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    Publicado em 24 de Fevereiro às 00:26:51

    Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) 4T21 | O novo GPA

    “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia”.

    A icônica reflexão de Fernando Pessoa serve como uma luva para iniciarmos esse texto sobre o novo Grupo Pão de Açúcar (GPA para os íntimos).

    Ao longo dos últimos trimestres vimos o GPA (re)desenhar seu modelo de negócios. No final de 2020, a varejista aprovou a cisão de seu braço de atacarejo, Assaí, concretizada no 1º trimestre de 2021.

    Sete meses se passaram e o GPA mexeu mais uma peça em seu tabuleiro: o fim da era dos hipermercados. Em outubro do ano passado, o Pão de Açúcar anunciou que estaria negociando a venda de 70 lojas de hipermercados da bandeira Extra para o Assaí.

    A operação foi aprovada e concluída no mesmo trimestre. Com R$ 5,2b “em mãos”, a companhia está pronta para apresentar o novo GPA.

    Mas, antes de conhecermos as ambições e a nova roupagem da empresa, que tal batermos as cifras para o balanço do 4T21?

    Considerações trimestrais

    Divulgado na noite da quarta-feira (23), o balanço do 4º trimestre de 2021 do GPA veio em linha ao esperado, com o Grupo Éxito se apresentando como o “camisa 10” desse período.

    Com operações na Colômbia, Uruguai e Argentina, o Grupo Éxito mostrou um crescimento de duplo dígito em suas vendas, performando acima da inflação no período.

    As operações no Brasil se sustentaram na forte expansão de vendas das lojas de proximidade, que apresentaram um crescimento de “vendas de mesma loja” de 20%, ano contra ano. Por outro lado, os modelos descontinuados (o spoiler está on) de hipermercados e drogarias jogaram a performance do GPA Brasil para baixo.

    Antes de adentrarmos no novo “GPA”, gostaríamos de destacar dois grandes pontos: “transação hipermercados” e “revolução de marcas próprias”.

    Transação hipermercados

    No 4T21, o GPA teve um impacto líquido de R$ 426m na linha “Outras receitas (despesas) operacionais”. A cifra corresponde a cerca de 16,5% da transação de 70 lojas de hipermercados para o Assaí.

    De maneira a ilustrar cada detalhe dessa transação, apresentamos o gráfico de cascata abaixo.

    Em termos de fluxo de caixa, a companhia já recebeu R$ 1b em 2021 e irá receber mais R$ 4,2 bilhões nos próximos dois anos. Quase 12% desse montante será pago como dividendo e o restante utilizado para investimentos e “desalavancagem” do GPA.

    A revolução das marcas próprias

    Não dá para comentarmos sobre o desempenho do GPA no 4º trimestre de 2021 sem falar de marcas próprias.

    Esse clima amistoso de pressões sobre commodities somada ao ressurgimento de forças inflacionárias tem sido um catalisador para a redução da renda discricionária. Nesse ambiente, ganha quem consegue vender bons produtos a preços menores.

    Em momentos como este, os consumidores podem estar mais dispostos a experimentar novas marcas ou marcas de nome comercial para marcas próprias, que geralmente são mais baratas. O que, por sua vez, é positivo para as varejistas, que conseguem surfar em meio as maiores margens desses produtos.

    Em 2021, as marcas próprias do GPA foram responsáveis por 21,5% das vendas. 8 em cada 10 clientes compraram um produto de marca própria no ano.

    O novo GPA

    No último trimestre de 2021, o GPA retirou a roupagem de “hipermercado” – levando junto as farmácias presentes nesses estabelecimentos (compre 1, leve 2) -, e reposicionou o grupo para um modelo “premium, digital e de proximidade”.

    Sabe aquela atividade que exige muito tempo, mas seu retorno não chega nem sequer a 1/3 do esforço desprendido? Era mais ou menos essa a carga que os hipermercados Extra traziam ao grupo.

    Focando em seus negócios de maiores margens, o GPA pretende agregar maior valor aos seus stakeholders. A companhia pretende abrir 100 lojas de proximidade (Minuto Pão de Açúcar e Pão de Açúcar Fresh) até o próximo ano e mais 100 lojas premium (Pão de Açúcar) nos próximos dois anos.

    A companhia não deseja competir com a Amazon, Magazine Luiza ou Mercado Livre (que, a propósito, é um parceiro nas vendas de seus SKUs) e, por isso, irá direcionar seu foco para ser especialista em 7 categorias, entre as quais estão inclusos vinho, cerveja, destilado, mundo bebê e mundo beleza.

    A companhia já deixou um “tira-gosto” de como teria sido a performance de operações continuadas do GPA em 2021 – desconsiderando hipermercados e drogarias.

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