O Bradesco (BBDC4) reportou um 2T26 praticamente em linha com nossas estimativas e com o consenso de mercado, entregando o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro recorrente. O resultado alcançou R$ 7,05 bilhões (+1,3% vs. Est.; +3,5% t/t; +16,2% a/a), enquanto o ROE avançou para 15,7% (+0,2 pp vs. Est.; +0,4 pp t/t; +1,5 pp a/a), consolidando a trajetória de recuperação iniciada no final de 2023.
Do lado positivo, destacamos a forte expansão da carteira de crédito, que cresceu 4,3% t/t e 11,6% a/a, acima das nossas estimativas, impulsionada pela retomada do atacado. Mais importante do que o crescimento em si foi sua composição, concentrada em linhas com garantias e melhor retorno ajustado ao risco, como capital de giro colateralizado, consignado privado, crédito rural no atacado, TVMs e avais e fianças. A margem financeira também apresentou bom desempenho, sustentada pela expansão dos volumes, melhora de spreads e resultado de tesouraria acima do esperado.
Na direção oposta, a qualidade dos ativos segue como ponto de atenção. A inadimplência acima de 90 dias avançou marginalmente (+0,1pp t/t) para 4,3%, em linha com nossas projeções, enquanto o índice de cobertura recuou para 152,3%. O custo do crédito permaneceu estável em 3,5% da carteira expandida, mas houve maior pressão no segmento massificado, parcialmente compensada por um resultado mais benigno no atacado. A companhia reiterou que os indicadores seguem dentro de suas expectativas, embora tenha reconhecido uma piora do ambiente de risco de crédito no país.
Assim, entendemos que o trimestre reforça a continuidade da recuperação operacional do Bradesco, apoiada pela realavancagem do balanço, crescimento das receitas e ganhos de eficiência. Entretanto, o próximo estágio da tese dependerá da capacidade do banco de transformar a forte expansão da carteira em crescimento da margem líquida do custo de crédito, sem deterioração adicional da qualidade dos ativos.
Reiteramos Nossa Recomendação de COMPRA
Seguimos construtivos com a trajetória de recuperação do Bradesco. O banco continua avançando na realavancagem do balanço, com retomada do crédito corporativo e crescimento seletivo em linhas mais colateralizadas, ao mesmo tempo em que mantém sua agenda de transformação e eficiência. A combinação entre expansão da carteira, melhora das receitas e controle de despesas continua sustentando a recuperação do ROE, que já opera acima do custo de capital.
Apesar da aceleração da margem financeira, ressaltamos que parte desse ganho continua sendo absorvida pela normalização das provisões. Enquanto a margem com clientes cresceu 13,8% a/a, a PDD avançou 22,6%, limitando o crescimento da margem líquida do custo de crédito a 6,2% a/a. Dessa forma, a evolução do crédito — principalmente no massificado — será o principal ponto a ser acompanhado nos próximos trimestres.
A agenda de eficiência também permanece como um vetor importante para a tese. Excluindo a PLR, as despesas de pessoal e administrativas cresceram abaixo da inflação, enquanto os gastos relacionados ao ajuste do footprint continuaram recuando, parcialmente compensados pelos investimentos em tecnologia. Com isso, o índice de eficiência caiu para 46,5%, melhora de 3,4 pp na comparação anual.
No capital, a melhora dos indicadores reduz uma restrição relevante para a continuidade da realavancagem. O Capital Principal encerrou o trimestre em 11,3%, enquanto o banco indicou uma melhora adicional do Capital Principal para 13,6%, considerando o aumento de capital usando o JCP proposto e os efeitos complementares relacionados à BradSaúde.
A reorganização da BradSaúde permanece como uma opcionalidade relevante, com potencial para simplificar a estrutura societária, melhorar a alocação de capital e dar maior visibilidade ao valor do negócio de saúde. Entretanto, ainda dependemos de maior clareza sobre os termos e o cronograma da operação antes de atribuir integralmente esse potencial à tese.
Reiteramos nossa recomendação de COMPRA, com preço-alvo de R$ 25,00, implicando potencial de valorização de 38,5% e dividend yield estimado de 5,9%. Negociando a 6,8x P/L 2026e, 5,9x P/L 2027e e 1,0x P/VP 2026e, entendemos que o Bradesco segue negociando a múltiplos descontados frente ao seu potencial de geração de resultados. A recuperação da rentabilidade ainda está em curso, apoiada pela expansão da carteira de crédito, pela continuidade dos ganhos de eficiência e pela melhora gradual da alocação de capital, o que nos leva a acreditar que o ROE ainda tem espaço para convergir para patamares mais próximos de seu potencial histórico.
Bradesco (BBDC4) | 2T26 Resultado vs Estimativas: Recuperação Avança

Carteira de Crédito | Crescimento acima do esperado
- A carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,137 trilhão (+3,1% vs. Est.; +4,3% t/t; +11,6% a/a), superando com folga nossa projeção. O crescimento foi liderado por Grandes Empresas (+7,8% t/t), seguido por MPMEs (+5,1% t/t) e Pessoa Física (+1,2% t/t).
- A expansão foi concentrada em linhas com garantias e melhor retorno ajustado ao risco, com destaque para crédito rural no atacado, TVMs, avais e fianças, capital de giro colateralizado e consignado privado. A composição reduz parcialmente os riscos associados à forte aceleração da carteira, embora aumente a importância do acompanhamento da qualidade da originação nos próximos trimestres.
