Nossa visão
Visão construtiva para a tese de PRIO após a teleconferência do 2T26, seguindo com recomendação de MANTER. O tom do management foi positivo e, mais importante do que os números do trimestre, a companhia reforçou uma agenda clara de destravamento de valor para os próximos trimestres:
i) sustentação da produção próxima de 200 mil boepd; ii) comportamento do reservatório de Wahoo e eventual decisão sobre aceleração; iii) conclusão do Gas Import Project em Peregrino; iv) evolução do Opex e lifting cost de Peregrino; v) closing dos 20% remanescentes de Peregrino; vi) avanço da campanha de Frade; vii) progresso de Arapuçá; viii) início da preparação para a campanha de Albacora Leste em 2027; ix) aceleração das recompras; e x) aprovação da política de remuneração ao acionista.
Na nossa visão, a teleconferência reforçou que a PRIO está migrando de uma fase de execução intensiva de projetos para uma etapa de maior geração de caixa e potencial retorno ao acionista. O management foi explícito ao afirmar que “agora vem a geração de caixa”, uma vez que a maior parte do Capex de Wahoo já ficou para trás e a produção do ativo já entrou no portfólio. Ao mesmo tempo, a companhia manteve disciplina ao evitar elevar formalmente o guidance de produção, ainda que tenha reconhecido que está levemente à frente do cronograma e que uma produção acima de 200 mil boepd em algum momento de 2026 parece factível.
Principais pontos discutidos
I) Produção: 200 mil boepd segue como referência, mas há upside potencial
A PRIO encerrou o 2T26 com produção recorde de 172 mil boepd e vendas recordes de 15 milhões de barris no trimestre. O management afirmou que a produção média anual deve ficar próxima de 200 mil boepd, mas reconheceu que a companhia está “um pouco à frente do cronograma”. A administração foi questionada sobre a possibilidade de encerrar o ano acima de 200 mil boepd, considerando o patamar de 173 mil boepd em abril, a entrada incremental de Wahoo, os 20% remanescentes de Peregrino, Frade e Arapuçá. A resposta foi cautelosa: há declínio natural nos ativos, mas a referência de 200 mil boepd permanece como a melhor métrica de acompanhamento. Ainda assim, o management indicou que Wahoo, Frade, Albacora Leste e Arapuçá podem ajudar a sustentar ou até alongar o plateau de produção.
Nossa Opinião: Em nossa visão, esse é um ponto relevante para a tese. A PRIO não está vendendo um guidance agressivo – na realidade usamos números muito parecidos em nossa estimativas. O destravamento de valor, portanto, deve vir menos de uma revisão formal de guidance e mais da comprovação mensal de que a companhia consegue sustentar produção próxima ou acima de 200 mil boepd com lifting cost baixo.
II) Wahoo: projeto entregue, quarto poço conectado e foco agora em reservatório
Wahoo foi um dos principais temas do call. A companhia destacou que o projeto foi concluído com os quatro poços produtores conectados ao FPSO de Frade, após a conexão do quarto poço em junho. O campo produziu média de 41 mil bpde no trimestre, incluindo um período parcial sem o quarto poço e com parada para reparo na linha de gas lift. A companhia indicou que o campo pode produzir em torno de 40/45 mil bpd, mas manteve postura conservadora em relação à aceleração. O management afirmou que ainda está estudando o reservatório e prefere não produzir acima desse nível enquanto não tiver maior segurança sobre volume recuperável, fator de recuperação e necessidade de injeção de água.
Nossa Opinião: Esse comentário é importante porque mostra que Wahoo ainda pode conter opcionalidade. A companhia reconheceu que os poços vieram mais produtivos do que o esperado, mas não necessariamente que o reservatório seja maior. Ou seja, a produtividade dos poços foi melhor, mas a decisão de produzir mais depende de confirmação técnica. Na nossa visão, o upside de Wahoo está menos na entrada do 4º poço (já concluída) e mais na evolução do entendimento do reservatório nos próximos meses. Se a PRIO concluir que pode acelerar a produção sem comprometer recuperação, há espaço para revisão positiva da curva (a ser reconhecido em sua certificação anual de reservas). Caso contrário, o ativo ainda assim cumpre papel relevante ao sustentar produção de baixo custo e alto retorno.
III) Peregrino: custo abaixo do esperado e novo patamar operacional
Peregrino voltou a ser um dos principais vetores de valor da tese. A companhia destacou que o campo produziu média de 74,5 mil bpd no 2T26, apesar de ainda estar abaixo do potencial em razão de workovers e falhas em poços. Desde o fim de maio, a produção vem se mantendo acima de 100 mil bpd, nível considerado relevante para sustentar o novo patamar consolidado da PRIO.
O ponto mais importante foi o custo. Segundo o management, o Opex anualizado de Peregrino quando a PRIO assumiu o ativo era de aproximadamente US$530 milhões. Na teleconferência, a companhia afirmou que já reduziu esse patamar para cerca de US$260 milhões, bem abaixo da meta inicial de US$300 milhões e também abaixo do plano de negócios original, que mirava algo próximo de US$280–290 milhões.
