
Fique por dentro das principais informações do mercado financeiro nesta segunda-feira, 27 de abril.
Futuros de NY perto das máximas históricas com expectativa de acordo EUA-Irã; Brent mantém avanço na casa de US$ 107
Axios: Irã sinaliza acordo provisório para reabrir Ormuz em troca do fim do bloqueio. Focus: IPCA 2026 sobe para 4,86% (7ª alta seguida), Selic mantida em 13% e dólar a R$ 5,25. Pesquisa BTG/Nexus: Lula (46%) e Flávio (45%) empatados. Copom decide quarta.
Resumo do dia
Os futuros de Nova York iniciam a semana perto das máximas históricas, sustentados pelo rali em fabricantes de chips e pela expectativa de que um acordo entre EUA e Irã esteja próximo. Segundo a Axios, o Irã sinalizou que aceitaria um acordo provisório para reabrir o Estreito de Ormuz em troca do fim do bloqueio a seus portos, adiando as negociações nucleares. O petróleo Brent, no entanto, mantém avanço na casa de US$ 107, com o estreito praticamente intransitável. A semana ainda reserva decisões do Fed, BCE e Copom, além de balanços das big techs.
O Boletim Focus mostrou nova alta nas expectativas de inflação: o IPCA de 2026 subiu para 4,86%, a sétima alta consecutiva, enquanto a Selic foi mantida em 13% e o dólar recuou para R$ 5,25. No campo eleitoral, pesquisa BTG Pactual/Nexus mantém Lula e Flávio Bolsonaro empatados em eventual segundo turno (46% a 45%). Romeu Zema ganha tração em pesquisas qualitativas e preocupa rivais, com marqueteiros avaliando que seu valor para uma vaga de vice pode subir. O Copom decide juros na quarta-feira.
Expresso Brasil e Mundo
Ibovespa: O Ibovespa fechou em queda de 0,33% aos 190.745 pontos, em movimento de baixa na segunda semana seguida de correção, pressionado pelas incertezas no Oriente Médio e pela cautela antes da decisão do Copom sobre juros. O dólar recuou a R$ 4,99. As maiores altas foram Hapvida (+5,94%) e Usiminas (+5,55%), enquanto as maiores baixas ficaram com Brava Energia (-5,75%) e Banco do Brasil (-1,30%).
Juros futuros: Juros futuros caíram ao longo da curva, com dólar recuando a R$ 4,98, impulsionados pelo recuo dos yields dos Treasuries e pelo otimismo nas negociações entre EUA e Irã.ados das grandes empresas de tecnologia.
Mundo: Os mercados internacionais seguem lateralizados próximos às máximas históricas, sustentados pelo forte rali das fabricantes de chips impulsionado pela IA e por uma temporada de balanços robusta, enquanto investidores aguardam decisões do Fed e do BCE e resultados das grandes empresas de tecnologia e o dólar caminha para alta semanal.
Metais: Minério recua 0,5% na bolsa de Singapura.
Petróleo: O petróleo opera em alta, pressionado pelo fechamento praticamente total do Estreito de Ormuz, que reduziu drasticamente a produção do Golfo Pérsico, gerando déficit expressivo de oferta, embora sinais de negociação entre Irã e EUA para reabertura da via limitem ganhos adicionais.
Economia
Por José Marcio Camargo
A “calibragem” deve continuar
O cenário internacional se complicou com a suspensão das negociações entre os Estados Unidos e o Irã, a continuação do bloqueio dos portos iranianos pela marinha americana, endurecimento da posição dos dois países que abandonaram a mesa de negociações no Paquistão, indicando que a guerra deve demorar mais do que o esperado pelo Presidente Trump.
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Relatórios
Usiminas (USIM5) | Resultado 1T26: Preço ao invés de volume funciona
A companhia reportou EBITDA de R$653m (+77% vs. Est.; +56% t/t), acima do esperado, impulsionado por recuperação mais forte que o modelado no aço. Os reajustes de preços sustentam uma atualização em nossa curva de aço plano, elevando o TP para R$8,00 (vs. R$7,00 ant.), embora a relação risco-retorno permaneça equilibrada.
