Conclusão
Em revisão. Achamos o resultado neutro para tese em um trimestre pouco inspirador, com produção impactada pela intervenção da ANP em ativos onshore (principalmente) e condições pouco interessantes de preço do brent. Como amplamente divulgado e discutido ao longo do documento, maiores preços do brent e diminuição do capex deve acabar por fortalecer a geração de caixa da empresa daqui por diante. Do ponto de vista estratégico, o resultado reforça três pilares da tese da companhia: (i) crescimento de produção offshore, com maior escala operacional; (ii) redução gradual de capex após a conclusão dos principais projetos de revitalização; e (iii) aceleração da desalavancagem financeira impulsionada pela geração de caixa operacional.
Resultado 4T25
A receita líquida da companhia no 4T25 foi de R$2,5 bilhões (+31% a/a). Apesar da forte performance a/a, na realidade esse trimestre foi negativamente impactado pela queda na produção t/t derivado, principalmente I) interrupção temporária no sistema Potiguar após auditoria realizada pela ANP, principalmente, II) manutenções programadas em Papa-Terra e Atlanta e outros. A produção diária foi de 76,5k bpde (vs 91,8k bpde no 3T25) pelos motivos mencionados anteriormente. Sob o ponto de vista dos preços realizados, o brent do trimestre foi de US$63/barril com um preço realizado de comercialização de US$55,6/barril, implicando em uma relação de 87% vs 89% no 3T25. O desempenho comercial no 4T25 é justificado, principalmente, por: (i) não realização de operação offloading em Parque das Conchas (BC-10) devido à parada programada, (ii) pela redução do volume de óleo vendido em Potiguar, -13,3% t/t, (iii) maior desconto na venda de óleo de Atlanta, (iv) pela retração do Brent no período, -7,8% t/t, parcialmente compensado (ii) pelo maior volume de óleo vendido em Papa-Terra +13,4% t/t. Essencialmente, após o pico de produção no 3T25 e com tantos eventos não recorrentes do ponto de vista comercial se materializando em um único trimestre, temos um cenário construtivo para 2026 com a recuperação de volumes e preços do brent mais altos.
EBITDA ajustado atingiu R$808 milhões, abaixo do consenso. Os ajustes no trimestre foram de R$299 milhões, sendo o principal de R$210 milhões devido a perdas estimadas com créditos de natureza tributária e outros. A margem ajustada de foi de 31,7% em um trimestre sob pressão da receita, principalmente, que acabou não trazendo a diluição de custos esperada com volumes menores. Apesar dos pesares, o lifting cost da companhia apresentou queda relevante ao longo de 2025, refletindo principalmente o aumento da produção offshore e ganhos de eficiência operacional. No 3T25, o lifting cost médio ponderado da companhia ficou em aproximadamente US$17,3/boe. Imaginamos que com retorno da produção de Parque das Conchas e Potiguar, essa medida deva reclinar para os patamares anteriores de c. US$15/boe nos trimestres seguintes.
Resultado Financeiro. O resultado financeiro líquido da Brava no 4T25 foi negativo em R$651 milhões, comparado a R$1,785 bilhão negativos no 4T24 e R$537 milhões negativos no 3T25, indicando melhora relevante na comparação anual, mas deterioração sequencial no trimestre. A melhora a/a reflete principalmente menor impacto cambial sobre a dívida da companhia, enquanto a piora t/t está associada sobretudo a efeitos contábeis não caixa relacionados à variação cambial e marcação a mercado de instrumentos financeiros. Excluindo esses efeitos, o resultado financeiro recorrente teria ficado próximo de R$200 milhões negativos, refletindo essencialmente despesas com juros da dívida, parcialmente compensadas por receitas financeiras de cerca de R$80 milhões provenientes de aplicações vinculadas à estrutura de financiamento da empresa. Olhando para frente, esperamos melhora gradual dessa linha nos próximos trimestres, impulsionada por maior produção offshore, possível recuperação do Brent em relação ao nível médio de US$63/barril observado no 4T25, redução do capex após o ciclo recente de investimentos e melhora nas condições comerciais de venda do petróleo, fatores que tendem a elevar o EBITDA, acelerar a desalavancagem e reduzir o peso relativo das despesas financeiras no resultado da companhia.
Resultado. O lucro líquido da Brava no 4T25 foi de aproximadamente R$368 milhões, representando queda de cerca de 41% t/t em relação ao 3T25. A retração sequencial do lucro no trimestre foi explicada principalmente pela combinação entre menor produção média (76,5 mil boe/d vs 91,8 mil boe/d no 3T25), decorrente de intervenções operacionais em Potiguar, Papa-Terra e Atlanta, queda do Brent no período (-7,8% t/t) e piora nas condições comerciais de venda do petróleo, com preço realizado equivalente a 87% do Brent (vs 89% no trimestre anterior).
Fluxo de Caixa Livre. Vemos o fluxo de caixa recorrente (Fluxo de caixa Operacional – Investimentos – Despesa Financeira) como praticamente zerado no trimestre. Como exaustivamente mencionado nesse documento, preços do brent mais altos, retorno da produção e menor capex devem auxiliar no processo de geração de caixa daqui por diante. Ainda assim, o endividamento no 4T25 foi de R$9,1 bilhões, representando uma relação Dívida Líquida/EBITDA de 2,2x vs 3,4x no 1T25.
