O Itaú (ITUB4) reportou um 2T26 em linha com nossas estimativas e com o consenso, entregando lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões (+1,0% t/t; +7,8% a/a), praticamente em linha com nossa projeção de R$ 12,3 bilhões (+0,6% vs. Est.). A margem financeira com clientes veio ligeiramente melhor que o esperado, sustentada pelo crescimento da carteira de crédito, pelo efeito calendário e pelo melhor desempenho das operações estruturadas no atacado, compensando receitas de serviços e seguros abaixo do esperado. O ROE recorrente permaneceu em um elevado patamar de 24,3% (-0,5 pp t/t; +1,0 pp a/a), acima dos 24,1% que projetávamos.
O principal anúncio do trimestre foi a revisão para baixo do guidance de crescimento receitas de serviços e seguros, agora esperado entre 2% e 5% em 2026, ante 5% a 9% anteriormente. Apesar da revisão, não vemos impacto relevante para nossa projeção de lucro. Seguimos esperando que a expansão da margem financeira com clientes, apoiada pela maior contribuição das operações estruturadas (quase-equity), cuja concentração permanece esperada para o 4T26, aliada a uma alíquota efetiva mais próxima do piso do guidance, compense a menor contribuição das receitas de serviços e sustente um lucro próximo de R$ 51,4 bilhões em 2026.
A qualidade dos ativos permanece como um dos principais diferenciais do Itaú. A carteira de crédito cresceu 2,7% t/t e 9,6% a/a, enquanto a inadimplência consolidada permaneceu estável em 1,9%, sustentando um ROE recorrente de 24,3%, amplamente superior ao dos pares.
O trimestre confirmou a tese de composição em transição, mais do que de mudança de patamar — mas com os sinais trocados em relação ao que projetávamos. Do lado positivo, a margem financeira com clientes retomou o crescimento com mais força do que esperávamos (+3,3% t/t contra os +2,4% projetados) e o custo do crédito veio praticamente idêntico à nossa estimativa (-0,3% vs. Est.). As despesas não decorrentes de juros também vieram sob controle como projetávamos (-0,4% vs. Est.). Na direção oposta, as receitas de serviços seguiram fracas e ficaram abaixo do estimado — desta vez com consequência formal: o banco cortou o guidance da linha.
Reiteramos Nossa Recomendação de COMPRA
O resultado reforça nossa visão de que o Itaú continua entregando um nível de rentabilidade difícil de replicar entre os bancos incumbentes. O corte do guidance de receitas de serviços e seguros explica a leitura mais morna do trimestre, mas não altera nossa tese de investimento. Já esperávamos que essa linha rodasse próxima ao piso do guidance anterior, de modo que a revisão apenas formaliza um cenário que já incorporávamos em nossas projeções.
Seguimos projetando lucro líquido de R$ 51,4 bilhões em 2026, sustentado pela expansão da carteira de crédito, pela continuidade do crescimento da margem financeira com clientes e pela agenda de eficiência operacional. Em nossa visão, a otimização da estrutura física e do quadro de funcionários ainda está longe de se esgotar. Como iniciativas dessa natureza normalmente demandam alguns anos para serem plenamente implementadas e capturadas nas despesas, esperamos que continuem sustentando ganhos de produtividade ao longo dos próximos dois a três anos. Além disso, esperamos uma maior contribuição das operações estruturadas (quase-equity), concentradas principalmente no 4T26, bem como uma alíquota efetiva próxima ao piso do guidance, fatores que devem compensar a menor contribuição das receitas de serviços.
Além dos ganhos de eficiência, o Itaú continua avançando na estratégia de digitalização do varejo por meio do SuperApp, aumentando a penetração da plataforma e ampliando o potencial de cross-selling, personalização da oferta de produtos e redução do time-to-market. O principal ponto de atenção segue sendo a alíquota efetiva, que encerrou o trimestre em 28,3%, abaixo da faixa indicativa de 29,5% a 32,5%, devendo convergir gradualmente para o piso desse intervalo.
Reiteramos nossa recomendação de COMPRA, com preço-alvo de R$ 53,00, o que implica um upside de 25,9%, além de um dividend yield estimado de 7,6%, um dos mais atrativos entre os grandes bancos brasileiros. Enxergamos o Itaú como a melhor combinação entre crescimento e geração de caixa do setor bancário brasileiro, com expectativa de expansão do lucro próxima de 10% ao ano, aliada a um payout de aproximadamente 70%, proporcionando uma remuneração bastante atrativa aos acionistas. Atualmente, o papel negocia a 9,3x P/L 2026e e 7,8x P/L 2027e, além de 2,24x P/VP 2026e, patamares que consideramos atrativos diante de um banco capaz de sustentar um ROE superior a 20% ao longo do ciclo. Nosso preço-alvo é baseado em um ROE sustentável de 22,0% e um custo de capital (Ke) de 14,37%.
