Novamente, alta competição!
O leilão realizado nessa quinta-feira, 28 de março, foi novamente marcado pela alta competição e agressividade dos players participantes. Em função dos leilões dos últimos 3 anos terem sido todos grandes, com alta demanda por profissionais e empresas da área, haviam receios de que poderia existir uma falta de tradalhadores para auxiliar na construção das linhas de transmissão, elevando assim o custo e forçando as empresas a diminuir os deságios em busca de manter o retorno atrativo. Ao que tudo indica, isso pode ter afetado um pouco esse leilão tendo uma média de deságio um pouco menor do que os anteriores, ficando em 40,67%, representando uma relação RAP/investimento de 9,8%, com R$18 Bilhões de investimento total esperado.
Das empresas que temos sob cobertura, Eletrobras (via Eletronorte) e Alupar (via Consórcio Olympus) foram as ganhadoras do dia, com a Eletrobras sendo o destaque. Sob os lotes específicos vencidos por cada uma delas, percebemos que: I) os deságios foram abaixo da média e II) Taxas internas de retorno razoáveis, sob premissas muito conservadoras (não consideramos antecipação de entrada operacionais, possíveis benefícios fiscais SUDAM/SUDENE etc).
Destaques do leilão
A Eletrobras voltou aos leilões com muita força, algo que já era adiantado pela companhia, arrematando 4 lotes, com deságios de 42%, 27%, 31% e 59%, totalizando um adicional de RAP para a empresa de R$590 milhões. Em nossas premissas iniciais, estamos considerando uma eficiência de investimentos necessários de 20% a menos, com relação ao divulgado pela ANEEL, não estamos considerando possíveis benefícios fiscais (SUDAM/SUDENE), não estamos considerando eventuais sinergias operacionais com outras linhas que a empresa já possui e estamos considerando um adiantamento de 18 meses na entrega dos projetos. Partindo desse cenário, encontramos uma TIR nominal de 9,8%, 12,9%, 11,3% e 5,5%, respectivamente aos lotes 1, 3, 5 e 9, número que consideramos razoáveis, representando bons projetos para a empresa adicionar ao seu portfólio de ativos, aumentando sua previsibilidade de fluxo de caixa.
A Alupar, através de seu Consórcio Olympus, arrematou o lote 15, com deságio de 33% e RAP de R$154 milhões. Utilizando as mesmas premissas citadas acima, encontramos uma TIR nominal de 11%. Pelo tamanho do lote, relativo ao tamanho da empresa, consideramos um número razoável, que pode trazer bons resultados a empresa haja visto seu sucesso com os lotes recém adquiridos por ela.
É importante lembrar que os valores estimados nessa análise levam em conta números regulatórios, podendo variar conforme a operadora da linha consiga performar acima (ou abaixo) das estimativas da ANEEL. Para ilustrar potenciais melhoras operacionais, fizemos uma analise de sensibilidade em função da eficiência de alocação de investimentos, levando em conta as variações da TIR e do VPL dos lotes.