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    Publicado em 06 de Agosto às 04:21:46

    Valid (VLID3) | Resultado 2T26: Execução Consistente, Crescimento Ainda em Transição

    A Valid entregou um 2T26 operacionalmente em linha com nossas expectativas, com receita líquida de R$ 505,7 milhões (-0,2% vs. Est.; +3,2% a/a) e EBITDA ajustado de R$ 112,2 milhões (+1,6% vs. Est.; +22,3% a/a). Apesar do crescimento anual expressivo do EBITDA, a comparação é favorecida por uma base fraca no 2T25, enquanto, na comparação sequencial, a rentabilidade permaneceu praticamente estável (-1,9% t/t).

    O principal ponto do trimestre não foi o resultado em si, mas a mudança gradual do perfil operacional da companhia. A vertical de ID & Gov. Digital continua sustentando o crescimento, impulsionada pela expansão da CIN, pelo avanço do Selo D’Água Digital e pelo início das emissões da CNDB. Ao mesmo tempo, a vertical Pay apresentou novos sinais de recuperação operacional, revertendo o prejuízo observado um ano atrás e mostrando melhora mais consistente da rentabilidade.

    Apesar da melhora operacional, seguimos vendo um cenário de crescimento mais desafiador para a companhia. A evolução da CIN e a recuperação gradual da vertical Pay ajudam a compensar parte das pressões do negócio legado, mas ainda não enxergamos evidências suficientes de que os novos negócios serão capazes de acelerar o crescimento de forma sustentável. Além dos impactos da extensão do prazo de renovação das CNHs, a MP 1.327, ao flexibilizar a obrigatoriedade da formação em autoescolas para obtenção da habilitação, continua pressionando a VSoft — uma das principais operações da vertical de Novos Negócios. Nesse contexto, as aquisições da DiaZero Security (02/07 – empresa de cibersegurança) e da HST (03/08 – empresa de software de pagamentos) reforçam a estratégia de transformação digital da companhia, mas ainda aguardamos maior visibilidade sobre sua capacidade de acelerar o crescimento e compensar esses ventos contrários estruturais.

    Outros destaques do trimestre:

    • margem EBITDA de 22,2% (+3,1 pp a/a e -3,8 pp t/t)
    • lucro líquido, abaixo das expectativas, em R$ 36,1 milhões (-25,9% vs. Est.; -35,5% t/t; -33,2% a/a), ante nossa projeção de R$ 48,7 milhões. O desvio foi integralmente explicado por itens abaixo da linha operacional: o resultado antes dos impostos veio praticamente em linha (+1,2% vs. Est.), mas a despesa com imposto alcançou R$ 21,4 milhões, bem acima dos R$ 10,3 milhões estimados, levando a uma alíquota efetiva de 36,3% (vs. 17,7% Est.). Em base recorrente, contudo, o lucro líquido de R$ 36,1 milhões representa uma recuperação relevante frente aos R$ 0,5 milhão do 1T26 e crescimento de 13,4% em relação aos R$ 31,8 milhões do 2T25. Vale lembrar que o resultado do 1T26 foi fortemente beneficiado por um crédito trabalhista não recorrente, que adicionou cerca de R$ 40 milhões ao EBITDA (reversão de despesas), R$ 30 milhões ao resultado financeiro (atualização monetária) e aproximadamente R$ 56 milhões ao lucro líquido.
    • Por fim, a companhia anunciou uma mudança em sua diretoria financeira. Walter Silva, executivo com treze anos de atuação na Valid, assumiu os cargos de Diretor Financeiro e de Relações com Investidores, substituindo Olavo Vaz.

    Reiteramos Nossa Recomendação de MANTER

    O trimestre reforça nossa visão de que a Valid segue executando bem sua estratégia, mas ainda atravessa um período de transição. A recuperação de Pay e a resiliência de ID & Gov. Digital mostram evolução operacional, porém ainda insuficiente para compensar plenamente os desafios estruturais do negócio legado e acelerar o crescimento consolidado.

    As aquisições da DiaZero Security e da HST fortalecem a estratégia de expansão em identidade e segurança digital, mas ainda aguardamos maior visibilidade sobre sua contribuição financeira antes de incorporarmos benefícios adicionais às nossas projeções.

    Reiteramos nossa recomendação de MANTER, com preço-alvo de R$ 22,00, equivalente a um potencial de valorização de aproximadamente 20%. A ação negocia a 3,1x EV/EBITDA 2026e e 10,1x P/L 2026e, múltiplos que consideramos justos diante de uma companhia que executa sua transformação de forma consistente, mas que ainda precisa demonstrar um crescimento estrutural mais robusto para justificar uma reprecificação mais significativa.

    Resultado 2T26: Motor 1 Sustenta o Resultado, Enquanto o Motor 2 Ainda Ganha Escala

    Principais destaques por segmento:

