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    Publicado em 08 de Junho às 19:41:33

    Petróleo & Gás | O “Tic-Tac” do Estreito de Ormuz!

    Conclusão

    O que temos que ficar de olho? Em nossa visão, a continuidade do fechamento do Estreito de Ormuz segue como um risco assimétrico relevante para o mercado global de petróleo, sobretudo porque o equilíbrio atual depende de amortecedores temporários: liberação de reservas estratégicas, redução do refino, redirecionamento de fluxos e destruição parcial de demanda. Tais medidas compram tempo, mas não substituem de forma sustentável a oferta perdida do Golfo. Embora os estoques globais tenham iniciado a crise em patamar relativamente confortável, a velocidade recente de depleção dos inventários sugere que o mercado pode estar subestimando o risco de prolongamento do conflito e de uma normalização mais lenta dos fluxos por Ormuz. Nesse contexto, a marca de 7,5 bilhões de barris em estoques globais observados deve ser monitorada como uma zona relevante de estresse, não por representar escassez física imediata, mas por indicar perda crescente de flexibilidade logística e redução dos barris comercialmente disponíveis. Caso Ormuz permaneça fechado, esse patamar poderia ser alcançado em aproximadamente 67 a 100 dias, dependendo do ritmo de drawdown, o que aumentaria a probabilidade de maior backwardation (preços mais altos no curto prazo e mais baixos nos pontos mais distantes de curva), aperto em derivados e sustentação do Brent em níveis acima dos implícitos na curva futura atual.

    Driver de valor para Petroleiras. A manutenção o fechamento do estreito de Ormuz trás dois impactos claros na curva do preço do petróleo: I) no curto prazo, devido a ausência do produto e II) maior preço ao longo da curva, tendo em vista a recomposição de estoques estratégicos ao longo do tempo. Sendo assim, esse cenário deve ser positivo para Petroleiras. Nossa preferência em relação aos principais nomes surfarem essa tendência segue sendo a Prio e Petrobras, tendo em vista a expansão da produção, baixo custo de extração e ausência de “amarras” para sua geração de caixa (estruturas de derivativos, por exemplo).

    Os fatos

    Uma das maiores crises energéticas da história. O conflito Irã-Estados Unidos começou no final de fevereiro/2026. Entre idas e vindas diplomáticas, o Estreito responsável pelo escoamento de 20% da produção mundial de petróleo, Gás Liquefeito e Fertilizantes caminha para quase 100 dias de bloqueio. Se no início do ano a expectativa era de preços baixos no petróleo, o cenário de hoje é completamente distinto: o preço do petróleo brent saltou de US$66/barril em janeiro/2026 para US$138/barril na máxima do ano.

    Nada é tão ruim que não possa piorar. Apesar do aparente ambiente de “normalidade” mesmo com o brent aos US$100/barril, o risco da continuidade do fechamento do estreito de Ormuz ainda representa um grande risco de crise energética para todo o planeta.No gráfico abaixo, mostramos: I) curva do preço esperado pelo brent no mercado futuro atual vs nossa última estimativa, II) preços realizados no mercado físico vs curva futura.

    Fonte: Plataforma Bloomberg

    O que concluímos do gráfico acima? O mais importante: o mercado à vista com preços realizados está muito distinto do que a curva futura nos mostra (.c US$4/barril). Em nossa interpretação, isso demonstra que o mercado espera uma normalização da oferta de petróleo no curto prazo – derivado de um acordo entre EUA x Irã que envolva a reabertura do fluxo de embarcações petroleiras na região. O que nos chama a atenção nessa premissa é não acreditamos que ela parta de uma ferramenta estritamente técnica/matemática/científica ou de algum grande instrumental teórico. O consenso simplesmente acredita que o conflito alcançará um acordo em breve a despeito das notícias recentes. O risco para essa tese é que o conflito se prolongue por mais tempo e que o prolongamento dessa situação siga contaminando as curvas de preço futura. Vale mencionar que ela já negocia em um patamar acima daquele considerado em nossos modelos (para maiores informações, leia a nossa última atualização sobre os cases de Petroleo – Prio (PRIO3) | Quando uma twittada pode mudar tudo! – atualização de estimativas!).

