Esperamos um 2T26 de continuidade para o Bradesco (BBDC4), com crescimento do lucro e da carteira de crédito, embora em um ritmo mais moderado do que nos últimos trimestres. A receita total — composta pela margem financeira bruta (NII), receitas de tarifas, resultado de seguros e outras receitas/despesas operacionais — deve avançar 1,4% t/t (+10,2% a/a), sustentada principalmente pela expansão do NII Clientes (receitas de juros com clientes), enquanto o desempenho de seguros e da tesouraria deve atuar como contraponto. Estimamos lucro líquido recorrente de R$ 6,96 bilhões, alta de 2,1% t/t e 14,7% a/a, representando uma desaceleração frente ao crescimento anual de 16,1% registrado no 1T26. No critério contábil, o lucro deve avançar 38,3% t/t, mas a comparação é impactada pelos efeitos não recorrentes que pressionaram o resultado do trimestre anterior.
Projetamos ROE de 15,5% (+0,13 pp t/t; +1,23 pp a/a), permanecendo acima do custo de capital e em linha com a trajetória de recuperação da rentabilidade defendida pela administração. Embora o trimestre não traga uma mudança de patamar, seguimos vendo uma evolução consistente dos fundamentos, sustentada pelo crescimento da carteira de crédito, expansão das receitas recorrentes e ganhos de eficiência decorrentes da redução da estrutura física e do quadro de pessoal. Mantemos nossa visão de que o Bradesco segue em trajetória de recuperação, com potencial para aproximar seu ROE da faixa de 20% nos próximos anos. Reiteramos nossa recomendação de COMPRA, com preço-alvo de R$ 25,00.
O que muda na margem é a composição. Do lado positivo, o NII com clientes segue crescendo acima da carteira (+3,5% t/t; +13,6% a/a), as despesas administrativas permanecem sob controle e o custo do crédito se estabiliza em 3,5% da carteira. Na direção oposta, o NII de mercado devolve boa parte do ganho do 1T26 — que havia sido inflado por produtos estruturados com uso de derivativos, num ambiente de maior volatilidade, e por ALM —, o resultado de seguros sofre com a sazonalidade pior do 2T na sinistralidade, e o crescimento de crédito desacelera na margem.
Para 2026, a leitura não muda: projetamos lucro líquido recorrente de R$ 28,3 bilhões (+14,8% a/a) e ROE de 15,53% (+0,90 pp a/a), com receita total avançando +10,5% a/a contra despesas administrativas de apenas +4,5% a/a — a alavancagem operacional segue sendo um dos principais motores da recuperação de rentabilidade, com o IEO melhorando 2,13 pp no ano, para 41,89%.
Os principais vetores do trimestre são:
- Carteira de Crédito: Mesma Dinâmica do 1T26, com Desaceleração na Margem. Projetamos carteira ampliada de R$ 1,10 trilhão (+1,1% t/t; +8,2% a/a) e carteira Bacen de R$ 822 bilhões (+1,1% t/t; +9,2% a/a). Os vetores de crescimento são os mesmos do trimestre anterior: PMEs via programas governamentais (FGO, que ganhou incentivos adicionais e é o destaque do trimestre), consignado privado, cartão de alta renda e veículos. Vale a mudança de discurso da companhia sobre a carteira Bacen (com um spread maior que a ampliada): se antes o argumento era de que ela cresceria mais rápido que a expandida, agora o banco condiciona esse ritmo à retomada do atacado.
- NII Clientes: Segue Crescendo Acima da Carteira. Estimamos R$ 20,2 bilhões (+3,5% t/t; +13,6% a/a), novamente à frente da expansão da carteira de crédito (+8,2% a/a), refletindo o mix mais rentável e a realavancagem em curso. É a linha que sustenta a resiliência da receita num cenário macro que piorou na margem.
- NII Mercado: Devolve o Ganho do 1T26. Projetamos R$ 312 milhões (-43,6% t/t; +8,2% a/a). O 1T26 (R$ 553 milhões) veio forte por conta de produtos estruturados com derivativos — beneficiados pela maior volatilidade — e por ALM, contribuição que não deve se repetir. Para o ano, a companhia indica um resultado positivo de R$ 1,0–1,5 bilhão.
- Custo do Crédito: Estabilidade Sequencial, Piora Gradual no Ano. Esperamos uma PDD (provisão de crédito) de R$ 9,6 bilhões (-0,2% t/t; +18,5% a/a), com custo de crédito de 3,5%, estável t/t (+0,30 pp a/a). A inadimplência acima de 90 dias deve subir marginalmente para 4,3% (+0,05 pp t/t; +0,15 pp a/a) — piora sequencial pequena e controlada, com o Bradesco performando melhor que o sistema.
- Tarifas: Comparáveis mais difíceis Compensam o Ganho de Share. Projetamos R$ 10,8 bilhões (+3,8% t/t; +4,4% a/a). Dois vetores se anulam: de um lado, o one-off (acreditamos que seja relacionado o caso de Eldorado) no ano passado torna a base anual mais dura; de outro, DCM (tarifas com dívida) e M&A puxam para cima, com o banco ganhando participação de mercado — ainda que num mercado de capitais mais fraco.
- Despesas: Mesma Toada. Projetamos despesa administrativa total de R$ 15,4 bilhões (+2,7% t/t; +4,0% a/a), com despesa com pessoal em R$ 7,2 bilhões (+2,8% t/t) e outras administrativas em R$ 8,2 bilhões (+2,5% t/t). O IEO fica em 41,88% (+0,58 pp t/t; -1,93 pp a/a). O headcount, hoje em 82 mil, segue em redução, com corte relevante no varejo ao longo de 2026.
- Imposto: Alíquota no Teto da Faixa. Assumimos alíquota efetiva de 19,8% (vs. 20,3% no 1T26), dentro da faixa de 16–21% indicada pela companhia, sustentada por JCP e pelos dividendos da seguradora.
- Capital: Capital em Recomposição. No capital, projetamos Capital Principal de 12,78% (+0,08 pp t/t; +1,69 pp a/a), Tier 1 de 14,66% (+0,14 pp t/t; +1,64 pp a/a) e Basileia de 17,56% (+0,11 pp t/t; +2,05 pp a/a). A variação anual relevante se dá pelo spin-off das operações de saúde que se consolidaram com os ativos da Odontoprev formando a BradSaúde (SAUD3) que liberou capital para o Bradesco. Ademais, projetamos um aumento de 85bps após o aumento de capital anunciado pelo banco com os proventos de JCP declarados e que serão antecipados, sendo incorporado no 3T26.
Prévia 2T26: Continuidade, Sem Mudança de Patamar

Prévia 2026E e 2027E: Continuidade, Sem Mudança de Patamar