NII Clientes | Em linha com o projetado
- A margem financeira com clientes totalizou R$ 20,2 bilhões (+0,1% vs. Est.; +3,6% t/t; +13,8% a/a), praticamente em linha com nossa projeção. O crescimento refletiu o maior volume médio da carteira e a melhora dos spreads, com destaque para a margem de passivos.
- O mix de originação, mais concentrado em produtos colateralizados e de menor risco, limitou parcialmente o avanço da rentabilidade média. Ainda assim, a expansão da linha permanece consistente e sustenta a recuperação das receitas bancárias.
NII Mercado | Acima do esperado
- A margem com o mercado somou R$ 673 milhões (+115,7% vs. Est.; +21,7% t/t; +133,7% a/a), acima dos R$ 312 milhões que projetávamos.
- Segundo o banco, o desempenho refletiu a gestão de ativos e passivos e melhores resultados com derivativos e produtos estruturados para clientes, parcialmente favorecidos pelas oportunidades criadas pelo cenário de mercado.
Custo do Crédito | Acima do esperado, com cobertura em queda
- A despesa de PDD expandida atingiu R$ 9,99 bilhões (+3,5% vs. Est.; +3,3% t/t; +22,6% a/a), enquanto o custo do crédito permaneceu estável em 3,5% da carteira expandida.
- No segmento massificado, o custo do crédito subiu para 5,9%, pressionado principalmente por operações relacionadas a programas emergenciais e pela carteira rural. Em contrapartida, houve menor pressão no atacado.
- A inadimplência acima de 90 dias avançou para 4,4% (+0,2 pp t/t), enquanto o estágio 3 permaneceu estável em 7,5% da carteira expandida. O índice de cobertura recuou para 152,3%, prolongando a tendência de normalização observada nos últimos trimestres.
- Consideramos a dinâmica mista: a inadimplência evoluiu em linha com o esperado e o estágio 3 permaneceu estável, mas a maior pressão no massificado e o menor nível de cobertura reforçam a necessidade de monitoramento no 3T26.
Receitas de Serviços | Abaixo do esperado
- As receitas de prestação de serviços somaram R$ 10,49 bilhões (-2,6% vs. Est.; +1,1% t/t; +1,7% a/a), abaixo de nossa projeção.
- O resultado foi pressionado por menores receitas com mercado de capitais, assessoria financeira e operações de crédito, parcialmente compensadas por administração de fundos, custódia, corretagem, cartões e consórcios.
- No primeiro semestre, a linha cresceu 3,9% a/a, dentro do guidance de 3% a 5% para o ano.
Seguros | Resultado consistente e sinistralidade controlada
- O resultado das operações de seguros, previdência e capitalização alcançou R$ 6,12 bilhões (+0,2% vs. Est.; -4,2% t/t; +8,3% a/a), praticamente em linha com nossas estimativas.
- O Grupo Segurador reportou lucro líquido recorrente de R$ 2,9 bilhões (+28,3% a/a) e ROAE de 22,8%, sustentado por sinistralidade controlada, crescimento comercial e resultado financeiro favorecido pela expansão da base de ativos e pelos indexadores.
Despesas | Em linha, com continuidade dos ganhos de eficiência
- As despesas administrativas totalizaram R$ 15,41 bilhões (+0,2% vs. Est.; +2,9% t/t; +4,2% a/a), praticamente em linha com nossa estimativa.
- A alta sequencial refletiu maiores investimentos em tecnologia, parcialmente compensados pela redução das despesas associadas ao ajuste do footprint. Excluindo a PLR, as despesas de pessoal e administrativas cresceram abaixo da inflação.
- O índice de eficiência encerrou o trimestre em 46,5%, melhora de 0,4 p.p. t/t e de 3,4 p.p. a/a, reforçando que a recuperação não depende apenas da expansão da carteira, mas também da transformação estrutural do banco.
Impostos | Alíquota abaixo do esperado
- A alíquota efetiva ficou em 19,4%, abaixo dos 19,8% projetados e dos 20,3% registrados no 1T26. A despesa de impostos totalizou R$ 1,73 bilhão (-0,5% vs. Est.; -1,5% t/t; +5,9% a/a).
- A destinação de R$ 4 bilhões em JCP no trimestre contribuiu para manter a alíquota na metade inferior da faixa esperada.
Capital | Forte reforço sequencial
- O Capital Principal encerrou o trimestre em 11,3%, avanço de 1,1 pp t/t, enquanto o Capital de Nível 1 atingiu 12,8% e o Índice de Basileia, 15,5%.
- A melhora veio principalmente da redução dos ajustes prudenciais, parcialmente compensada pelo crescimento de 3,6% dos ativos ponderados pelo risco. Considerando a proposta de aumento de capital de até R$ 10 bilhões e o efeito complementar da BradSaúde, o banco indica um Capital Principal de 13,6%.
- A evolução reduz uma restrição relevante para a continuidade da realavancagem, embora o crescimento da carteira continue exigindo disciplina na gestão do capital.
Principais Destaques
Pontos positivos
- Décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro recorrente e melhora da rentabilidade;
- Carteira de crédito bem acima das expectativas, liderada pelo atacado;
- Crescimento concentrado em linhas com maior nível de garantias;
- Margem financeira total acima do esperado, com boa contribuição da tesouraria;
- Despesas controladas e continuidade da melhora do índice de eficiência;
- Forte reforço dos índices de capital;
- Seguros mantendo contribuição relevante para o resultado.
Pontos de atenção
- PDD acima das nossas estimativas;
- Aumento do custo de crédito no segmento massificado;
- Nova redução do índice de cobertura;
- Receitas de serviços abaixo do esperado;
- Forte crescimento da carteira aumenta a importância do monitoramento da qualidade da originação.


