Sinistralidade melhor do que o esperado em Seguro e Saúde compensa piora do crédito no Bank e sustenta revisão positiva do guidance.
Como antecipávamos em nossa prévia, esperávamos um trimestre marcado pela piora do ciclo de crédito no Porto Bank e por uma sazonalidade menos favorável na Porto Saúde. O trimestre confirmou essa dinâmica, mas a intensidade e o mix foram diferentes: a sinistralidade na Porto Seguro surpreendeu positivamente e compensou uma deterioração mais acentuada das perdas de crédito no Bank.
A Porto reportou lucro líquido recorrente consolidado de R$ 889 milhões (+4,2% vs. Est.; -7,2% t/t; +1,2% a/a), ligeiramente acima da nossa estimativa e em linha com o consenso. O ROE recorrente encerrou o trimestre em 22,3% (+0,9 pp vs. Est.; -2,2 pp t/t; -2,3 pp a/a), permanecendo acima de 20% pelo oitavo trimestre consecutivo. A composição do resultado, porém, foi diferente da projetada: Porto Seguro, Porto Saúde e Demais Negócios superaram nossas estimativas, enquanto o Porto Bank apresentou perdas de crédito significativamente acima do esperado.
Um dos destaques do trimestre foi a revisão do guidance para 2026. A companhia passou a esperar menor sinistralidade na Porto Seguro, maior eficiência operacional no Porto Bank e uma alíquota efetiva de impostos mais baixa, compensando a revisão para cima das perdas de crédito da financeira. Como consequência, o ponto médio do guidance de lucro passou a indicar crescimento de aproximadamente 12,4% em 2026, acima da nossa expectativa anterior. Por outro lado, a composição desse crescimento se tornou um pouco menos favorável, com maior contribuição da redução da carga tributária e menor contribuição do resultado operacional do Porto Bank.
- Na Porto Seguro, lucro líquido de R$ 456 milhões (-1,8% vs. Est.; -2,4% t/t; +4,9% a/a). A sinistralidade veio em 49,1% (-2,4 pp vs. Est.), abaixo do piso do guidance anual, mas o comissionamento consumiu o ganho.
- Na Porto Saúde, lucro líquido de R$ 144 milhões (+9,6% vs. Est.; -33,3% t/t; +36,4% a/a). A sazonalidade se confirmou (sinistralidade de 76,9%, -0,1 pp vs. Est.), mas o resultado operacional veio 20,5% acima do estimado.
- O Porto Bank foi destaque negativo nesse trimestre, com lucro líquido de R$ 138 milhões (-29,8% vs. Est.; -34,9% t/t; -32,5% a/a). As perdas de crédito somaram R$ 868 milhões (+18,7% vs. Est.; +67,3% a/a), derrubando o ROAE da vertical para 16,3%.
- Serviços entregou R$ 50 milhões (+21,2% vs. Est.; -5,3% t/t; +11,2% a/a)
- Por fim, Demais Negócios, R$ 92 milhões (+368,5% vs. Est.; -50,9% t/t; +3,2% a/a), ajudado pelo ajuste positivo de IFRS 17 de R$ 38,8 milhões.
Resultado 2T26 | Consolidado: Lucro Acima do Estimado, com a Composição Trocada