    Valid ID: CIN Continua Sustentando o Crescimento

    • Receita: R$ 252,9 milhões (+1,7% vs. Est.; +11,7% a/a), impulsionada pelo maior volume de emissões de CIN, avanço do Selo D’Água Digital e início das emissões da CNDB.
    • EBITDA: R$ 78,6 milhões (+2,0% vs. Est.; +25,0% a/a), com margem EBITDA melhorou para 31,1% (+3,3 pp a/a), refletindo maior alavancagem operacional e ganhos de eficiência.
    • Volumetria: Foram emitidos 7,8 milhões de documentos (+14,2% a/a; -4,0% t/t), dos quais 5,0 milhões foram CIN (+25% a/a), elevando sua participação para 67% da volumetria (vs. 61% no 2T25). Já a emissão de CNHs somou 2,8 milhões de documentos (estável a/a; -9,7% t/t). refletindo provavelmente o efeito da extensão do prazo para renovações de 5 para 10 anos que começa a ter impactos no2T25. Além disso, a companhia emitiu 613 milhões de Selos D’Água Digital (+317% a/a; -13,7% t/t).
    • CIN Segue Como Principal Motor: A CIN continua sendo o principal vetor de crescimento da companhia. O país já ultrapassou 56 milhões de documentos emitidos (~25% da população), dos quais cerca de 75% foram produzidos pela Valid, reforçando sua posição dominante na vertical. Além do crescimento da volumetria, a expansão dos contratos de fornecimento de policarbonato pode aumentar o valor capturado por documento emitido. A CNDB também passou a contribuir neste trimestre, adicionando volume, embora com margem estruturalmente inferior à média da divisão.
    • CNH Ainda É o Principal Risco: Seguimos vendo a CNH como o principal foco de pressão para a vertical. O início do ciclo de renovação das carteiras com validade de dez anos, aliado aos efeitos da MP 1.327 — que reduziu a carga horária obrigatória para obtenção da habilitação e impactou a receita da VSoft — tende a continuar pressionando essa frente nos próximos trimestres. Por outro lado, a administração acredita que a simplificação do processo pode ampliar a base de motoristas habilitados no médio prazo e criar novas oportunidades para soluções de identificação e proctoring em exames teóricos.
    • Selos D’Água: Queda Pontual: A queda sequencial dos Selos D’Água Digital decorreu de fatores transitórios, principalmente da sazonalidade do trimestre e da paralisação temporária de uma fábrica para auditoria em junho, sem alterar a perspectiva positiva para essa operação.

    Valid Pay: A Inflexão Que Faltava

    • Receita: R$ 102,4 milhões (-2,9% vs. Est.; -7,8% a/a; +13,8% t/t), refletindo a retomada da demanda por cartões bancários no Brasil e a recuperação sequencial dos volumes.
    • EBITDA: R$ 8,7 milhões (+17,8% vs. Est.), revertendo o prejuízo de R$ 2,3 milhões no 2T25 e alcançando margem EBITDA de 8,5%, acima das nossas expectativas.
    • Volumetria: Foram emitidos 14,5 milhões de cartões no Brasil e Argentina (-5,6% a/a; +15,9% t/t), com recuperação sequencial puxada pelo mercado brasileiro.
    • Recuperação Operacional Ganha Tração: Este foi o principal destaque do trimestre. Diferentemente do 1T26, quando o EBITDA foi beneficiado por efeitos não recorrentes, o resultado do 2T26 reflete uma melhora operacional mais sustentável, impulsionada pela reestruturação da operação na Argentina, maior disciplina comercial e recuperação dos volumes de cartões bancários no Brasil.
    • Ainda Cedo para Mudar a Tese: Apesar da evolução, seguimos acompanhando a sustentabilidade dessa recuperação. A competição no mercado de meios de pagamento permanece elevada e acreditamos que serão necessários mais alguns trimestres de execução consistente para confirmar uma retomada estrutural da rentabilidade da vertical.

    Valid Mobile: Único Miss Operacional

    • Receita: R$ 150,4 milhões (-1,5% vs. Est.; -1,5% a/a; +38,7% t/t). A evolução sequencial refletiu a recuperação sazonal da demanda e o maior volume de SIM Cards, parcialmente compensados pela pressão cambial, pelo mix geográfico e por preços médios mais competitivos.
    • EBITDA: R$ 24,9 milhões (-4,3% vs. Est.; -20,3% a/a), com margem EBITDA de 16,5% (-3,9 p.p. a/a), pressionada pela estratégia comercial de ganho de participação de mercado.
    • Volumetria: As vendas de SIM Cards totalizaram 95,3 milhões de unidades (+33,6% a/a; +50,6% t/t), indicando que a demanda permanece robusta, apesar da pressão sobre preços e mix.
    • Estratégia Prioriza Ganho de Share: A companhia segue adotando preços mais competitivos para ampliar participação nos mercados em que atua, estratégia que impulsiona os volumes, mas reduz o preço médio dos cartões e pressiona a rentabilidade no curto prazo.
    • Mercado de Chips no Radar: A administração destacou aumento no lead time e no custo dos chips, em meio às tensões geopolíticas e à maior demanda impulsionada por aplicações de IA. Embora o ambiente lembre, em alguns aspectos, o período de escassez de semicondutores de 2021/22, a companhia afirma estar preparada, reforçando a gestão de estoques e de capital de giro para mitigar riscos de abastecimento.

    Novos Negócios: Receita Recupera, EBITDA com Ressalva

    • Receita: R$ 76 milhões (-6% a/a; +12% t/t), com recuperação sequencial puxada por Gov. Digital e Digital Mobile, mantendo participação de 15% na receita consolidada.
    • EBITDA: R$ 29 milhões, ante R$ 9 milhões no 1T26, refletindo tanto a retomada de receita quanto ajustes nas estruturas de VSoft e Flexdoc.
    • Qualidade da Recuperação Merece Atenção: Parte relevante da melhora do EBITDA veio de redução de custos, e não de ganho de escala. A Plataforma de Segurança Digital segue estagnada em R$ 8 milhões pelo segundo trimestre consecutivo, justamente a frente em que Diazero e HST deveriam acelerar a maturação.
    • Mix Digital Segue Avançando: A receita digital total atingiu R$ 123 milhões (+8% a/a), equivalente a 24% da receita consolidada (vs. 23% no 2T25), indicando que a transformação do mix continua em curso mesmo com a recuperação do negócio físico.
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