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    Publicado em 12 de Agosto às 00:30:49

    B3 (B3SA3) | Resultado 2T26: Diversificação Amortece a Perda de Força dos Volumes 

    A B3 reportou um 2T26 ligeiramente acima das nossas estimativas, com lucro líquido recorrente de R$ 1,38 bilhão (+3,2% vs. Est.; -8,2% t/t; +8,0% a/a). Na linha contábil, o lucro atingiu R$ 1,70 bilhão (+0,6% vs. Est.; +15,2% t/t; +28,2% a/a), beneficiado pela venda da participação na Dimensa e pelo efeito fiscal do JCP extraordinário. Apesar da queda sequencial, que parte de uma base particularmente forte no 1T26, avaliamos o resultado como positivo e, principalmente, consistente com a tese de diversificação das receitas que temos destacado nos últimos trimestres.

    A principal mensagem do resultado está justamente na composição das receitas. A receita bruta somou R$ 3,08 bilhões (-0,4% vs. Est.; -3,8% t/t; +12,2% a/a), com as linhas mais expostas à atividade de mercado perdendo força após o excepcional início do ano com investidores estrangeiros impulsionando volumetria da bolsa. Em contrapartida, as receitas recorrentes cresceram 17,3% a/a, contra 7,9% a/a das pró-cíclicas, com bom desempenho de Renda Fixa e Crédito, Soluções Analíticas de Dados e Tecnologia e Plataformas. A diversificação vem ajudando a reduzir gradualmente a sensibilidade dos resultados aos volumes negociados em renda variável.

    Essa dinâmica ganha ainda mais relevância diante da desaceleração do mercado à vista. O ADTV de ações caiu de R$ 36,7 bilhões no 1T26 para R$ 31,3 bilhões no 2T26, embora ainda tenha avançado 20,1% a/a, refletindo a perda de força do fluxo estrangeiro após um início de ano excepcional. A tendência, contudo, se intensificou após o fechamento do trimestre: o ADTV recuou de R$ 29,6 bilhões em junho para R$ 26,0 bilhões em julho e R$ 22,6 bilhões em agosto, menor nível desde outubro de 2025. Sem o suporte do fluxo de investidores estrangeiros, os dados reforçam que a desaceleração dos volumes ainda não parece ter encontrado um piso, tornando o crescimento das receitas menos dependentes da atividade de negociação ainda mais relevante para sustentar os resultados nos próximos trimestres.

    Volume (ADTV): Fluxo estrangeiro ajudou o volume da bolsa até o 1T26

    Operacionalmente, a companhia manteve elevada rentabilidade. O EBITDA recorrente atingiu R$ 1,94 bilhão (-0,8% vs. Est.; -5,6% t/t; +13,0% a/a), com margem EBITDA recorrente de 70,2% (+0,5 pp a/a). As despesas ajustadas permaneceram sob controle, em R$ 611 milhões (+6,2% a/a), equivalente a aproximadamente IPCA + 1,5%, mesmo diante das mudanças recentes na Diretoria Executiva que pressionaram as despesas com pessoal. A combinação de crescimento das receitas recorrentes e disciplina de custos continua permitindo que a B3 preserve margens próximas de 70%, mesmo diante de uma atividade mais fraca em algumas das principais linhas de Markets.

    O lucro também contou com ajuda relevante abaixo do resultado operacional. O resultado financeiro atingiu R$ 139 milhões (+15,8% vs. Est.; +24,4% t/t; +2,6% a/a), enquanto a alíquota efetiva permaneceu baixa, em 17,2%, beneficiada pela distribuição de R$ 1,1 bilhão em JCP, dos quais R$ 750 milhões referentes ao estoque acumulado de exercícios anteriores. Embora esse benefício tributário ainda possa contribuir para os resultados nos próximos trimestres, entendemos que ele deve ser tratado como temporário, especialmente diante da elevação gradual da tributação sobre a companhia.