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Expresso Bolsa Semanal: Estreito de Ormuz, S&P 500 acumulando alta, Ibovespa devolve ganho
Ibovespa recua expressivamente na semana após chegar perto dos 200 mil pontos, com rotação de fluxo estrangeiro para Wall Street, real flertando com R$ 5,00 e curva de juros revisando Selic terminal de 12% para 13%, enquanto small caps abriram maior desconto histórico frente ao índice.
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As principais notícias do dia 27/04/26
⛽ Petróleo & Gás
Setor | Estreito de Hormuz pode reabrir, mas sistema global de petróleo já foi abalado
O que aconteceu? Reportagem da OilPrice destaca que, mesmo com eventual normalização do tráfego no Estreito de Hormuz, o choque recente já expôs fragilidades estruturais no sistema global de petróleo. O episódio elevou prêmios de risco logístico, pressionou fretes marítimos, seguros e spreads físicos, além de reforçar preocupações sobre concentração excessiva de oferta em rotas críticas. O mercado também passou a precificar maior valor estratégico para estoques, capacidade ociosa e diversificação geográfica de suprimento. (OilPrice e Genial Investimentos)
Opinião Genial: A principal leitura para o setor é que crises geopolíticas não precisam resultar em interrupção prolongada para gerar efeitos econômicos relevantes. Basta o aumento da percepção de risco para elevar custos ao longo da cadeia e sustentar um novo piso para preços internacionais. Para empresas produtoras de óleo, especialmente, o ambiente tende a ser positivo caso o Brent permaneça estruturalmente mais alto. Já para refinadores, distribuidores e economias importadoras, o impacto é inverso via maior custo de matéria-prima e pressão inflacionária. O evento também reforça o prêmio estratégico de ativos fora do Oriente Médio, inclusive no offshore brasileiro.
⛽ Petróleo & Gás
Setor | Economistas criticam uso de receitas do petróleo para desoneração de combustíveis
O que aconteceu? Reportagem da Folha informa que economistas questionam propostas do governo de utilizar receitas extraordinárias ligadas ao setor de petróleo (como royalties, participações especiais e arrecadação adicional) para financiar medidas de alívio nos preços dos combustíveis. As críticas concentram-se no caráter volátil dessas receitas, no risco fiscal e no uso de recursos não recorrentes para subsidiar despesas correntes. O debate ocorre em meio à pressão política por redução de preços ao consumidor. (Folha e Genial Investimentos)
Opinião Genial: A discussão reforça o dilema estrutural entre política energética, disciplina fiscal e previsibilidade regulatória. O uso de receitas petrolíferas para suavizar preços pode gerar ganho político de curto prazo, mas tende a ampliar incertezas sobre alocação de recursos públicos e governança do setor. Para Petrobras, a leitura é mista: reduz pressão por intervenção direta na política comercial da companhia, porém aumenta risco de captura indireta da renda petrolífera para objetivos fiscais e eleitorais.
