Sobre o que é Este Relatório?
A ALLOS divulgará seus resultados do 2T26 em 6 de agosto de 2026. Neste relatório, apresentamos nossa análise e destacamos os principais pontos de atenção para o trimestre.
Nossa Visão:
Esperamos mais um trimestre operacionalmente sólido da ALLOS, embora a comparação de lucro líquido deva ser afetada por itens não recorrentes na base de comparação. Projetamos lucro líquido de R$ 174,8 milhões (-29,6% t/t; -13,2% a/a), refletindo principalmente a ausência do crédito tributário diferido de R$ 88,6 milhões registrado no 1T26A. Ajustando por esse efeito, o lucro líquido do 1T26A cairia para aproximadamente R$ 159,6 milhões, implicando crescimento de ~9,5% t/t. Na comparação anual, o recuo também é explicado por uma alíquota efetiva mais alta e por um resultado financeiro mais fraco, sem a repetição do efeito positivo de swaps observado no 2T25A.
No operacional, o trimestre permanece sólido, com Receita Líquida de R$ 720,0 milhões (+4,0% t/t; +7,3% a/a), EBITDA Ajustado de R$ 515,4 milhões (+2,6% t/t; +5,1% a/a) e NOI de R$ 606,8 milhões (+3,4% t/t; +2,1% a/a). O FFO cresce em ambas as bases de comparação, reforçando que a distorção é fiscal, e não operacional. A margem EBITDA Ajustada deve ceder 1,5 p.p. a/a, refletindo a expansão contínua da Helloo, que opera com margens inferiores às do negócio de shoppings. Seguimos destacando os principais pilares da tese: reciclagem de portfólio, a iniciativa do Kinea ALLOS Malls FII e a contínua simplificação da ALLOS.
Reiteramos nossa recomendação de Compra, com preço-alvo de R$ 38,00.
Prévia 2T26: Estimativas Genial

Fonte: Genial, ALLOS
Receita de Locação:
R$ 510,3 milhões (+8,9% t/t; +5,0% a/a), refletindo a comercialização em ritmo sólido e a sazonalidade mais fraca do 1T26 (início de ano).
Receita Líquida:
R$ 720,0 milhões (+4,0% t/t; +7,3% a/a). Serviços cresce acima da média (+7,5% t/t; +30,0% a/a), com maior presença da Helloo e demanda por shoppings ainda em linha com o 1T26. Vemos Estacionamento subindo (+10,8% t/t; +6,7% a/a).
Custos e Margem Bruta:
Projetamos custos de Malls (propriedade) de R$ 42,2 milhões, alta de 52,0% a/a (o item que mais cresce no modelo), e PDD de R$ 15,6 milhões, alta de 10,8% a/a. Juntos, 8,7% da receita bruta de shoppings (ex-Serviços), ante 6,6% no 2T25A e estável frente aos 8,8% do 1T26A. Margem bruta de 88,1%: alta de 0,6 p.p. t/t, queda de 2,5 p.p. a/a.
SG&A e Outras Despesas Operacionais:
Estimamos SG&A de R$ 100,2 milhões (+8,9% t/t; -2,9% a/a), direção consistente com a simplificação da ALLOS, que já reduzira o SG&A em 14,0% a/a no 1T26A. A linha de outras receitas/despesas operacionais soma R$ 6,3 milhões, bem abaixo dos R$ 46,7 milhões do 1T26A.
EBITDA:
No ajustado, projetamos EBITDA de R$ 515,4 milhões (+2,6% t/t; +5,1% a/a; margem de 71,6%). Os números não ajustados (EBITDA R$ 531,6 milhões) seguem expostos à volatilidade da linha de outras receitas/despesas operacionais, e recomendamos a versão ajustada como referência.
NOI:
R$ 606,8 milhões (+3,4% t/t; +2,1% a/a), margem de 91,3% (+0,1 p.p. t/t; -2,1 p.p. a/a), abaixo dos 93,4% do 2T25A, com um custo de propriedade mais alto. Esperamos convergência gradual com a normalização de Tijuca.
Resultado Financeiro:
Projetamos resultado financeiro líquido negativo de R$ 143,2 milhões: melhora de 21,8% t/t, piora de 47,5% a/a — efeito todo swap. Ex-swap, t/t fica estável (levemente pior), a/a piora pela ausência do ganho do 2T25A. Destacamos também a 9ª emissão de debêntures de março que eleva despesa financeira adiante, com o efeito na receita sendo menor.
Imposto de Renda:
Projetamos alíquota efetiva de 23,6% no 2T26E, ante 14,7% no 1T26A e 10,5% no 2T25A. O 1T26A teve crédito tributário diferido de R$ 88,6 milhões, que superou o imposto corrente (R$ 56,8 milhões) e não se repete no 2T26E (imposto corrente de R$ 54,0 milhões).
Lucro Líquido:
R$ 174,8 milhões (-29,6% t/t; -13,2% a/a). A leitura direta penaliza a companhia por um efeito majoritariamente fiscal e concentrado na base de comparação, não no trimestre corrente.
FFO:
R$ 318,1 milhões (+6,5% t/t; +4,4% a/a), margem de 44,2% (+1,0 p.p. t/t; -1,2 p.p. a/a, ante -5,7 p.p. na margem líquida). Para nós, é a métrica que melhor resume o trimestre: cresce nas duas bases enquanto o lucro líquido cai nas duas, reforçando que a distorção é contábil e fiscal, não uma piora na geração de caixa.
Não Recorrente vs. Recorrente:
O crédito diferido de R$ 88,6 milhões do 1T26A foi pontual, logo não projetamos repetição. Já os ganhos/perdas em swaps têm sido voláteis nos últimos três trimestres devido a mudança de juros e assumimos em zero no 2T26E.
Indicadores Operacionais:
Esperamos recuperação operacional contínua pós-incêndio do Shopping Tijuca. Destacamos ainda o MOU com a Kinea para o Kinea ALLOS Malls Fundo Imobiliário (R$ 790 milhões–R$ 1,97 bilhão; até 7 ativos; ALLOS como cotista), vetor adicional de reciclagem a monitorar.
Olhando à Frente do 2T26:
Esperamos crescimento contínuo da Helloo e um 3T26 mais forte, com menor efeito da Copa do Mundo e do calendário de feriados. A normalização dos custos em Tijuca deve apoiar a margem NOI/EBITDA a partir do 3T26. Na margem, o peso crescente da Helloo, de menor margem mas maior crescimento, segue pressionando o consolidado, sem refletir piora operacional em shoppings. Do lado de capital, destacamos a estruturação do Kinea ALLOS Malls FII, que permite monetizar ativos maduros mantendo exposição via cotas, e a movimentação de portfólio, que concentra a exposição em ativos estrategicamente mais relevantes. Ambos liberam capital sem diluir a base acionária, reforçando a disciplina de alocação que sustenta nossa tese de Compra.
O que Monitorar no Release e no Call:
- SSR, SSS e taxa de ocupação, com atenção ao efeito de reindexação do IGP-DI sobre os aluguéis;
- Atualizações sobre o FII com a Kinea para o Kinea ALLOS Malls FII;
- Efeito da copa do mundo e feriados nos shoppings;
- Inadimplência líquida consolidada vs. ex-Tijuca, e cronograma de reabertura total do Shopping Tijuca.