Reiteramos Nossa Recomendação de COMPRA
Acreditamos que a reação negativa do mercado ao resultado — com as ações recuando aproximadamente 5% no pregão — representa uma oportunidade de compra. Em nossa visão, o mercado deu peso excessivo à piora do ciclo de crédito no Porto Bank e acabou subestimando a melhora operacional dos negócios de seguros, além da revisão positiva do guidance para 2026.
Embora a companhia tenha elevado sua expectativa de perdas de crédito no Porto Bank, também revisou para melhor as projeções de sinistralidade da Porto Seguro, eficiência operacional do Bank e alíquota efetiva de impostos. Como consequência, o ponto médio do guidance passou a indicar um crescimento do lucro superior ao esperado anteriormente, reforçando nossa confiança na capacidade da companhia de sustentar elevados níveis de rentabilidade.
Reiteramos nossa recomendação de COMPRA, com preço-alvo de R$ 67,00. Continuamos vendo a Porto como nossa principal escolha no setor de seguros. A ação negocia a 8,9x P/L 2026e, 7,7x P/L 2027e e 2,0x P/VP 2026e, múltiplos que consideramos atrativos para uma companhia que combina ROEs consistentemente acima de 20%, disciplina na subscrição e forte geração de caixa.
Novo Guidance: Leve melhora no lucro, apesar dos ajustes de um ciclo pior de crédito
A companhia revisou cinco linhas do guidance 2026 e manteve as demais. No ponto médio das novas faixas, o lucro líquido contábil implícito sobe de R$ 3.737 milhões para R$ 3.800 milhões (+1,7%), ou +12,4% sobre os R$ 3.381 milhões de 2025. Como o 1S26 já está reportado, todo o incremento recai sobre o segundo semestre – a leitura é de um 2S26 mais forte do que o guidance anterior embutia.
- Porto Seguro puxa a revisão para cima. A sinistralidade da vertical caiu de 50,5%-54,5% para 50%-54%, única mudança nesta unidade de Seguros. Guidances de prêmio ganho (+3% a +7%) e G&A (10,0%-10,6%) foram mantidos. O EBIT no ponto médio sobe de R$ 2.233 milhões para R$ 2.348 milhões (+5,1%), passando para um crescimento de +9,1% a/a.
- Porto Bank tem revisões negativas. As perdas de crédito subiram de -R$ 2,7 a -3,1 bilhões para -R$ 3,1 a -3,5 bilhões, mais que compensando as revisões favoráveis de receita bruta (de R$ 7,5b a 7,9b para R$ 7,7b a 8,1b) e de índice de eficiência (de 27% a 31% para 24% a 28%). O EBIT no ponto médio recua de R$ 1.523 milhões para R$ 1.430 milhões (-6,1%), fazendo do Bank a única vertical em contração de rentabilidade no ano.
- Taxa Efetiva: Menos imposto. A faixa de alíquota efetiva de imposto caiu de 24%-28% para 23%-27%, reflexo da reversão de impostos diferidos sobre a mais-valia de aquisição de subsidiária após sua incorporação – o mesmo efeito de R$ 185 milhões da ISAR reconhecido no 1T26.
- Saúde, Serviços, Demais Negócios e resultado financeiro seguem inalterados.
Consolidado | Novo Guidance 2026: Balanço de mudanças mais positiva, apesar da piora no Bank, que foram compensadas pelas melhoras em Seguro e Impostos

Seguro | Novo Guidance 2026: Revisão positiva em sinistralidade

Saúde | Novo Guidance 2026: Sem mudanças; guidance implica em uma piora controlada de sinistralidade no 2S26

Bank | Novo Guidance 2026: Piora relevante em Perdas de Crédito, parcialmente compensada por melhorias na Receitas e Eficiência