💧 Saneamento
SBSP3 (Sabesp) / EMAE3 (Emae) | Sabesp propõe OPA unificada a R$ 61,83/ação e avalia incorporar Emae
O que aconteceu? A Sabesp solicitou à CVM a unificação da OPA por alienação de controle com a oferta por aumento de participação na Emae, propondo preço de R$ 61,83 por ação ordinária — equivalente a 100% do pago à Vórtx na operação que lhe deu o controle (ex-fundo Phoenix/Tanure), em janeiro; valor 25% acima dos R$ 49,46 previamente propostos para a OPA de controle. A Sabesp já detém 79% do total de ações da Emae (98% do capital votante). Paralelamente, anunciou estudo de viabilidade para incorporar a totalidade dos papéis remanescentes, o que converteria a Emae em subsidiária integral, com acionistas recebendo ações da Sabesp em substituição. (Valor Econômico e Genial)
⚡ Energia Elétrica
Enel Brasil | Fitch rebaixa nota nacional de AAA(bra) para AA+(bra) por risco de caducidade da concessão em SP
O que aconteceu? A Fitch cortou o rating nacional de longo prazo da Enel Brasil e de todas as suas subsidiárias brasileiras de “AAA(bra)” — nota máxima — para “AA+(bra)”, com perspectiva negativa, em razão do risco elevado de não renovação da concessão da Enel SP, após a Aneel abrir processo de caducidade em 13/abr — penalidade inédita no segmento de distribuição no Brasil. A agência aponta que a perda da concessão paulista reduziria eficiência operacional e rentabilidade do grupo e aceleraria a dívida da subsidiária, mitigada parcialmente por linha de crédito de US$ 2 bi da Enel Américas; as concessões da Enel Rio e Enel Ceará têm maior probabilidade de renovação, mas seguem pendentes. (Valor Econômico e Genial)
🏦 Financeiro
BBAS3 (Banco do Brasil) | BB Day: gestão projeta recuperação em “W”, com 1S26 mais fraco e melhora no 2S26
O que aconteceu? Durante o BB Day, a presidente Tarciana Medeiros afirmou que o primeiro semestre de 2026 “ainda será mais apertado” e de ajustes, com melhora esperada apenas no 2S26. O CFO Marco Geovanne Tobias alertou que a recuperação deve seguir um formato “W” (altos e baixos), e não “U”, com risco de um “M” caso a guerra no Oriente Médio se prolongue. O Itaú BBA projeta ROE de apenas 7,5% no trimestre.
Opinião Genial: Nossas expectativas para o 1T26 (divulgação em 13/05) são de lucro líquido entre R$3,0 bi e R$3,5 bi, queda expressiva ante os R$5,7 bi do 4T25, pressionado por provisões elevadas e margem financeira menor. Sem grandes catalizadores para a valorização da ação, a sinalização de recuperação lenta e o alerta sobre um começo de ano mais fraco confirmam nossa visão de que o 1T26 deve mostrar lucro líquido inferior ao 4T25, pressionado por provisões elevadas (especialmente no agro) e margem financeira menor. A recomendação Neutra se justifica: o valuation descontado já precifica parte dos desafios, mas a falta de catalisadores de curto prazo e o cenário de “W”, com possível piora se o choque externo se prolongar, recomendam cautela no momento.
Recomendação: Neutro
Preço-alvo: R$ 25,30
🏥 Saúde
ONCO3 (Oncoclínicas) | Grodetzky assume presidência do conselho; Cecchi renuncia à diretoria
O que aconteceu? A Oncoclínicas confirmou, na noite de domingo (26), a eleição de Marcos Grodetzky à presidência do conselho de administração — mandato até a AGE de 30/abr — e a renúncia de Marcel Cecchi aos cargos de VP executivo, diretor financeiro e diretor de RI; Cecchi é sócio da Latache, acionista com ~15% do capital. A escolha de Grodetzky teria desagradado à gestora. Até a assembleia, Carlos Gil (atual CEO e diretor médico) acumula a vice-presidência executiva, e Isaac Quintino assume como diretor financeiro e de RI interinos. (Valor Econômico e Genial)
⛽ Óleo e gás
RAIZ4 (Raízen) | Raízen apresenta nova proposta com captação de R$ 2,5–5 bi e recusa saída de Ometto