    B3 (B3SA3) | Resultado 2T26: Operação em Linha, com Lucro Favorecido por Financeiro e Alíquota

    Diversificação Suaviza Queda de Volume

    O 2T26 começa a mostrar na prática a transformação que temos destacado em nossos últimos relatórios. A B3 continua sendo sensível aos volumes de negociação — e isso não deve mudar —, mas o crescimento de outras verticais vem reduzindo gradualmente essa dependência.

    Renda Fixa e Crédito é um bom exemplo. A receita atingiu R$ 385 milhões (+7,5% vs. Est.; +6,4% t/t; +17,2% a/a), beneficiada pelo crescimento dos estoques de instrumentos de renda fixa. Diferentemente do mercado à vista, cuja receita depende fortemente do fluxo negociado diariamente, parte relevante dessa vertical está ligada aos ativos registrados e mantidos na infraestrutura da B3, aumentando a recorrência das receitas.

    A mesma lógica aparece em Soluções Analíticas de Dados e Tecnologia e Plataformas, que continuam crescendo em ritmo de dois dígitos. São negócios menores do que Markets, mas sua expansão aumenta a previsibilidade da receita e ajuda a diluir a exposição ao ciclo de renda variável. Essa diversificação já era uma das principais mensagens de nossa tese desde 2024 e ganhou importância adicional diante da atual desaceleração do ADTV.

    Ao mesmo tempo, enxergamos novas avenidas de crescimento ainda pouco refletidas nos resultados atuais. Entre elas estão duplicatas escriturais, desenvolvimento do mercado secundário de renda fixa e novos produtos voltados ao varejo, como Prediction Markets. Em duplicatas, 2026 ainda deve ser predominantemente um período de implementação e testes, com monetização mais relevante esperada a partir de 2027. Já em renda fixa, a estratégia de eletronificação do mercado secundário pode abrir oportunidades não apenas em negociação, mas também em dados, índices e empréstimo de títulos.

    Segmento Mercados: Menor Atividade, Mas Longe de um Trimestre Fraco

    Dentro de Mercados, o comportamento foi misto. Em Renda Variável, a receita atingiu R$ 692 milhões (+1,8% vs. Est.; -7,6% t/t; +22,5% a/a). Apesar da queda sequencial do ADTV (volume médio diário), a comparação anual permaneceu forte, com crescimento de BDRs e Fundos Listados e melhora da margem de negociação e pós-negociação.

    Em Derivativos, por outro lado, a receita caiu para R$ 882 milhões (-2,2% vs. Est.; -8,7% t/t; -1,3% a/a), refletindo ADV (volume diário) menor, parcialmente compensado pela melhora da RPC (receita por contrato). Ainda vemos derivativos como uma linha particularmente importante para a B3 em um ambiente eleitoral: mesmo que uma eventual manutenção do atual governo limite uma reprecificação positiva dos ativos domésticos, a maior volatilidade associada ao processo eleitoral pode sustentar volumes em derivativos e produtos de hedge.

    A reabertura do mercado de capitais também trouxe um sinal positivo. O trimestre registrou R$ 11,6 bilhões em ofertas de ações, incluindo R$ 3,0 bilhões em IPO, o primeiro em aproximadamente cinco anos. Ainda é cedo para caracterizar uma reabertura estrutural da janela, mas o retorno das emissões reforça a opcionalidade da B3 caso juros menores e maior apetite por ativos brasileiros voltem a estimular o mercado primário.

    Reiteramos Nossa Recomendação de COMPRA

    O 2T26 reforça nossa visão de que a tese da B3 hoje vai além de uma recuperação do ADTV. Naturalmente, uma retomada dos volumes continua sendo um dos principais vetores de upside, mas o crescimento de Renda Fixa, Dados, Tecnologia e outras receitas recorrentes vem tornando o resultado progressivamente menos dependente do mercado à vista. Ao mesmo tempo, novas iniciativas — como duplicatas escriturais e o desenvolvimento do mercado secundário de renda fixa — podem ampliar o mercado endereçável da companhia nos próximos anos.

