PÃO DE AÇÚCAR

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    Publicado em 05 de Março às 18:19:33

    Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) | Follow-on: 2 por 1

    O que aconteceu?

    O GPA lançou uma oferta primária de até 140m de ações, podendo ser aumentada em mais 140m de ações, caso haja demanda. Considerando o preço de fechamento de ontem (04/março), a companhia levantaria R$ 504m – sem considerar o lote adicional. Caso as ações adicionais sejam emitidas, o GPA poderia levantar até R$1,0b.

    Para investidores profissionais, o roadshow e procedimento de bookbuilding teve início nessa terça-feira (5/mar). Para os atuais acionistas da companhia, o período de subscrição vai até o dia 11/mar.

    A fixação do preço por ação está marcada para o dia 13/mar, com negociações das novas ações na B3 a partir de 15/mar.

    E agora? 

    Com a conclusão da oferta, entendemos que devemos observar dois principais efeitos, sendo eles:

    (i) Possível diluição do controlador. Com o aumento das ações em circulação, a oferta pode levar a uma diluição de até 50% para os acionistas da companhia que não acompanharem a oferta.

    Em processo de reestruturação, o Casino já sinalizou que não irá participar da oferta. Concretizado esse cenário, o atual controlador do GPA, que detém uma participação de 41% na empresa, poderia ser diluído até 20% – caso os lotes de ações adicionais sejam emitidos –, deixando de ser controlador da companhia.

    Vale destacar também a cláusula de lock-up, que também impede a venda de ações pelo período de 90 dias contados a celebração do follow-on. Mesmo não participando da oferta, o Casino não poderá se desfazer do restante de sua participação até meados de junho.

    (ii) Redução da alavancagem. A oferta lançada está em linha com o foco do GPA em seu processo de desalavancagem e ocorre após uma série de movimentos nesse sentido (venda de participação no Éxito e na CNova). A companhia encerrou o ano de 2023 com uma relação Dívida Líquida / EBITDA aj. de 5,0x (visão IFRS 16 inc. arrendamento e exc. recebíveis).

    Considerando a entrada de caixa de R$ 504m a R$ 1,0b proveniente da oferta, a alavancagem reduziria para 4,7x (oferta base) ou até 4,3x (considerando o lote adicional) ao longo de 2024.

    Vale ressaltar que, se considerarmos também os recursos levantados (já anunciados) com a venda de participação no Éxito, a alavancagem do GPA reduziria para 4,1x, podendo chegar a 3,7x, caso o lote adicional seja emitido.

    Nossa visão

    Atualmente, a companhia mantém 270m de papéis em circulação no mercado. Isso significa dizer que uma oferta de 280m deve trazer bastante volatilidade para o papel no curto prazo, principalmente após a fixação do preço de emissão.

    Em termos fundamentais, vemos que o GPA tem traçado um turnaround interessante, recuperando market share e rentabilidade em meio a um cenário com ventos contrários ao setor (deflação alimentar). Realizado o follow-on, a companhia endereça o ponto que mais tem preocupado o mercado nos últimos trimestres: alavancagem financeira.

    Apesar de não resolver integralmente o problema, uma vez que a alavancagem ainda deve se manter em cerca de 4,0x neste ano (Est. Genial − visão IFRS 16 inc. arrendamento e exc. recebíveis), deve dar um alívio para que a gestão continue a executar a reestruturação e expansão com maior celeridade. Além de endereçar a estrutura de capital, a companhia também abre espaço para mudanças em governança corporativa. Dois por um!

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