O que Aconteceu?
Multiplan postou resultados referentes ao 2T26. Neste relatório trazemos uma analise sobre o trimestre e trazemos recomendação em relação ao papel.
Nossa Recomendação:
A Multiplan reportou um 2T26 acima das nossas estimativas nas principais linhas. A receita líquida veio em R$ 846,8 milhões (+4,1% vs. Genial; +22,0% a/a; +2,4% t/t), incorporando o crédito de PIS/COFINS de R$ 253,0 milhões, como antecipávamos na leitura incluindo benefício. O EBITDA de R$ 699,2 milhões (+4,8% vs. Genial; +52,0% a/a; +35,3% t/t) também ficou acima do esperado. O maior desvio operacional foi o NOI, de R$ 529,9 milhões (+8,4% vs. Genial; +6,7% a/a; +11,0% t/t), explicado por despesas de propriedades bem abaixo do esperado, reflexo de uma inadimplência líquida negativa de -1,2%, nível não contemplado em nossa premissa de normalização. O lucro líquido somou R$ 427,4 milhões (+13,6% vs. Genial; +61,7% a/a; +35,1% t/t), beneficiado tanto pelo NOI mais forte quanto por um resultado financeiro melhor que o esperado, desvios que se reforçaram ao longo da DRE. O FFO, por outro lado, veio praticamente em linha, em R$ 515,7 milhões (+0,7% vs. Genial; +76,3% a/a; +57,4% t/t).
Depurando o crédito e a inadimplência excepcional, a operação segue sólida, com receita de locação avançando, margem NOI recorde e custo de ocupação dos lojistas no menor nível para um segundo trimestre desde o IPO. As expansões recentes começam a demonstrar retorno de forma concreta, com o ParkShopping 98,0% locado antes da inauguração de novembro e o MorumbiShopping crescendo vendas mais que o dobro do incremento de ABL.
Essa evidência de acretividade em ativos dominantes, qualificados e resilientes nos leva a incorporar maior contribuição de NOI das expansões em nossas projeções de 2026E e 2027E, elevando o preço-alvo de R$ 37,00 para R$ 38,00. A tese permanece ancorada nos mesmos pilares: portfólio dominante, expansões com retornos reais atrativos e monetização crescente dos projetos multiuso, e aumento de 0,05% no NOI projetado, chegando a em média de 92,6% nos próximos 3 anos. Reiteramos Compra.
Resultado vs. Genial:
O trimestre superou nossas estimativas no operacional, com dois vetores no beat de lucro: NOI acima do esperado por inadimplência excepcional, e resultado financeiro líquido melhor que o projetado.
Nossas estimativas x Multiplan (incluindo benefício): Empresa foi melhor que esperado