O que aconteceu? Na noite de sábado (26), a Raízen enviou proposta alternativa aos credores na reestruturação extrajudicial de R$ 65 bi: está em negociações para captar entre R$ 2,5 bi e R$ 5 bi em novos recursos — adicional aos R$ 4 bi já comprometidos por Shell e Ometto —, sem revelar a origem dos fundos; a Cosan não participa do aporte. A empresa rejeitou a demanda dos bondholders de R$ 8 bi de injeção e se recusou a abrir mão do comando do conselho, resistindo à remoção de Ometto pedida por credores bancários e detentores de títulos; aceitaria apenas criar um comitê de credores para monitorar a governança. Manteve a proposta de 70% do capital aos credores em eventual conversão de dívida, mas rejeitou a destinação de 30% da venda de ativos argentinos para amortização. O prazo para acordo extrajudicial vai até 6/junho. (Bloomberg/Valor Econômico e Genial)+
🚚 Transporte
UGPA3 (Ultrapar) / RAIL3 (Rumo) | Ultra negocia fatia adicional na Rumo e avalia sócios para Ipiranga e Ultracargo
O que aconteceu? Sob a gestão de Marcos Lutz — que estruturou a Rumo quando estava na Cosan —, a Ultrapar já detém ~5% da ferrovia via derivativo (total return swap) e estaria em conversas com a Cosan para ampliar a participação; a Cosan resistiria em vender mais de 10–15% e não abre mão do controle, enquanto o Ultra avalia se aceitaria ser apenas sócio relevante de um ativo com valor de mercado de ~R$ 31 bi. Paralelamente, o grupo mantém tratativas com potenciais sócios para Ipiranga e Ultracargo, em linha com a estratégia de transformar a Ultrapar em holding de participações com gestão ativa — modelo Votorantim. O balanço confortável sustenta a estratégia: dívida líquida de R$ 12,14 bi (1,7x Ebitda) e Ebitda recorrente de R$ 6,7 bi em 2025 (+15% a/a). (Valor Econômico e Genial)
💧 Saneamento
Governo de SP | SP abre consulta pública para concessões de saneamento de R$ 29 bi em 146 municípios
O que aconteceu? O governo de São Paulo lançou consulta pública de 30 dias sobre novas concessões de saneamento pelo programa UniversalizaSP, abrangendo 146 dos 645 municípios paulistas fora do escopo da Sabesp, com investimentos previstos de R$ 29 bi até 2033 — data-limite do marco legal para universalização — e potencial de R$ 100 bi até 2060. O leilão está previsto para o 4T26; os blocos a serem ofertados serão definidos após as contribuições, com audiências públicas em maio em São Caetano do Sul, Americana, São Carlos e São José do Rio Preto. A Sabesp sinalizou interesse natural nas áreas adjacentes às suas operações. (Valor Econômico e Genial)
⚡ Energia Elétrica
EGIE3 (Engie Brasil) | Assembleia aprova dividendos de R$ 557,7 mi e confirma JCP de R$ 100 mi
O que aconteceu? A assembleia da Engie Brasil aprovou distribuição de dividendos de R$ 557,7 mi (R$ 0,48828/ação, 1,3% de yield), com data-com em 4/mai e pagamento em 20/mai, além de confirmar o pagamento de JCP de R$ 100 mi (R$ 0,08754/ação, 0,2% de yield) na mesma data, para acionistas posicionados em 18/dez/2025. (Comunicado à B3 e Genial)
🛒 Varejo
ENJU3 (Enjoei) | Assembleia aprova redução de capital de R$ 384,8 mi para absorver prejuízos e restituir R$ 41,3 mi aos acionistas
O que aconteceu? A assembleia do Enjoei aprovou redução de capital de R$ 384,8 mi, destinada à absorção de prejuízos acumulados de 2025 e à restituição de R$ 41,3 mi aos acionistas (R$ 0,20166/ação), com data-com em 24/jun e ações negociadas ex-direito a partir de 25/jun. (Comunicado à B3 e Genial)
🚚 Transporte
SEQL3 (Sequoia Logística) | Sequoia troca e-commerce por bancos e estuda novo ticker na bolsa
O que aconteceu? A Sequoia está promovendo uma mudança estrutural no modelo de negócios, deixando o foco em e-commerce e migrando para logística de objetos bancários, via Flash Courier. O movimento vem após a reestruturação conduzida pela JiveMauá e busca priorizar segmentos de maior margem e previsibilidade.
A nova estratégia abandona o modelo baseado em volume e margens pressionadas, focando um nicho mais rentável, com retornos superiores e maior geração de caixa. Como parte do reposicionamento, a companhia avalia inclusive a mudança de ticker na bolsa, refletindo o novo direcionamento estratégico. (Exame e Genial)