    No curto prazo, contudo, não enxergamos uma recuperação clara dos volumes. Depois do forte fluxo estrangeiro observado no início do ano, o movimento perdeu força a partir de abril, e os dados mais recentes de ADTV continuam apontando para menor atividade. Dessa forma, esperamos que a diversificação das receitas continue sendo particularmente importante no 2S26.

    O cenário macro e político também permanece como uma fonte relevante de opcionalidade — e volatilidade — para a ação. O ciclo de queda de juros pode favorecer gradualmente o retorno do investidor local aos ativos de risco, enquanto as eleições presidenciais devem elevar a atividade de negociação. Em um cenário de manutenção do atual governo, entretanto, uma percepção fiscal mais negativa pode limitar uma reprecificação dos ativos domésticos, ainda que a própria volatilidade seja favorável aos volumes negociados em algumas classes de ativos. A B3 permanece, portanto, como uma das principais formas de exposição a uma eventual retomada do mercado de capitais brasileiro, dado o elevado beta da ação e sua forte sensibilidade aos volumes, fluxos e à percepção de risco sobre os ativos domésticos.

    Além do cenário macroeconômico, acompanhamos a evolução dos litígios bilionários envolvendo a companhia, cujo eventual desfecho favorável pode representar um catalisador adicional. Por outro lado, a competição deve aumentar. Além da disputa por listagens de companhias brasileiras com bolsas americanas, esperamos a entrada de concorrentes locais, principalmente A5X em derivativos, Base Exchange no mercado à vista e CSD BR no balcão. Apesar disso, continuamos esperando impactos limitados inicialmente, diante da liquidez, dos efeitos de rede e da infraestrutura já estabelecida pela B3. As novas plataformas trabalham atualmente com início das operações ao longo de 2027.

    Reiteramos nossa recomendação de COMPRA, com preço-alvo de R$ 22,10. A ação negocia a 13,4x P/L 2026e e 13,0x P/L 2027e, com desconto relevante frente à média das principais bolsas globais (22x P/L 2026e), apesar da elevada geração de caixa, do forte retorno sobre o capital e da crescente diversificação das receitas.

    Vemos a B3 como uma das principais ações para capturar um cenário de maior apetite a risco no mercado brasileiro. Uma combinação de juros mais baixos, melhora da percepção fiscal — seja por reformas ou por uma eventual alternância de poder — e retomada dos fluxos para ativos domésticos poderia acelerar a atividade do mercado de capitais e a reprecificação da ação. Nesse cenário, o elevado beta da B3 potencializaria o upside, adicionando uma opcionalidade relevante à tese além do crescimento estrutural das receitas recorrentes.

    Principais Destaques

    Mercados: Renda Fixa Compensa a Menor Atividade em Derivativos

    O segmento de Mercados alcançou receita de R$ 2,03 bilhões (+0,8% vs. Est.; -5,5% t/t; +9,0% a/a). A queda sequencial reflete principalmente a menor atividade após um 1T26 particularmente forte, enquanto Renda Fixa e Crédito voltou a se destacar pela expansão das receitas mais recorrentes.