Fonte: Multiplan, Genial
A companhia reconheceu os R$ 253,0 milhões de crédito na linha de tributos sobre receitas, que passou a ser positiva em R$ 208,9 milhões (vs. -R$ 47,2 milhões no 2T25). Ou seja, o crédito entrou em receita líquida e subiu por EBITDA, FFO e lucro, exatamente como projetamos na leitura incluindo benefício.
O que Explicou o Desvio:
O beat de lucro de R$ 51 milhões vs. nossa estimativa se dividiu, em partes semelhantes, entre operacional e financeiro. No operacional, o NOI superou nossa projeção (+8,4% vs. Genial) por despesas de propriedades de R$ 22,6 milhões contra os R$ 47,1 milhões estimados, reflexo da inadimplência líquida de -1,2% e da recuperação de aluguéis, ante nossa premissa de normalização. Monitorávamos a variável certa; ela virou a favor da companhia, mas vemos como evento de baixa recorrência e seguimos assumindo uma inadimplência normalizada, próxima da nossa estimativa. No financeiro, erramos por conservadorismo: projetávamos despesa líquida próxima de -R$ 155 milhões e veio -R$ 125,0 milhões (R$ 30,5 milhões abaixo da nossa estimativa), com Selic 50 bps menor, dívida bruta -6,7% t/t e cobertura em 4,03x. A venda de imóveis, de R$ 37,8 milhões, ficou acima dos R$ 24,5 milhões estimados, mas ainda em forte queda a/a pela base do 2T25. O FFO praticamente cravou (+0,7% vs. Genial).
Destaques Operacionais:
O trimestre reforçou a qualidade do portfólio. As vendas dos lojistas somaram R$ 6,8 bilhões (+7,7% a/a), recorde para um segundo trimestre, mesmo com a Copa do Mundo reduzindo horários em quatro dias de junho. O SSS cresceu 4,3% a/a, liderado por Serviços e Artigos Diversos (+7,6% cada), com Artigos do Lar & Escritório na ponta negativa (-7,8%, por Eletrônicos). O SSR avançou 4,1%, crescimento real de 2,7% acima do IGP-DI.
A ocupação atingiu 96,2% (+8 bps a/a) e o custo de ocupação caiu para 12,3%, mínima para um segundo trimestre desde o IPO, com vendas (+7,7%) superando locação (+3,4%) e encargos (+6,5%). Este é um pilar importante da tese: com o custo de ocupação em mínima histórica, a companhia preserva espaço para reajustes reais nas renovações, sustentando o SSR à frente.
NOI, Margens e Geração de Caixa:
O NOI de R$ 529,9 milhões foi recorde para um segundo trimestre, com margem de 95,9% ante 89,7% no 1T26, melhora sequencial expressiva ainda que apoiada pela inadimplência negativa e por estacionamento (+17,0%) e serviços (+19,3%). A receita de locação cresceu 3,2%, para R$ 441,3 milhões, com os shoppings em R$ 428,0 milhões (+3,4%), sustentados pelas expansões recentes, pela participação adicional de 7,5% no BarraShopping e pelo aluguel complementar (+21,8%), parcialmente compensados pelas vendas de participação no ParkShoppingSãoCaetano e no BH Shopping.
Na leitura normalizada, o EBITDA de Propriedades atingiu recorde de R$ 687,4 milhões para um segundo trimestre, com margem de 86,3% (+1,7 p.p. a/a), enquanto o FFO 12M somou R$ 1,65 bilhão (+9,7% a/a). A alavancagem recuou para 1,93x Dívida Líquida/EBITDA, mesmo após R$ 140,0 milhões de JCP no trimestre.
Expansões Reforçam a Tese:
O trimestre trouxe evidência concreta de que a estratégia de expansões gera retorno. O MorumbiShopping, no primeiro trimestre completo após a inauguração, registrou o maior crescimento de vendas do ativo em um segundo trimestre desde o IPO (+25,0% a/a), mais de duas vezes o incremento de 11,6% na ABL, destacando a produtividade da nova área. A expansão do ParkShopping, prevista para 18 de novembro, já está 98,0% locada. O pipeline segue robusto: no VillageMall, estudam-se uma segunda expansão (+3.000 m²) e um projeto multiuso adjacente de aproximadamente 36 mil m² de terreno e cerca de 62 mil m² de área construída, além de expansões em estudo no JundiaíShopping, BH Shopping (12 mil m²) e ParkShoppingSãoCaetano (aproximadamente 9 mil m²).
O que Monitorar:
Trajetória da inadimplência líquida nos próximos trimestres, já que o nível de -1,2% é excepcional; sustentabilidade da margem NOI em patamar normalizado; o impacto da reforma tributária, com BarraShopping e ParkShopping Brasília ainda no pipeline; maturação das expansões (MorumbiShopping, BH Shopping e ParkShopping, este com inauguração em novembro); e evolução do real estate com o lançamento do Lake Baikal.
Nossas estimativas x Multiplan (excluindo benefício): Empresa foi melhor que esperado

Fonte: Multiplan, Genial
Vendas do VillageMall, da Multiplan e dos shoppings brasileiros (Base 100): Expansões e revitalizações fortalecem os shoppings

Fonte: Multiplan, Abrasce