Serviços | Novo Guidance 2026: Sem mudanças

Demais negócios | Novo Guidance 2026: Sem mudanças

Destaques por segmento:
Porto Seguro: Sinistralidade Surpreende e Sustenta o Resultado
Olucro líquido foi de R$ 456 milhões (-1,8% vs. Est.; -2,4% t/t; +4,9% a/a) e ROAE de 32,9% (+1,2 pp vs. Est.; -0,9 pp t/t; +1,8 pp a/a):
- Prêmios Emitidos: Recuperação Confirmada. Atingiram R$ 5,9 bilhões (+0,6% vs. Est.; +3,2% t/t; +8,5% a/a), com seguro Auto surpreendendo em R$ 4,2 bilhões (+2,3% vs. Est.; +7,9% a/a) e o Patrimonial como destaque de crescimento, em R$ 982 milhões (+12,4% a/a), com ganhos de participação de 0,8 pp no Residencial e 1,3 pp no Empresarial. O Vida ficou abaixo do estimado, em R$ 508 milhões (-6,0% vs. Est.; +5,8% a/a). Os prêmios ganhos somaram R$ 5,6 bilhões (-0,8% vs. Est.; +2,2% t/t; +4,3% a/a).
- Índice Combinado: Pressão Veio de Onde Não Esperávamos. Ficou em 89,1% (-0,2 pp vs. Est.; +0,2 pp t/t; estável a/a), em linha com os 89,3% projetados, mas com composição distinta: a sinistralidade surpreendeu em 49,1% (-2,4 pp vs. Est.; -1,4 pp a/a), abaixo do piso do guidance – a companhia credita a melhora à disciplina de precificação e aceitação e à menor frequência de sinistros no Auto (56,7%, -1,8 pp a/a), enquanto o comissionamento veio em 25,8% (+1,8 pp vs. Est.; +1,5 pp a/a), consumindo praticamente todo o ganho. As despesas administrativas ficaram em 10,2% (+0,2 pp vs. Est.), estáveis a/a. A companhia revisou o guidance de sinistralidade da vertical de 50,5%-54,5% para 50%-54%.
Porto Seguro | 2T26: Sinistralidade Surpreende e Sustenta o Resultado

Porto Saúde: Sazonalidade Sem Sustos e Melhora Anual Preservada
O lucro líquido foi de R$ 144 milhões (+9,6% vs. Est.; -33,3% t/t; +36,4% a/a) e ROAE de 24,0% (+1,3 pp vs. Est.; -12,4 pp t/t; +1,6 pp a/a).
- Prêmios Ganhos: Em Linha, com Adição de Vidas. Somaram R$ 2,3 bilhões (-1,1% vs. Est.; +3,0% t/t; +14,1% a/a), praticamente idênticos à projeção, com o Seguro Saúde atingindo 904 mil vidas (+20,3% a/a) e o Odonto, 1.267 mil (+16,1% a/a).
- Índice Combinado: Sazonalidade Confirmada, Melhora Anual Preservada. Ficou em 93,5% (-1,4 pp vs. Est.; +7,1 pp t/t; -0,8 pp a/a), com sinistralidade de 76,9% (-0,1 pp vs. Est.; -0,4 pp a/a) exatamente no patamar projetado, creditada pela companhia à estratégia de verticalização virtual. O comissionamento veio em 8,1% (+0,3 pp vs. Est.) e as despesas administrativas em 5,4% (-0,1 pp vs. Est.), dentro do guidance anual. A surpresa no lucro veio do resultado operacional, de R$ 190 milhões (+20,5% vs. Est.), com despesas operacionais 44,4% abaixo do estimado.
Porto Saúde | 2T26: Sazonalidade Sem Sustos e Melhora Anual Preservada

Porto Bank: Ciclo de Crédito Mais Adverso Pressionou o Trimestre
O lucro líquido foi de R$ 138 milhões (-29,8% vs. Est.; -34,9% t/t; -32,5% a/a) e ROAE de 16,3% (-7,1 pp vs. Est.; -8,4 pp t/t; -11,2 pp a/a).
- Receita Total: Em Linha, com o Consórcio Sustentando. Atingiu R$ 1,9 bilhão (+0,5% vs. Est.; +0,7% t/t; +2,3% a/a), com cartão e financiamento em R$ 785 milhões (+0,8% vs. Est.; -0,4% t/t) confirmando a desaceleração que antecipávamos – os cartões aptos para uso recuaram 2,3% t/t, para 3,85 milhões, por adequações nas políticas de concessão. O Consórcio segue como o pilar mais resiliente, com R$ 413 milhões (+1,4% vs. Est.) e carteira administrada de R$ 116 bilhões (+41,1% a/a). A leitura anual de fee-based e despesas operacionais está afetada pela reclassificação de Rewards e bandeiras adotada em 2026; na base comparável divulgada pela companhia, o fee-based teria sido de R$ 839,6 milhões (+29,5% a/a).
- Índice de Eficiência: Melhor que o Esperado. Ficou em 25,4% (-2,5 pp vs. Est.; -2,3 pp t/t; -7,7 pp a/a), abaixo dos 27,9% projetados e do piso do guidance anterior, de 27%. A companhia atribui o ganho à renegociação de contratos, ao autosserviço, à cobrança digital e à internalização de tecnologia, e revisou o guidance da linha para 24%-28%.
- Perdas de Crédito: Acima do Topo do Nosso Cenário. Atingiram R$ 868 milhões (+18,7% vs. Est.; +19,3% t/t; +67,3% a/a) contra os R$ 732 milhões projetados, principal responsável pelo desvio no lucro da vertical. A companhia atribui o avanço a um ciclo de crédito mais adverso e a uma postura mais conservadora na gestão de risco. Os indicadores acompanharam: o over-90 subiu para 9,4% (+1,1 pp t/t; +2,4 pp a/a), a cobertura do Estágio 3 recuou para 62,5% e o NIM ajustado ao risco encerrou em 0,1%, contra os 2,8% projetados, com a compressão concentrada no cartão – a administração sinaliza que o over 15-90 já recuou no trimestre. O guidance anual da linha de perdas de crédito foi revisado de -R$ 2,7/-3,1 bilhões para -R$ 3,1/-3,5 bilhões.
Porto Bank | 2T26: Ciclo de Crédito Mais Adverso Cobra o Seu Preço

