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    Publicado em 10 de Março às 23:55:14

    PRIO (PRIO3) | Resultado 4T25: Wahoo tá quase lá!

    O roteiro segue intacto!

    O roteiro segue intacto! Seguimos com a recomendação de MANTER para PRIO3. Como mencionado em nosso recente documento de atualização (Petróleo & Gás | Brent acima dos US$100! O que fazer com ações das Petroleiras?), a empresa deve seguir gerando caixa de maneira interessante, ainda que de maneira mais modesta. Vale mencionar que ainda não apropriamos as informações divulgadas na certificações de reservas apresentadas pela empresa na noite de hoje, que por sua vez devem apresentar um upside interessante em relação as nossas estimativas.

    Olhando adiante. A companhia concluiu a perfuração de três dos quatro poços produtores, executou as instalações submarinas e recebeu a licença de operação, última etapa do licenciamento antes do primeiro óleo. A entrada do campo deve ocorrer em fases, com dois poços inicialmente, o terceiro nas semanas seguintes e o quarto até o fim de abril, o que deve trazer incremento relevante de produção com custo marginal bastante baixo. Do lado inorgânico, Peregrino passou a operar sob o controle da PRIO em novembro, abrindo espaço para captura de sinergias via revisão contratual, redução de custos administrativos, otimização logística, gestão ativa dos poços e reconstrução do gasoduto. A companhia já sinaliza que, com Wahoo e a otimização de Peregrino, o lifting cost deve voltar a níveis próximos aos observados em 2023 ao longo de 2026. Em outras palavras, vemos 2026 como o ano em que a tese deixa de depender apenas de expectativa e passa a aparecer de forma mais clara nos números.

    Detalhamento do Resultado 4T25

    Receita. A PRIO reportou receita total de US$ 642 milhões no 4T25, crescimento de 20% a/a, mesmo diante de uma retração de 15% no preço médio do Brent. O dado é importante porque mostra, mais uma vez, que a tese da companhia está menos associada à direção do petróleo e mais ligada à sua capacidade de aumentar produção, otimizar portfólio e comercializar volumes maiores. A composição da receita passou a refletir uma nova configuração do portfólio: Peregrino respondeu por 42,8% da receita trimestral, seguido por Frade (28,4%), Albacora Leste (16,0%) e Polvo/TBMT (12,9%). A mudança de mix é relevante, pois desloca a companhia para uma base de produção maior, mas também com maior exposição a óleo pesado e, portanto, a descontos comerciais maiores.

    Drivers: volume/produção e preços realizados. O principal vetor do trimestre foi o volume. A produção avançou 45% vs. 3T25 e 46% a/a, refletindo a retomada de Peregrino após a interdição e o closing da tranche adicional de 40%, que adicionou cerca de 40 mil barris/dia à produção da companhia. No comercial, a PRIO vendeu 10,6 milhões de barris, alta de 23% t/t e 53% a/a, com preço médio realizado de US$ 63,22/bbl e FOB equivalente de US$ 55,49/bbl, implicando desconto consolidado de US$ 7,73/bbl, acima dos US$ 4,17/bbl do 3T25. Esse aumento do desconto decorre principalmente do maior peso de Peregrino, cujo óleo é estruturalmente mais pesado, da ampliação do diferencial do óleo pesado frente ao Brent.

    EBITDA. O EBITDA ajustado (ex-IFRS 16) foi de US$ 341 milhões, alta de 6% a/a. O avanço parece modesto diante do salto de produção, mas a leitura correta é que a maior escala foi parcialmente compensada por dois elementos: (i) aumento dos custos associados à incorporação e operação de Peregrino; e (ii) piora relevante do resultado de comercialização, com maior despesa de frete e maior peso dos offtakes com entrega ao cliente. Ainda assim, o EBITDA cresceu e a companhia manteve resiliência operacional mesmo em um trimestre de transição. Isso reforça a lógica da tese: antes de capturar toda a sinergia de Peregrino e de colher o efeito de Wahoo, a PRIO já consegue entregar expansão de EBITDA. O upside, portanto, continua à frente.

    Lifting cost. O lifting cost fechou o trimestre em US$ 12,5/barril, queda de 28% vs. 3T25, embora ainda 13% acima do 4T24. A melhora sequencial foi consequência direta da volta de Peregrino à produção e do início da otimização de custos do ativo após a assunção da operação. Esse ponto é central para a tese. A interdição de Peregrino no 3T25 distorceu fortemente os números, elevando o custo unitário por falta de diluição. Com a normalização da produção e a gestão direta da PRIO, o ativo começa a caminhar para o racional original da aquisição: transformar um campo grande, porém caro, em uma plataforma de geração de valor via eficiência operacional. A companhia já indica que, com Wahoo em produção e com a captura de sinergias em Peregrino, o custo deve retornar a níveis próximos aos de 2023 em 2026 (c. US$7-8/barril)

    Resultado financeiro. O resultado financeiro (ex-IFRS 16) foi negativo em US$ 89 milhões, contra US$8 milhões negativos no 4T24. O principal driver foi o aumento da posição de dívida e, portanto, das despesas com juros, algo esperado diante da combinação entre capex elevado, aquisição de Peregrino e reforço de caixa para sustentar a transação e o cronograma de Wahoo. Em outras palavras, a piora financeira não decorre de uma deterioração do negócio, mas do fato de a PRIO estar carregando, no balanço, o custo de financiar seu próximo ciclo de crescimento. Em companhias de O&G, esse tipo de pressão financeira é tolerável quando associado a projetos de elevada visibilidade e retorno, como parece ser o caso aqui.

