O que Aconteceu?
Tenda postou resultados referentes ao 2T26. Neste relatório trazemos uma analise sobre o trimestre e trazemos recomendação em relação ao papel.
Nossa Recomendação:
A Tenda reportou um 2T26 positivo, ainda que abaixo das nossas estimativas nas linhas finais. A receita líquida veio em R$ 1.290,0 milhões (-0,7% vs. Genial; +30,1% a/a; +8,9% t/t), praticamente cravada, e o lucro bruto ajustado surpreendeu em R$ 481,3 milhões (+4,0% vs. Genial), com margem bruta ajustada de 37,3% no consolidado e recorde histórico de 40,4% no segmento Tenda ex-Pode Entrar. O EBITDA ajustado ficou em R$ 275,2 milhões (-4,8% vs. Genial) e o lucro líquido ex-swap em R$ 161,3 milhões (-14,2% vs. Genial), ainda assim recorde na base recorrente, com altas de 109,3% a/a e 6,0% t/t.
O desvio é integralmente explicado por despesas. O ganho de R$ 18,3 milhões na linha bruta foi mais que consumido por R$ 39,3 milhões de despesas operacionais acima do projetado e por R$ 7,1 milhões de resultado financeiro pior que projetado. A companhia revisou para cima o guidance nas três linhas: EBITDA ajustado do segmento Tenda de R$ 950,0 a R$ 1.050,0 milhões para R$ 1.100,0 a R$ 1.200,0 milhões, vendas líquidas do segmento Tenda de R$ 5,0 a R$ 5,5 bilhões para R$ 5,5 a R$ 6,0 bilhões, e resultado líquido consolidado ex-swap de R$ 520,0 a R$ 600,0 milhões para R$ 600,0 a R$ 660,0 milhões.
Duas leituras nos parecem pouco visíveis à primeira vista. A primeira é que o gap entre margem reportada e margem a apropriar comprimiu de 5,5 p.p. no 2T25 e 3,7 p.p. no 1T26 para 1,9 p.p., sinalizando consolidação do patamar de margem. A segunda é que o ponto médio da nova faixa de EBITDA ajustado implica R$ 566,6 milhões no segundo semestre, contra R$ 583,4 milhões realizados no primeiro, ou seja, estabilização e não aceleração. Vemos como decisão conservadora da empresa, sendo melhor surpreender novamente do que frustrar. Nenhuma das duas contradiz a tese, e ambas apontam para consolidação em patamar elevado como próximo estágio da história.
Reiteramos nossa recomendação de Compra, com preço-alvo de R$ 49,00.
Nossas estimativas x Tenda¹:

Fonte: Tenda, Genial
1. O EBITDA Ajustado, o EBIT Ajustado e o Lucro Líquido Ajustado seguem a metodologia própria da companhia (excluindo efeitos de SWAP e itens não recorrentes) e não têm como objetivo reconciliar, linha a linha, com o lucro líquido reportado. Os números reportados são apresentados apenas para fins de referência.
O que Explicou o Desvio:
O SG&A consolidado somou R$ 203,7 milhões contra os R$ 190 milhões que projetávamos, com o desvio concentrado em G&A. No segmento Tenda, o G&A veio em R$ 91,3 milhões contra nossa estimativa de R$ 76 milhões, e no consolidado em R$ 105,7 milhões contra R$ 97 milhões.
A companhia decompõe o salto: R$ 10,7 milhões de despesa adicional com o bônus de 2025 frente ao provisionado, fruto do melhor atingimento de metas e portanto não recorrente; R$ 3 milhões trimestrais de ajuste na provisão do bônus de 2026, esse recorrente enquanto a performance se mantiver; crescimento do quadro; e o efeito transitório de dois co-CEOs, que deve permanecer até meados de 2027. Ajustando apenas pelo item não recorrente, o G&A do segmento sai de 7,6% para cerca de 6,7% da receita líquida, ante 6,3% no 1T26.
Outras despesas operacionais consolidadas vieram em R$ 30,7 milhões contra R$ 15,3 milhões no 1T26, com demandas judiciais em R$ 22,0 milhões. A companhia atribui a sazonalidade de julgamentos em causas mais relevantes no trimestre. No financeiro, o resultado ex-swap veio em R$ 45,1 milhões negativos contra R$ 38,0 milhões projetados.
