Esperamos um 2T26 de recuperação ainda tímida para o Banco do Brasil (BBAS3), com melhora sequencial do lucro, mas sem uma inflexão relevante na rentabilidade. Estimamos lucro líquido ajustado de R$ 3,66 bilhões (+6,6% t/t; -3,4% a/a) e ROE ainda fraco de 7,7% (+0,4 pp t/t; -0,8 pp a/a), bem abaixo do custo de capital e dos níveis apresentados pelos principais bancos privados. A dinâmica operacional deve permanecer semelhante à observada no início do ano, com o elevado custo de crédito, sobretudo no Agro, ainda limitando uma recuperação mais consistente dos resultados.
A margem financeira bruta deve crescer acima da carteira, avançando 0,7% t/t e 10,1% a/a, sustentada principalmente pela margem com clientes. Já a carteira de crédito deve crescer 0,6% t/t e 1,5% a/a, com originação mais seletiva no Agro e expansão concentrada em algumas linhas de PF e no crédito direcionado para empresas. As receitas de serviços, por outro lado, devem permanecer mais pressionadas, refletindo a menor atividade de negócios, principalmente em mercado de capitais.
O principal entrave continua sendo a qualidade de crédito. Projetamos a inadimplência acima de 90 dias em 5,2% (+0,2 pp t/t; +1,2 pp a/a), pressionada principalmente pelo Agro e, em menor escala, pelo cartão de crédito em PF. No rural, o comportamento de pagamento continua abaixo dos níveis históricos, especialmente entre médios e grandes produtores, mantendo elevada a necessidade de renegociação. Com isso, estimamos custo de crédito de R$ 19,2 bilhões (+1,7% t/t; +20,6% a/a), praticamente estável sequencialmente, mas ainda em patamar elevado.
A principal novidade é a MP 1.376, que cria um novo mecanismo para renegociação de dívidas rurais, com até R$ 2 bilhões em equalização de taxas, carência de até dois anos e prazo de pagamento de até oito anos. A medida pode ajudar a normalizar o comportamento de pagamento e acelerar renegociações, especialmente de clientes já inadimplentes. Entretanto, o risco de crédito permanece com os bancos e ainda há pouca visibilidade sobre adesão e impacto financeiro, razão pela qual não incorporamos uma melhora relevante da qualidade de crédito no terceiro trimestre.
Para 2026, seguimos projetando lucro líquido ajustado de R$ 18,1 bilhões (-12,6% a/a) e ROE de 9,35% (-1,7 p.p. a/a), próximos ao piso do guidance de lucro de R$ 18–22 bilhões. Acreditamos que uma recuperação mais relevante da rentabilidade depende principalmente da normalização do ciclo de crédito no Agro. Mantemos nossa recomendação de MANTER, com preço-alvo de R$ 23,30.
Prévia 2T26: Lucro Melhora, Mas Qualidade de Crédito Segue Pressionada

Os principais vetores do trimestre são:
- Carteira de Crédito: Crescimento Moderado e Agro Mais Seletivo. Projetamos carteira expandida de R$ 1,314 trilhão (+0,6% t/t; +1,5% a/a). PF deve crescer 2,1% t/t e 7,8% a/a, apoiada principalmente pelo consignado de funcionários público e privado. Em PJ, esperamos +1,0% t/t e -3,1% a/a, com maior contribuição das linhas governamentais, enquanto o Agro deve recuar 1,5% t/t (+1,8% a/a), refletindo sazonalidade e maior seletividade na originação.
- Margem Financeira Bruta (NII): Crescimento Acima da Carteira. Estimamos NII de R$ 27,6 bilhões (+0,7% t/t; +10,1% a/a). Após um 1T26 favorecido pela liquidez, esperamos crescimento sequencial mais moderado, ainda pressionado pelo maior volume de operações em Estágio 3, que deixam de reconhecer juros por accrual. Esperamos uma melhora um pouco mais relevante concentrada no segundo semestre.
- Inadimplência: Agro Continua Sendo o Principal Problema. Projetamos inadimplência (90+ dias de atraso) de 5,2% (+0,2 pp t/t; +1,2 pp a/a). Em PF, esperamos alta para 7,0%, pressionada principalmente pela carteira de cartão de crédito; no Agro, para 6,5%, ainda pressionado por médios e grandes produtores; enquanto PJ deve permanecer praticamente estável em 2,9%. A expectativa de novas condições de renegociação (MP 1376) também parece ter postergado pagamentos no segmento rural.
- Custo de Crédito: Estável t/t, Mas Ainda Elevado. Projetamos o custo de crédito de R$ 19,2 bilhões (+1,7% t/t; +20,6% a/a). Esperamos uma mudança na composição desse custo. A perda esperada deve voltar a subir após o efeito pontualmente favorável do 1T26, quando a resolução de uma exposição específica de PJ reduziu a linha de risco de crédito e elevou, em contrapartida, os descontos concedidos. No 2T26, esperamos normalização desses descontos, mantendo o custo de crédito consolidado praticamente estável.
- Receita de Serviços: Poucas Surpresas. Estimamos receitas de serviços de R$ 9,0 bilhões (+1,5% t/t; +2,3% a/a), com menor contribuição de mercado de capitais.
- Despesas Administrativas: Dentro do Guidance, mas com Negociações Salariais a Frente . As despesas administrativas devem atingir R$ 10,3 bilhões (+2,5% t/t; +6,1% a/a), ainda dentro do guidance, embora as negociações salariais possam levar as despesas de pessoal a crescer acima da inflação ao longo do ano.
- Impostos Continuam Ajudando o Lucro. Projetamos aproximadamente R$ 1,1 bilhão de benefício fiscal de IR/CSLL, sustentado pela combinação entre JCP e menor resultado tributável. Esse efeito continua sendo relevante para que o lucro permaneça próximo ao piso do guidance mesmo diante da baixa rentabilidade operacional.
- Capital: Estável. Projetamos Capital Principal de 11,6%, Nível I de 13,6% e Basileia de 14,3%, todos praticamente estáveis na comparação trimestral.