    Lucro líquido (Ou não). A companhia registrou prejuízo líquido de US$185 milhões no trimestre. Abaixo da linha operacional, o maior peso veio do avanço expressivo de depreciação e amortização, que somou US$ 306 milhões, alta de 140% a/a, refletindo principalmente a aquisição adicional de Peregrino e sua consolidação operacional. Além disso, houve impacto do ajuste da base tributável em função da valorização do real frente ao dólar, afetando o valor contábil de ativos imobilizados e intangíveis. O lucro líquido, portanto, foi mais fraco do que a fotografia operacional do trimestre sugeriria.

    Investimentos. Os investimentos no trimestre foram elevados devido principalmente os valores relacionados ao closing de Peregrino (US$1,5 bilhões) e Perfuração dos Poços de Wahoo, Peregrino e Conexão a FPSO Valente (US$252 milhões).

    Fluxo de Caixa Livre sob pressão! O Fluxo de Caixa Livre Recorrente no trimestre foi de apenas US$9 milhões (Fluxo de Caixa Operacional – Capex Recorrente – Resultado Financeiro) devido, principalmente ao preço do brent mais fraco ao longo do 4T25 (US$63/ barril) e maior volume de investimentos em Wahoo e Peregrino. Acreditamos que o ano de 2026 vá ser bem mais interessante sob esse ponto de vista considerando os atuais patamares do brent, entrada operacional de Wahoo e corte de custos esperados em Peregrino.

    Endividamento. A dívida líquida aumentou em aproximadamente US$ 4,3 bilhão, puxada sobretudo pelo closing de Peregrino (US$1,5 bilhão), além do capex, do opex extraordinário do campo e da recompra de ações (US$3 bilhões). O Custo da dívida é de 6,36% e duration de 2,98 anos. Dívida Líquida/EBITDA alcançou 2,3x no 4T25 – imaginamos O aumento da alavancagem era esperado e, em nossa leitura, faz parte da mecânica natural de uma aquisição transformacional. Com brent nos patamares atuais, corte de custos de Peregrino e entrada operacional de Wahoo, acreditamos que esse processo de desalavancagem deve se materializar de maneira mais rápida do que previamente esperado.

    Projetos em desenvolvimento:

    I) Wahoo | continua sendo o principal projeto orgânico da tese. A companhia concluiu três dos quatro poços produtores, executou as instalações submarinas, recebeu a licença de operação e entrou na fase final de comissionamento, com primeiro óleo esperado para os próximos dias.

    II) Em Peregrino | a companhia já iniciou a gestão ativa dos poços, concluiu o workover do poço B-21, perfurou o poço C-2 e deu início a uma agenda estruturada de redução de custos. Como mencionado em nossos documentos anteriores em relação a Peregrino, a empresa espera cortar c. US$300 milhões em custos operacionais desse ativo, fazendo assim com que o lifting cost da empresa siga em uma saudável e tão esperada trajetória declinante.

    III) Em Albacora Leste | a estabilização operacional melhorou bastante ao longo de 2025 e a conclusão das melhorias de redundância deve elevar a previsibilidade do ativo. Em Polvo/TBMT, a retomada da capacidade plena e a 6ª campanha de perfuração mostram que mesmo ativos maduros continuam entregando incremental de valor quando há intervenção técnica adequada.

    Recompra de Ações. A empresa segue com programa de recompra de ações aberto a planeja alcançar 10% do seu float – já considerando o recente cancelamento de 3% dessas ações que já estavam em tesouraria. A empresa reafirmou o seu compromisso de anunciar a política de remuneração aos acionistas até o final do 1º semestre de 2026. Resta saber se as recompras permanecerão mesmo após o recente rally nos preços da ação. Neste trimestre, a empresa recomprou 425,500 ações, representando 0,05% do atual float da empresa.

    Certificado de Reservas 2025 | Gostamos do que vimos!

    A empresa divulgou o relatório de certificação de reservas referente a Jan/25. Nossa interpretação é positiva em relação ao resultado. As reservas provadas (1P) ficaram em 757,3 milhões de barris vs 764,9 milhões em Jan/25. Considerando as reservas provadas + recursos contingentes (1P + 1C) pós-closing de Peregrino, as reservas provadas alcançaram 919 milhões de barris (vs 905 milhões em Jan/25). Achamos o resultado impressionante se considerarmos o fato da empresa ser um case de redesenvolvimento de ativos maduros e não de Exploração & Produção como a Petrobras, que está ativamente em busca de novo recursos. O fato da empresa conseguir repor suas reservas de um ano para o outro mostra a grande capacidade de execução do time. Importante lembrar que a empresa utiliza uma premissa econômica de US$62/barril, o que consideramos super conservador, principalmente se considerarmos o atual patamar do preço do petróleo. Vamos escrever um relatório especificamente sobre o processo de certificação de reservas da empresa.

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