Margem Bruta e REF: Recorde com Ressalva da Companhia
A margem bruta ajustada do segmento Tenda ex-Pode Entrar atingiu 40,4% (+1,8 p.p. t/t; +3,9 p.p. a/a) e a margem REF da marca chegou a 42,3%, o maior percentual já reportado.
A REF é o indicador antecedente de margem, dado que o resultado a apropriar de R$ 1.204,4 milhões já está contratado e será reconhecido conforme o avanço de obra. Com a REF em 42,3% e a margem bruta ajustada em 40,4%, o gap de realização comprimiu para 1,9 p.p. A margem reportada praticamente alcançou o teto contratado, de modo que expansão adicional passa a depender de preço, execução e mix, não mais da conversão do backlog.
A administração faz uma ressalva na mesma direção: parte da performance decorre de economias de custo capturadas na fase de entrega e não deve ser extrapolada, com as margens devendo se equilibrar em nível um pouco abaixo do atual. Incorporamos a orientação e mantivemos a margem de longo prazo do modelo.
Mix e Expansão Geográfica:
Do total de vendas do trimestre, 27% foram destinadas ao público de faixa 1, com renda de até R$ 3.200 mensais. A companhia vem deslocando o mix para as faixas 3 e 4 do MCMV por meio da adoção de atributos como piscina, varanda e garden, movimento que sustenta o preço médio de lançamento recorde de R$ 250,3 mil. Como esses projetos só passam a ser reconhecidos de forma relevante a partir de 2027, vemos o mix como vetor de margem de médio prazo. A administração destaca que parte relevante da expansão do semestre veio de praças abertas ou reabertas recentemente, especificamente Goiânia, João Pessoa e Curitiba.
Inadimplência: um Peso para a Tese
A companhia colocou a inadimplência das famílias como principal ponto de atenção, apontando maior risco decorrente do endividamento das famílias de menor renda somado aos juros elevados. A PDD sobre a receita operacional bruta passou de 1,8% no 1S25 para 2,7% no 1S26, movimento que a administração afirma estar integralmente refletido nas provisões. Os indicadores corroboram cautela sem sinalizar deterioração aguda: o índice de cobertura ficou estável em 24,4% e o pró-soluto pós-chaves recuou para 9,9% do valor da unidade, ante 10,2% no 1T26, embora as vencidas tenham avançado 26,4% no trimestre contra 4,6% de crescimento da carteira total. Dada a carteira administrada de R$ 2.962,9 milhões, seguimos vendo o tema a se acompanhar nos próximos trimestres.
Geração de Caixa e Alavancagem:
A geração de caixa total foi de R$ 78,3 milhões, aparentemente próxima dos R$ 86,6 milhões do 1T26. A leitura muda ao depurar o efeito caixa do swap, que somou R$ 59,8 milhões no trimestre contra R$ 4,3 milhões no 1T26. Ex-swap, a geração recua de R$ 82,3 milhões para R$ 18,5 milhões. A companhia aponta o pagamento de bônus, concentrado no segundo trimestre, e a antecipação da compra de formas de alumínio para a jornada 6×1, que consumiu R$ 11 milhões acima do previsto. Como nenhum dos dois se repete, esperamos melhora no segundo semestre. A alavancagem, por outro lado, melhorou, com dívida líquida corporativa sobre patrimônio líquido em 1,9% e dívida bruta recuando 17,4% no trimestre.
Alea:
Consumo de caixa operacional de R$ 14,1 milhões, o menor da série, e margem bruta ajustada de volta ao terreno positivo em 0,5%. A tese segue sendo estabilização e não crescimento, com retomada gradual de Campinas prevista para o segundo semestre.
O que Monitorar:
- Sustentabilidade da margem bruta após a ressalva sobre economias de obra e o gap de realização em 1,9 p.p;
- Geração de caixa ex-swap no 3T26, sem o efeito da rolagem;
- Normalização do G&A após o bônus de 2025 e o patamar de demandas judiciais;
- Trajetória da PDD, do aging da carteira vencida e do TCD;
- Ritmo de recomposição da VSO a partir de julho, sem devolução de preço;
- Nocional e forma de liquidação dos contratos de swap em vigor.

