Do cessar-fogo ao spread
A tentativa de interromper a escalada entre Irã e EUA produziu até aqui menos uma pacificação e mais uma trégua operacional. O FMI classificou o cessar-fogo anunciado em 7 de abril como um passo relevante para a desescalada, mas a própria dinâmica das negociações mostra um arranjo ainda precário. Em 16 de abril, a Reuters reportou que os dois lados haviam reduzido a ambição de acordo amplo para um memorando temporário. O quadro voltou a se deteriorar com dúvidas sobre a continuidade das conversas, acusações e novo estresse em torno de Hormuz.
Para o mercado de FIDC, o ponto central não é apenas diplomático, mas financeiro. Uma trégua frágil mantém vivo o risco de choque de energia, pressão inflacionária e desorganização logística. No Brasil, a transmissão já aparece no debate macro. A inflação de março acelerou com pressão de combustíveis e transporte, e o Banco Central vem ressaltando cautela para medir o efeito do choque do petróleo sobre inflação e atividade.
Ao mesmo tempo, a indústria de fundos continua captando. R$ 159,2 bilhões líquidos no primeiro trimestre de 2026, mas com leitura mais seletiva: a renda fixa de baixa duração e crédito livre concentrou R$ 130,3 bilhões. Liquidez existe, mas o capital está premiando duration curta, previsibilidade de caixa, colateral robusto e governança de acompanhamento mais frequente.

Curva de Juros
Na última semana, a curva de juros futura apresentou forte movimento de queda ao longo dos vencimentos, impulsionada pelo tombo do petróleo após a reabertura do Estreito de Ormuz. O alívio na commodity reduziu o prêmio de risco geopolítico embutido nas taxas, com os vencimentos curtos e intermediários liderando o movimento. As dúvidas sobre a durabilidade da trégua, contudo, contiveram parte dos ganhos e mantiveram as taxas em patamar ainda elevado, reforçando a cautela diante das incertezas sobre a trajetória da política monetária Saiba mais

Principais Notícias
Valor Econômico | Mudanças da RCVM 175 fazem mercado de FIDCs “explodir” | “Ao introduzir mudanças como a abertura do mercado de fundos para os investidores de varejo, limitar a possibilidade de perda máxima do cotista ao valor por ele investido e trazer mais clareza sobre atribuições e responsabilidades entre prestadores de serviços, a Resolução 175 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mexeu com o mercado de capitais brasileiro. Um dos principais produtos beneficiados foram os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs). Em 2025, o patrimônio líquido dos FIDCs cresceu 30%, atingindo mais de R$ 833 milhões.” Saiba mais
Exame | Construtoras resistem aos juros altos e surpreendem no 1º trimestre | “O setor de incorporação imobiliária brasileiro encerrou o primeiro trimestre de 2026 com resultados operacionais resilientes, avaliam os analistas do Safra. (,,,) No segmento de médio e alto padrão, o quadro é mais misto. Os lançamentos recuaram 12% na comparação anual, mas as vendas líquidas surpreenderam para cima, com expansão de 23% — três pontos percentuais acima do que o Safra projetava” Saiba mais
Valor Econômico | BC e CVM firmam acordo para aperfeiçoar troca de informações sobre crédito | “(…) O objetivo, de acordo com o Banco Central, é aprimorar o acompanhamento do mercado de crédito, sobretudo fora dos bancos, “fortalecendo a supervisão e subsidiando a formulação de políticas públicas voltadas à estabilidade financeira”, diz a nota do Banco Central. A autoridade monetária explicou que os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), por exemplo, já enviam informações das operações de crédito desde 2012.” Saiba mais
Mercado Exterior
Nos Estados Unidos, o impasse nas negociações com o Irã e os sinais contraditórios sobre o Estreito de Ormuz elevam as incertezas no cenário geopolítico e energético global. O aumento do risco tende a pressionar ativos e reforça a cautela dos investidores, especialmente diante das implicações para crescimento e inflação. Nesse contexto, o mercado acompanha os desdobramentos das negociações e seus efeitos sobre as expectativas de política monetária americana. Saiba mais
Na Zona do Euro, o BCE mantém postura vigilante diante de uma desinflação ainda não consolidada, com os preços pressionados pela alta da energia em meio ao conflito no Oriente Médio. Joachim Nagel reforçou o tom de cautela, sinalizando que as decisões seguirão condicionadas à evolução dos dados. O cenário limita o espaço para flexibilização monetária no curto prazo e adiciona incerteza ao ambiente de investimentos no bloco. Saiba mais
Legislativo & Judiciário
STJ | Tema 1338 | A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (“STJ”) decidiu que a expedição de ofícios a cadastros de órgãos públicos ou a concessionárias de serviços públicos não é requisito obrigatório para localizar o réu antes do deferimento da citação por edital. Saiba mais
STJ | REsp nº 2226101/SC | A 4ª Turma do STJ entendeu que é admissível a utilização do Sistema Eletrônico dos Registros Públicos (SERP-JUD) para a pesquisa de bens e direitos e para a determinação de medidas constritivas em ações de execução, desde que haja ordem judicial fundamentada, dispensado o esgotamento de diligências extrajudiciais. Saiba mais