Porto Serviços: Acima do Esperado, Mas Ainda Sem Chamar Atenção
O lucro líquido veio melhor que o esperado, atingindo R$ 50 milhões (+21,2% vs. Est.; -5,3% t/t; +11,2% a/a) e ROAE de 25,4% (+8,0 pp vs. Est.; +4,0 pp a/a), acima do esperado. As receitas somaram R$ 659 milhões (+0,7% vs. Est.; +5,6% a/a), com destaque para Parcerias Estratégicas (+8,2% a/a) e Produtos Digitais (+34,3% a/a). O EBITDA recuou para R$ 95 milhões (-6,2% a/a), com margem de 14,4% (-1,8 pp a/a), pressionada por despesas administrativas 41,5% maiores a/a.
Porto Serviços | 2T26: Acima do Esperado, Mas Ainda Sem Chamar Atenção

Demais Negócios: EBIT Ainda Negativo, Mas Bem Melhor que o Projetado
O lucro líquido foi de R$ 92 milhões (+368,5% vs. Est.; -50,9% t/t; +3,2% a/a), o maior desvio individual do trimestre. As receitas vieram 33,4% acima do estimado, em R$ 143 milhões, e o resultado operacional seguiu negativo, mas bem menos do que projetávamos (-R$ 82 milhões vs. -R$ 123 milhões). O restante do desvio veio da linha de Outros, que capturou o ajuste positivo de IFRS 17 de R$ 38,8 milhões.
Demais Negócios | 2T26: EBIT Ainda Negativo, Mas Bem Melhor que o Projetado

Resultado Financeiro e Imposto
Resultado Financeiro Consolidado: somou R$ 387 milhões (-5,4% vs. Est.; +26,2% t/t; +3,0% a/a), abaixo dos R$ 409 milhões projetados. A forte alta sequencial que antecipávamos se confirmou pela mesma razão apontada: o trimestre não foi impactado por rolagens de títulos, efeito que consumiu R$ 33,9 milhões no ALM da Porto Cap no 1T26. A carteira gerida pela tesouraria rendeu R$ 475 milhões, ou 89,9% do CDI, desempenho que a companhia atribui majoritariamente à alocação em renda variável, ainda que acima do Ibovespa, que recuou 8,2% no trimestre.
Impostos Consolidado: a alíquota efetiva ficou em 28,7%, abaixo dos 30,1% projetados (1,5 pp vs. Est.) e praticamente estável a/a (28,4% no 2T25), normalizando frente aos 13,8% do 1T26, que havia sido beneficiado pela reversão de imposto diferido de R$ 185 milhões da incorporação da ISAR. No 2T26, o único ajuste ao lucro recorrente foi o benefício de R$ 9,2 milhões pela amortização de ágio da CDF. O guidance de taxa efetiva para 2026 foi revisado de 24%-28% para 23%-27%.