Ainda há espaço adicional de redução. A companhia citou a linha de importação de gás, que deve reduzir consumo de diesel, otimizar o uso de gás entre as plataformas e enriquecer o óleo da plataforma C antes do envio ao FPSO. O management estimou que o campo deve passar a operar com custo ainda menor após a conclusão desse projeto, com impacto direto no lifting cost consolidado.
IV) Gas Import Project: queda adicional de lifting cost em Peregrino
O projeto de importação de gás de Peregrino foi tratado como um dos principais eventos operacionais de curto prazo. A companhia informou que está na fase final de comissionamento e que o início da operação deve ocorrer em breve. O projeto permitirá substituir diesel por gás para geração de energia no campo, reduzindo custos e emissões.
A administração afirmou que, com a entrada do gasoduto, a referência de lifting cost de Peregrino pode cair para algo próximo de US$7–8/bbl. Como a companhia já encerrou o 2T26 com lifting cost consolidado de US$8,9/bbl, a contribuição adicional de Peregrino pode ajudar a manter o custo unitário em patamar estruturalmente mais baixo.
V) Lifting cost: patamar de US$7–8/bbl é possível, mas sem guidance formal
A PRIO reportou lifting cost de US$8,9/bbl no 2T26, abaixo dos US$9,4/bbl do 1T26. Durante o call, a administração afirmou que espera manter o custo ao redor de US$7–8/bbl, mas evitou transformar esse patamar em guidance formal. A mensagem foi que o custo deve continuar baixo, sustentado por escala, Wahoo, redução de custos em Peregrino e maior eficiência operacional..
VI) Isolado: resultado abaixo do esperado, mas ainda há leitura construtiva
O “Isolado” em Peregrino também foi discutido. A companhia informou que o resultado do poço A-15 ficou abaixo da expectativa inicial. Havia uma expectativa de produção próxima de 100 mil bpd para o reservatório, mas a leitura atual ficou mais próxima de 97 mil bpd. Ainda assim, o management ressaltou que o resultado não foi ruim, apenas inferior ao que a companhia gostaria, e que a área segue como parte relevante do plano de desenvolvimento.
A leitura da administração é que Peregrino continua sendo um campo de grande escala, com muito trabalho de perfuração, workovers e gestão de reservatório. O Isolado não foi apresentado como um grande gatilho imediato de reavaliação, mas como uma oportunidade que ainda precisa ser melhor entendida.
VII) Closing dos 20% remanescentes de Peregrino previsto para outubro/novembro
A companhia reforçou que espera concluir a aquisição dos 20% remanescentes de Peregrino entre outubro e novembro de 2026. O management foi cauteloso ao não cravar uma data, mas indicou que outubro é possível e novembro parece uma referência mais realista.
Esse closing é um gatilho relevante para a tese. A consolidação adicional aumenta a exposição econômica da PRIO a um ativo que já está sendo otimizado e que vem operando acima de 100 mil bpd desde o fim de maio. Além disso, quanto maior a participação no ativo, maior a captura das sinergias operacionais e da redução de custos já implementada.
VIII) Indenização de Peregrino e arbitragem com Equinor: valor potencialmente relevante, mas ainda incerto
A PRIO foi questionada sobre a indenização relacionada à parada de Peregrino e possíveis impactos no valor final de closing. O management indicou que o tema segue sem acordo e pode caminhar para arbitragem. A companhia não deu guidance sobre valores, mas afirmou que a discussão permanece em aberto e que qualquer desfecho relevante será comunicado ao mercado.
IX) Frade: produção incremental pode vir ainda em 2026
Frade ganhou importância na teleconferência. A PRIO recebeu autorização para perfurar novos poços no ativo e indicou que pretende perfurar dois poços adicionais no campo ainda em 2026. A expectativa é adicionar algo entre 4 mil e 5 mil bpd, possivelmente ainda neste ano.
A administração também destacou que a produção de Frade deve ficar próxima de 30 mil bpd, mas que, com os poços adicionais e maior eficiência da recuperação secundária, o campo pode seguir contribuindo para o plateau consolidado. O ativo também se beneficia da infraestrutura já existente, o que reduz a intensidade de capital e melhora a atratividade econômica dos poços incrementais.
X) Albacora Leste: eficiência operacional finalmente mais próxima do padrão PRIO
A companhia reforçou que Albacora Leste apresentou forte melhora operacional. O ativo atingiu eficiência de 95,4% em junho e vem mantendo patamar mais consistente desde o 1T26. A administração indicou que problemas anteriores em topside, compressor, geração de energia e sistemas críticos vêm sendo resolvidos de forma gradual. O management afirmou que acredita que “todos os problemas foram finalmente endereçados” em Albacora Leste. A companhia também indicou que pretende iniciar a campanha de perfuração do ativo no 1T27, após a conclusão das etapas de licenciamento e preparação. O plano considera sete poços em águas profundas e cinco poços em águas rasas, com Capex por poço estimado entre US$70 milhões e US$80 milhões nos poços de águas profundas e entre US$20 milhões e US$25 milhões nos poços rasos de Arapuçá.
