P: O que esperar do consolidado no 2T26?
R: Antevemos recuperação sequencial ampla, ainda que insuficiente para reverter a comparação anual. Projetamos receita líquida de US$22,7b Est. (+5,0% t/t; +8,1% a/a) e EBITDA Ajustado de US$1,4b Est. (+23,6% t/t; −20,1% a/a), com margem de 6,2% Est. (ante 5,2% no 1T26 e 8,4% no 2T25). O traço que nos parece distintivo é a amplitude: quatro das seis unidades devem ampliar rentabilidade, e a melhora concentra-se justamente onde o 1T26 fora mais penalizado — Beef North America e Austrália. Na base USGAAP, reportada em paralelo, estimamos US$1,19b Est. Nossa projeção situa-se ~1,5% aquém do consenso de EBITDA e ~0,9% aquém em receita, aderência que reputamos elevada para um trimestre de tamanha dispersão entre as praças. A companhia reporta em 10-ago.
P: O Beef North America enfim melhora?
R: Acreditamos que sim, ainda que em terreno negativo: estimamos margem de −1,6% Est. (ante −3,7% no 1T26 e −3,4% no 2T25), ou −US$114m Est. sobre receita de US$7,2b Est. Convém explicitar a ponte, porque o mercado não ajuda — o gado (KS Steer) avançou ~6% t/t contra ~5% do cutout, comprimindo a razão cutout/gado para 1,54, o menor patamar da série que acompanhamos. A melhora é, portanto, integralmente idiossincrática e repousa em três vetores: (i) a não repetição de jan/fev, período que a administração qualificou como um dos mais desafiadores de sua história; (ii) a redução de volume em Southerton, unidade deficitária cujo encerramento está previsto para meados de agosto; e (iii) a consolidação das divisões comerciais Fed e Regional. Recordamos que a companhia sinalizou mercado 1,0–1,5p.p. pior em 2026 vis-à-vis 2025; nossa margem anual de −2,2% Est. embute a JBS sobrepujando o setor em 0,3–0,8p.p. em razão dessas iniciativas.
P: A Austrália repete o trimestre fraco?
R: Cremos que não. Projetamos margem de 9,3% Est. (ante 6,2% no 1T26), com EBITDA de US$224m Est. sobre receita de US$2,4b Est. Os fundamentos operacionais nos parecem os mais favoráveis do portfólio: o abate (NLRS) avançou ~13% t/t, ao passo que o indicador de novilho pesado recuou ~3% e o 90CL manteve-se estável — combinação que alia diluição de custo fixo a alargamento de spread. A administração descreveu as condições climáticas em Queensland, sua principal praça, como as melhores dos últimos três anos. Ponderamos, de outro lado, que as exportações australianas cederam ~12% t/t e que o câmbio segue adverso, razão pela qual acomodamos a margem aquém do que os fundamentos isoladamente indicam.
P: E a Pilgrim’s Pride, que reporta antes?
R: A PPC divulga em 29-jul, antecedendo a JBS. Estimamos EBITDA de US$345m Est. (USGAAP), margem de 7,5% Est., contra consenso de ~US$364m. Julgamos que o 1T26 carregou eventos que a própria companhia deu por encerrados — a conversão de Russellville, paradas programadas no Big Bird e tempestades de inverno. A evidência de que foram transitórios reside no 4T25, quando a PPC entregou 9,2% de margem com o peito a 114,7c/lb, contra 6,8% no 1T26 com o peito a 142,1c/lb. No 2T26 o peito avança ~8% t/t, para 153,2c/lb, e a oferta segue contida (egg sets e alojamento de pintainhos ~+1% t/t). Em contrapartida, a asa recuou ~19% t/t, o que onera o small bird. Na base IFRS, que consolida na JBS, estimamos US$479m Est., margem de 10,4% Est.
P: Brasil e Seara caminham em direções opostas, por quê?
R: Sim, e por razões que nos parecem bem delimitadas. Em JBS Brasil, projetamos margem de 5,8% Est. (ante 4,4% no 1T26) e EBITDA de US$249m Est.: o boi CEPEA subiu 5% t/t, mas o preço no mercado interno avançou ~7% e o realizado em exportação ~13% em USD, com volume exportado ~13% maior — o repasse sobrepuja o custo. Em Seara, estimamos margem de 13,6% Est. (ante 15,5%) e EBITDA de US$340m Est. O frango isoladamente indicaria expansão: abate ~3% menor, preço de exportação +5% t/t, custo Embrapa estável e índice de ração ~2% menor. Quem determina a compressão é o suíno doméstico, cujo preço recuou ~19% t/t (−30% a/a) e cuja margem de produção cedeu ~44%. É, a nosso ver, o vetor menos compreendido do trimestre.
P: Por que mantemos COMPRAR?
R: A JBS negocia a 5,7x EV/EBITDA 12M forward, ~18% de desconto ante a média dos pares (7,0x) — desconto que, contudo, coincide com sua própria média histórica de dois anos (−19%). A assimetria, portanto, não reside no múltiplo de EBITDA: reside no lucro. A ação negocia a 9,2x P/L forward, −60% ante os pares, contra desconto histórico de −44% (−1,2 desvio-padrão), e a 1,5x P/VP, −19% ante −1% historicamente. O mercado precifica a alavancagem operacional negativa do ciclo bovino norte-americano como se fosse permanente. Nossa leitura é que 2026 marca o vale — a margem consolidada deve recuar para 6,1% Est. (de 7,9% em 2025) e recompor-se a partir de 2028, quando o rebanho norte-americano ingressa na fase de reposição. Nesse particular, o anúncio do USDA em 24-jul reforça nossa leitura: a retomada faseada das importações de gado mexicano (Douglas, 24-ago; Columbus, 14-set; Santa Teresa, 21-set), restrita a Sonora e Chihuahua, devolve ~1m de cabeças/ano (~3,4% do abate norte-americano). Por tratar-se de gado de reposição, o alívio alcança o abate apenas no 1T27; nossa margem de −3,0% Est. para 2027 não o incorpora, e o papel reagiu com alta de ~9% na sessão de 27-jul. Aos múltiplos históricos de P/L e P/VP, o preço implícito situa-se em US$16,95 e US$14,88; mantemos COMPRAR com preço-alvo 12M de R$95,50 (US$18,50), upside de ~52%.
Há, ademais, um vetor de reclassificação que reputamos subapreciado — e que a própria companhia quantifica. O dual listing de jun/25 já entregou parte do que prometia: o ADTV saltou de US$34m para US$100m (+191%) e a base norte-americana passou de 49% para 76% dos acionistas. O que não veio foi o dinheiro passivo, a fatia de fundos passivos recuou de 50% para 41%, precisamente pela ausência dos índices relevantes; Tyson e Hormel compõem o S&P, a JBS não. A assimetria que a companhia calcula é expressiva: investidores expostos a proteína global alocam, em média, 6x mais em listadas nos EUA do que nas listadas no Brasil, razão que sobe para 9x quando se consideram apenas os passivos, e fundos de índice respondem por 59% da exposição a proteína norte-americana vs. 41% na brasileira. Em 26-jun a FTSE Russell confirmou a entrada da JBS no Russell 3000, e a partir deste trimestre a companhia arquiva voluntariamente os Forms junto à SEC, ampliando a elegibilidade à família S&P Composite 1500, o domicílio holandês permanece como obstáculo e o caminho natural passa antes pelo Russell 1000. Não é tese de curto prazo, mas é o mecanismo pelo qual o desconto deixa de ser estrutural.