Resultado 2T26: Estável e Saudável

Os principais destaques do trimestre foram:
Carteira de Crédito: Crescimento Acima do Esperado. A carteira ampliada alcançou R$ 1,52 trilhão (+1,7% vs. Est.; +2,7% t/t; +9,6% a/a), acima da nossa projeção. O crescimento foi liderado por Grandes Empresas (+4,4% t/t), enquanto MPMEs avançaram 1,5% t/t e Pessoa Física cresceu 1,6% t/t, impulsionada pelo crédito imobiliário e pelo consignado, especialmente o consignado privado.
NII Clientes: Retomada Acima do Esperado. As receitas de juros com clientes somaram R$ 32,6 bilhões (+1,0% vs. Est.; +3,3% t/t; +5,1% a/a), acima dos R$ 32,2 bilhões projetados. O desempenho refletiu o crescimento da margem sensível a spreads, impulsionado pelo maior volume médio de ativos, efeito calendário e maior receita com operações estruturadas no atacado, além do melhor resultado do capital de giro próprio.
NII Mercado: Acima do Esperado. O ganho de tesouraria somou R$ 931 milhões (+13,5% vs. Est.; +13,6% t/t; +8,6% a/a), acima dos R$ 820 milhões projetados. O desempenho refletiu o maior resultado da mesa banking, parcialmente compensado pela menor contribuição da mesa trading.
Custo do Crédito: Cresceu em Linha com a Carteira, Como Esperado. O custo do crédito somou R$ 10,1 bilhões (-0,3% vs. Est.; +1,9% t/t; +7,4% a/a). A inadimplência de Pessoa Física subiu 0,1 pp no NPL 90 no Brasil. Em MPMEs houve alta de 0,1 pp, ligada à normalização do indicador após o fim das carências dos programas governamentais. Já a exposição a Grandes Empresas seguiu com provisionamento robusto, sem eventos específicos reportados. O índice de inadimplência consolidado ficou estável em 1,9%. No programa Desenrola, voltado a pessoas físicas, cerca de R$ 1,1 bilhão foi renegociado até o fechamento do trimestre, entre carteira ativa e créditos já baixados para prejuízo, com mais de 300 mil clientes aderindo. Após renegociações e descontos, o saldo remanescente desse programa ficou em apenas R$ 275 milhões, com impacto pequeno tanto nos indicadores de qualidade de crédito quanto no custo do crédito.
Receitas com Serviços e Seguros: Abaixo do Esperado. A linha somou R$ 14,1 bilhões (-3,4% vs. Est.; +0,4% t/t; +3,6% a/a), abaixo dos R$ 14,6 bilhões projetados. As receitas de serviços totalizaram R$ 11,0 bilhões (-2,8% vs. Est.; +0,3% t/t; +2,3% a/a), pressionadas por menores receitas de corretagem e pela redução das tarifas de conta corrente, parcialmente compensadas pelas taxas de performance de fundos. Já o resultado de seguros atingiu R$ 3,1 bilhões (-5,5% vs. Est.; +0,9% t/t; +8,7% a/a), também abaixo da nossa estimativa, apesar do avanço dos prêmios ganhos e da menor sinistralidade.
Despesas Não Decorrentes de Juros: Em Linha. As despesas totalizaram R$ 16,7 bilhões (-0,4% vs. Est.; +3,3% t/t; +3,1% a/a), praticamente em linha com nossa estimativa e convergindo para o ponto médio do guidance. A alta sequencial refletiu a sazonalidade do 1T, maiores despesas com participação nos resultados, provisão de férias, tecnologia e despesas transacionais. O índice de eficiência encerrou o trimestre em 37,4% (+0,3 pp t/t).
Imposto: Alíquota Abaixo do Esperado. A alíquota efetiva ficou em 28,3%, abaixo dos 29,5% projetados e praticamente estável em relação ao 1T26 (28,2%). Com isso, a despesa de imposto somou R$ 5,0 bilhões (-4,7% vs. Est.; +2,1% t/t; -2,5% a/a), com a alíquota permanecendo abaixo do piso do guidance da companhia.
Capital: Reforço Sequencial, Com Folga Confortável. O Índice de Capital Principal encerrou o trimestreem 12,3% (+0,1 pp vs. Est.; +0,3 pp t/t; -0,8 pp a/a). O ganho de 0,8 pp vindo do lucro do trimestre foi parcialmente consumido pelo pagamento de dividendos e JCP (-0,3 pp) e pelo crescimento do RWA (-0,1 pp), concentrado em risco de crédito e atenuado pela redução na parcela de risco de mercado. O Índice de Basileia subiu 0,6 pp t/t, para 15,4%, com contribuição adicional da emissão de dívidas subordinadas perpétuas, enquanto o Capital de Nível 1 ficou em 14,0% (+0,3 pp vs. Est.; +0,6 pp t/t; -1,0 pp a/a)