Esse é um ponto relevante para a tese. Albacora Leste foi um ativo que gerou frustração operacional em períodos anteriores, mas o call sugere que o campo pode estar entrando em uma fase de maior confiabilidade. Caso a eficiência se mantenha elevada e a campanha de perfuração avance em 2027, o ativo pode deixar de ser um risco operacional e voltar a ser uma fonte relevante de crescimento.
XI) Arapuçá: possível início de produção na virada do ano
Arapuçá também foi discutido como projeto de curto prazo. A companhia pretende lançar a linha em breve, aproveitando a embarcação Amazon, que já foi utilizada em Wahoo e no gasoduto de Peregrino. A expectativa é que o ativo possa iniciar produção na virada do ano, condicionado às autorizações de IBAMA e ANP.
XII) Capex: 2026 concentrado em projetos de alto retorno; 2027 deve ser mais normalizado
A PRIO indicou que o Capex de 2026 deve ficar em torno de US$600 milhões, sendo parte relevante já executada no primeiro semestre. A companhia explicou que antecipou investimentos em Wahoo, Frade, Arapuçá e no projeto de gás de Peregrino, aproveitando janelas operacionais e disponibilidade de embarcações.
Para 2027, a administração indicou uma referência próxima de US$450–500 milhões. Esse valor considera uma campanha de perfuração mais recorrente, manutenção e investimentos associados a Peregrino. A mensagem mais relevante é que o Capex tende a cair em relação ao período de execução mais intensa de Wahoo, o que deve favorecer a conversão de EBITDA em fluxo de caixa livre. Consideramos um investimento de R$4,4 bilhões para 2027 em nossas estimativas – (c. US$800 milhões). Ou seja: nossas estimativas de fluxo de caixa muito possivelmente estão subestimadas em relação aos guidance de investimento feito pela empresa.
XIII) Recompras: programa deve acelerar no 2S26
A administração foi bastante clara sobre recompras. A PRIO comprou US$71 milhões em ações no trimestre e afirmou que pretende acelerar o programa no segundo semestre, em especial porque a maior parte do Capex de Wahoo já ficou para trás e a geração de caixa deve aumentar.
O management voltou a enfatizar que as recompras serão feitas de forma disciplinada, sem tentar manipular preço de mercado. A decisão depende de valuation, preço da ação, liquidez e oportunidades alternativas de alocação de capital. Ainda assim, a companhia indicou que, no preço atual, segue vendo recompra como uma alocação atrativa.
XIV) Política de dividendos: aprovação adiada, mas desenho continua em discussão
A PRIO afirmou que já discutiu a política de remuneração com o Conselho, mas decidiu aguardar um pouco antes de aprová-la formalmente, dado o ambiente macroeconômico e geopolítico volátil. O management ressaltou que o objetivo é criar uma política transparente, combinando dividendos, recompras, Brent médio e alavancagem.A companhia indicou que, em um cenário de Brent a US$80/bbl, poderia operar com alavancagem líquida ao redor de 0,5x EBITDA; em um cenário de Brent a US$60/bbl, a referência seria algo próximo de 1,0x. O objetivo da política é dar previsibilidade ao investidor sobre o que esperar em termos de dividendos e recompras, sem comprometer a flexibilidade financeira da companhia.
A administração também explicou que não quer divulgar uma política e alterá-la em seguida. Por isso, prefere esperar um ambiente menos volátil antes de formalizar o documento. Na nossa visão, esse adiamento não muda a tese. Pelo contrário, reforça que a empresa pretende estruturar uma política perene e consistente, e não uma resposta tática ao momento atual do Brent.
XV) Desalavancagem: 1,5x no 2T26 e trajetória para níveis inferiores
A companhia encerrou o trimestre com alavancagem de 1,5x dívida líquida/EBITDA, abaixo dos 2,0x do trimestre anterior. A administração destacou que a desalavancagem foi mais rápida do que o inicialmente esperado, impulsionada por geração de caixa, Brent elevado, maior produção e lifting cost baixo. A PRIO manteve como referência chegar a 1,0x ao fim de 2027 em cenário de Brent a US$60/bbl, mas indicou que, no ambiente atual, a alavancagem pode cair para níveis inferiores. O management citou que, caso os preços do petróleo permaneçam próximos dos patamares atuais, a empresa poderia chegar a algo como 0,8x até o fim de 2027 (em linha com as nossas estimativas).
XVI) M&A: mercado ainda pouco atrativo, mas pode mudar com o cenário geopolítico
A companhia manteve o discurso de que M&A segue no DNA da PRIO, mas indicou que, no momento, o mercado não parece particularmente atrativo. Segundo o management, preços de ativos ainda não refletem necessariamente as mudanças recentes do mercado de petróleo, e grandes companhias asiáticas podem se tornar mais competitivas em processos de aquisição, especialmente se passarem a valorizar mais segurança energética após os choques no Oriente Médio.
Ainda assim, a administração reforçou que continuará analisando oportunidades no Brasil e no exterior. A companhia também mencionou que ativos menores tendem a ser menos competitivos, enquanto grandes ativos podem atrair players estratégicos com custo de capital mais baixo ou objetivos de segurança energética.

