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    Publicado em 07 de Maio às 23:32:56

    Sabesp (SBSP3) | Resultado 1T26: Melhorando e ainda investindo!

    Conclusão

    Seguimos com recomendação de COMPRAR. A empresa reportou número acima do consenso de mercado, em um trimestre marcado por boa performance de receita derivada do maior número de conexões e efeito tarifário com boa disciplina de custos. Para além dos investimentos esperados de R$20 bilhões para 2026, citamos a possibilidade da empresa participar do leilão de privatização da Copasa. Gostaríamos de lembrar que a tese do acionista de referência da empresa (Grupo Equatorial/EQTL3, que multiplicou de valor em mais de 30x em 20 anos) é similar aquelas que estamos testemunhando com a Sabesp: atendimento da demanda reprimida em um setor essencial e participação de leilões de privatização de estatais ineficientes a preços razoáveis. Aos atuais níveis de preço, vemos a empresa negociando a 1,5x VF/Base de remuneração regulatória. Acreditamos que esse múltiplo não precifique a evolução da base de ativos da empresa e a qualidade com que a empresa vem sendo tocada do ponto de vista dos ganhos de eficiência/controle de custos que fatalmente serão transferidas para a rentabilidade.

    Resultado 1T26

    Receita. A receita líquida ajustada de serviços de saneamento, excluindo efeitos de construção e ativo financeiro, totalizou R$ 6,0 bilhões no 1T26, crescimento de 10,9% a/a. O avanço foi explicado principalmente por preço líquido, com impacto positivo de 11,9%, composto por reajuste tarifário de 9,1% e iniciativas comerciais de 2,8%, incluindo grandes clientes e proteção de receita. A leitura é positiva, pois mostra que a Sabesp segue capturando a normalização da receita após a privatização, com menor erosão de descontos comerciais e maior disciplina de cobrança. O crescimento, contudo, foi parcialmente limitado por efeito negativo de mix de 3,4%, decorrente da expansão de economias com tarifas subsidiadas, além do impacto pontual do cutover, que reduziu o faturamento de março em dois dias e deve ser recuperado nos meses seguintes.

    Drivers: volumes, conexões e mix. O volume faturado consolidado ficou praticamente estável, em 1.096 milhões de m³, queda de 0,2% a/a, enquanto a tarifa média consolidada avançou 2,2%, para R$ 5,87/m³. A produção total de água foi de 778 milhões de m³, queda de 4,6% a/a, impactada por verão mais ameno, com temperatura média 3,3°C inferior ao ano anterior, e pela regra operacional da SP Águas para gestão de pressão noturna. Apesar da estabilidade do volume faturado, a companhia destacou crescimento de 2,4% em volume na ponte da receita, sustentado por novas economias, com contribuição positiva de 2,9%, parcialmente compensada por menor consumo per capita. A leitura é que a expansão de cobertura e novas ligações segue como principal driver estrutural de volume, enquanto o consumo unitário pode oscilar com clima, gestão hídrica e perfil socioeconômico da base. A Sabesp segue exposta a uma dinâmica dual: expansão residencial e social, que sustenta universalização, mas pressiona mix; e recomposição de preços em clientes comerciais, industriais e grandes consumidores, que melhora a qualidade da receita e reduz o antigo gap entre receita regulatória e efetiva.

    EBITDA. O EBITDA ajustado foi de R$ 3,8 bilhões no 1T26, crescimento de 25,9% a/a, com margem ajustada de 63%, expansão de 7,5 p.p. frente ao 1T25. A melhora reflete tanto o crescimento da receita líquida ajustada quanto a redução de custos e despesas, reforçando a tese de que a companhia ainda possui espaço relevante de captura de eficiência após a privatização.

    Custos. O OPEX ajustado somou R$ 2,2 bilhões no 1T26, queda de 7,7% a/a. O principal destaque foi a redução de R$ 170 milhões em salários, encargos e benefícios, reflexo de queda de 13% no quadro médio de colaboradores, mudança de mix funcional e otimização de benefícios trabalhistas. A Sabesp encerrou o trimestre com 8.927 colaboradores, queda de 8,0% a/a. A segunda frente relevante foi energia elétrica, cuja despesa caiu R$ 56 milhões, ou 12,7% a/a, para R$ 384 milhões, beneficiada pela migração para o mercado livre, que alcançou 86% do consumo. Além disso, a PECLD caiu R$ 93 milhões, ou 63,5% a/a, para R$ 54 milhões, sugerindo melhora relevante na arrecadação e na disciplina comercial. Esses efeitos foram parcialmente compensados por maiores despesas gerais, materiais e tributos, incluindo repasses a fundos municipais, em linha com o crescimento da receita.

    Resultado Financeiro e Endividamento. O resultado financeiro reportado foi negativo em R$ 1,0 bilhão no 1T26, piora de R$ 432 milhões frente ao 1T25. Na demonstração ajustada, o resultado financeiro também foi negativo em R$ 1,0 bilhão, ante R$ 638 milhões negativos no 1T25, piora de 60,7% a/a. A pressão decorre do maior saldo de dívida e do custo financeiro associado ao financiamento do ciclo acelerado de investimentos. O aumento do endividamento não deve ser analisado isoladamente como deterioração de risco, mas como consequência da antecipação de capex regulatório e da expansão da base de ativos, ponto já discutido em nossos últimos relatórios.

    Lucro Líquido. O lucro líquido reportado foi de R$ 1,7 bilhão no 1T26, alta de 18,0% a/a, enquanto o lucro líquido ajustado somou R$ 1,6 bilhão, crescimento de 32,2% a/a. A diferença entre o avanço do EBITDA ajustado e o lucro líquido reflete, principalmente, a piora do resultado financeiro e o aumento da depreciação e amortização, que cresceu 19,5% a/a para R$ 697 milhões.

    Investimentos. Os investimentos totalizaram R$ 3,7 bilhões no 1T26, avanço de 30,8% a/a. Desse montante, R$ 1,2 bilhão foi destinado a água, alta de 102,0% a/a, e R$ 2,5 bilhões a esgoto, alta de 11,2% a/a. A aceleração em água chama atenção pela magnitude, enquanto esgoto segue concentrando a maior parcela absoluta dos investimentos, em linha com a agenda de universalização. Para a tese de Sabesp, este segue sendo o principal driver de valor de médio e longo prazo: quanto maior a capacidade de executar capex prudente e reconhecido regulatoriamente, maior o potencial de crescimento da base de remuneração, cobertura e receita futura. Vale lembrar que o guidance de investimentos para 2026 é de R$ 20 bilhões.

    Projetos em desenvolvimento. Os principais gatilhos de valor seguem concentrados em universalização, eficiência operacional, digitalização, recomposição comercial e reconhecimento regulatório dos investimentos. A companhia destacou que segue superando os benchmarks do Fator-U para o ciclo 2024–2026, com metas de 87% em abastecimento de água, 77% em coleta de esgoto e 71% em tratamento de esgoto. Esse avanço reduz risco regulatório, sustenta a narrativa de execução pós-privatização e fortalece a visibilidade de crescimento da base atendida. Além disso, a migração para o SAP S/4HANA, embora tenha gerado impacto temporário no faturamento de março, deve ser vista como parte do processo de transformação tecnológica e padronização de processos. Sistemas mais robustos, medição inteligente, maior eficiência de cobrança, migração para o mercado livre e redução de perdas tendem a sustentar ganhos de margem nos próximos anos.

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