    Fonte: Terminal Bloomberg e Genial

    O Mercado hoje | Oferta ainda apertada

    De acordo com aIEA (International Energy Agency) em relatório publicado no dia 13/05/2026, a interrupção em Ormuz já teria retirado mais de 14 mb/d de oferta dos produtores do Golfo, mas o déficit efetivo do mercado é menor porque houve redirecionamento de fluxos, queda de demanda, redução de corridas de refino e liberação de estoques. Ainda assim, os estoques observados globais caíram 250 milhões de barris entre março e abril, ou cerca de 4 mb/d. Relatório também estima um déficit de 6 mb/d entre março e junho e um déficit acumulado de 900 mb até setembro de 2026, já incluindo a liberação coordenada de 400 mb da IEA.

    O gráfico abaixo duas questões interessantes: I) recomposição dos estoques globais ao longo de 2025 em meio a preços mais baixos e II) início da depleção dos estoque a partir do fechamento do Estreito de Ormuz ao final de fevereiro/2025. Sendo assim, os estoque globais chegaram em Fevereiro/2026 em condições razoavelmente confortáveis.

    É importante mencionar que 7,9 bilhões de barris não são todos barris imediatamente utilizáveis. Esse número inclui petróleo em terra, derivados, NGLs e óleo sobre a água. Parte desse volume está em trânsito, parte está presa em gargalos logísticos, parte está em estoques estratégicos e parte é estoque operacional mínimo de refinarias, terminais e sistemas de distribuição.  

    Portanto, quando o número agregado cai para patamares reduzidos vs histórico recente, o problema real é que os barris “livres” e comercialmente disponíveis já teriam caído de forma muito mais agressiva do que o número consolidado sugere. Sendo assim, a evolução para um nível de estoques globais muito abaixo do histórico é um risco a ser monitorado.

    Acompanhando as reservas de Petróleo: o “tic-tac” do mercado de petróleo 

    Não existe um “número mágico” de estoques globais que, sozinho, leva o Brent para acima de US$100/barril. O preço reage à combinação de nível de estoques + velocidade de drawdown + localização/composição dos estoques + visibilidade de reabertura de Ormuz. Entretanto, acreditamos que um patamar de 7,5 bilhões de barris deva ser uma marca interessante a ser observada por se tratar de uma marca que nunca foi alcançada desde o início da divulgação dos dados (2020). Como já mencionado, o número divulgado pela IEA não considera apenas estoques disponíveis e tem um visão mais abrangente.

    Em abril/26, os estoques globais observados estavam em torno de 7,9 bilhões de barris, após queda de 129 milhões de barris em março e 117 milhões de barris em abril. Ao mesmo tempo, o North Sea Dated negociava em torno de US$110/bbl no momento de escrita do relatório da IEA, depois de ter atingido média de US$120,36/bbl em abril e pico de US$144,68/bbl. Ou seja: o mercado já estava estressado mesmo com estoques ainda em 7,9 bilhões de barris, porque Ormuz seguia fechado e os estoques estavam caindo rapidamente. O ponto é que uma queda adicional para 7,6–7,7 bilhões de barris não seria crítica em termos absolutos, mas seria um sinal forte de que o drawdown deixou de ser temporário. Esse nível representaria uma perda acumulada de aproximadamente 200–300 mb adicionais a partir de abril/26, levando os estoques para perto da parte inferior da faixa observada em 2023/2024, mas com um contexto muito mais adverso: Ormuz fechado, oferta do Golfo limitada, estoques estratégicos sendo consumidos e product markets já tensionados.

    O “Roteiro” do desastre. Com ajuda da inteligência artificial, construímos uma tabela sob como seria o “roteiro” do desastre de falta de petróleo no mercado global. Em nossa interpretação, o mercado ainda está caminhando para o 2º ato. Em teoria e a depender da velocidade do consumo dos estoques, a ida para o “segundo ato” deve levar entre 70-100 dias. Resta aguardar a cena dos próximos capítulos.

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    Recomendações

      Vale a pena conferir