorme alcance. Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, os FIDCs, estão ocupando um espaço que antes era exclusivo dos bancos — e isso está abrindo tanto oportunidades quanto riscos para quem investe. (…) Historicamente, só os bancos podiam emprestar dinheiro e captar recursos de terceiros. Com o tempo, o mercado de capitais foi absorvendo essas duas funções, permitindo que empresas emitissem debêntures, notas comerciais e outros títulos diretamente para investidores.” Saiba mais
O Globo | Mercado imobiliário estimula economia e inovação tecnológica | “Segundo a Exame, em 2025, o mercado imobiliário movimentou R$ 264,2 bilhões no Brasil, tendo uma alta de 3,5%, se comparado a 2024. De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), houve o lançamento de 453.005 unidades residenciais, equivalente a uma alta de 10,6%, também em comparação a 2024. (…) com o aumento no número de lançamentos e a necessidade de maior eficiência nos canteiros de obra, especialmente nos de luxo, cresce também a demanda por equipamentos resistentes e versáteis.” Saiba mais
Jota | Tecnologia ganha protagonismo na recuperação de crédito| “O cenário da inadimplência no Brasil tornou-se mais complexo. Paralelamente, muitos devedores inadimplentes passaram a estruturar o patrimônio de forma estratégica, dificultando a localização de ativos e reduzindo a efetividade dos antigos modelos de cobrança massificada. (…) Hoje, já é possível identificar padrões de comportamento, capacidade patrimonial, probabilidade de acordo e potencial de recuperação antes mesmo do ajuizamento da demanda.” Saiba mais
Mercado Exterior
Nos Estados Unidos, executivos dos principais bancos demonstraram otimismo em relação à demanda por crédito, sinalizando confiança na resiliência da atividade econômica. A percepção é de que famílias e empresas continuam buscando financiamento, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados. O cenário reforça a visão de uma economia que segue apresentando dinamismo, embora o mercado continue monitorando os impactos da política monetária sobre o crescimento. Saiba mais
Na Zona do Euro, o crescimento do crédito acelerou em abril, impulsionado principalmente pela maior demanda das empresas por financiamento. O movimento sugere melhora gradual da atividade econômica e maior confiança do setor produtivo, em um contexto de recuperação ainda moderada. O avanço do crédito também é acompanhado de perto pelo Banco Central Europeu, dada sua relevância para as perspectivas de crescimento e inflação no bloco. Saiba mais
Legislativo & Judiciário
STJ | AREsp nº 2605052/SP | A 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (“STJ”) reafirmou o entendimento de que a sucessão empresarial é instituto autônomo, não se confundindo com a desconsideração da personalidade jurídica. Desse modo, é vedada a aplicação automática desta última com fundamento exclusivo na ocorrência da sucessão. Saiba mais
TJSP | AI nº 2259094-84.2025.8.26.0000 | A 1ª Câmara de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo (“TJSP”) entendeu que os créditos decorrentes de atos cooperativos podem se submeter aos efeitos da recuperação extrajudicial, uma vez que o rol de créditos excluídos deve ser interpretado de forma restritiva. Saiba mais