    • Derivativos: Menor Volume Pressiona Receita. A receita de Derivativos somou R$ 882 milhões (-2,2% vs. Est.; -8,7% t/t; -1,3% a/a), com ADV de 11,1 milhões de contratos (-15,8% t/t; -8,3% a/a). A principal pressão veio dos criptoativos, cujo volume caiu 84,5% a/a; excluindo essa classe, o ADV teria crescido na comparação anual. A menor atividade foi parcialmente compensada pela RPC média de R$ 1,18 (+4,1% a/a), favorecida pelo mix de produtos.
    • Renda Variável: Volume Ainda Forte na Comparação Anual. A receita atingiu R$ 692 milhões (+1,9% vs. Est.; -7,6% t/t; +22,5% a/a), com ADTV de ações de R$ 31,3 bilhões (-10,1% t/t; +20,1% a/a). A margem de negociação e pós-negociação ficou em 3,074 bps, recuperando-se sequencialmente, mas ainda abaixo do 2T25. A compressão anual está relacionada principalmente ao mix e à maior atividade, e não enxergamos evidências de pressão competitiva relevante sobre preços neste momento.
    • Renda Fixa e Crédito: Principal Destaque de Mercados. A receita alcançou R$ 385 milhões (+7,5% vs. Est.; +6,4% t/t; +17,2% a/a), sustentada pela expansão dos estoques. A captação bancária média cresceu 18,4% a/a, enquanto o estoque de debêntures avançou 14,4% a/a. O Tesouro Direto também manteve forte expansão, com estoque médio de R$ 236 bilhões (+43,7% a/a). Por ser uma linha mais ligada ao estoque do que ao fluxo de negociação, Renda Fixa continua sendo um importante vetor para aumentar a recorrência das receitas da B3.
    • A duplicata escritural, cuja produção assistida começou em julho, permanece como uma das principais novas avenidas de crescimento, com contribuição financeira mais relevante esperada a partir de 2027.
    • Empréstimo de Ativos: Volume Cresce, mas Preço Pressiona Receita. A receita caiu para R$ 75 milhões (-4,7% vs. Est.; -1,7% t/t; -5,6% a/a), apesar do crescimento de 40,6% a/a da posição média em aberto. A pressão veio da taxa média do doador, que recuou 39 bps a/a, mais do que compensando a expansão dos volumes.

    Soluções para Mercado de Capitais: Crescimento Anual Permanece Forte

    A receita somou R$ 201 milhões (-2,9% vs. Est.; -0,4% t/t; +25,8% a/a).

    • Dados para Mercado de Capitais cresceu 28,4% a/a, beneficiado pela nova política de tarifação e expansão dos produtos analíticos.
    • Depositária recuou 15,8% t/t, apesar do crescimento anual de 21,6%.
    • Listagem e Soluções para Emissores, a receita avançou 25,8% a/a, em um trimestre com R$ 11,6 bilhões em ofertas, incluindo o primeiro IPO em cinco anos, de R$ 3,0 bilhões. Apesar do sinal positivo de reabertura do mercado primário, ainda consideramos cedo para assumir uma recuperação estrutural da atividade.

    Soluções Analíticas de Dados (Trillia): Crescimento Forte, mas com Efeito SNG

    A receita atingiu R$ 315 milhões (-6,6% vs. Est.; -0,7% t/t; +22,0% a/a). Parte relevante do crescimento anual, contudo, decorre da mudança contábil do SNG, que adicionou R$ 27,5 milhões simultaneamente às receitas e despesas. Excluindo esse efeito, o crescimento seria de aproximadamente 11% a/a, uma leitura mais adequada da evolução operacional da vertical.

    Tecnologia e Plataformas: Crescimento Recorrente Continua

    A receita somou R$ 531 milhões (+0,2% vs. Est.; +0,3% t/t; +15,1% a/a), sustentada pelo crescimento da base de clientes, da indústria de fundos e por reajustes de preços. Serviços de Apoio ao Mercado avançou 31,4% a/a, enquanto Tecnologia cresceu 10,3% a/a, reforçando o papel da vertical na diversificação das receitas.

    Despesas, Impostos e JCP

    • As despesas totais alcançaram R$ 976 milhões (+0,6% vs. Est.; +6,2% t/t; +15,5% a/a), mas incluem R$ 40,5 milhões relacionados às mudanças na Diretoria Executiva e R$ 27,5 milhões referentes ao novo modelo do SNG. Excluindo efeitos extraordinários, a dinâmica de custos permaneceu controlada.
    • A alíquota efetiva ficou em apenas 17,2%, beneficiada pela distribuição de R$ 1,1 bilhão em JCP, incluindo R$ 750 milhões extraordinários referentes a saldos acumulados de exercícios anteriores. Esse movimento gerou R$ 277,5 milhões em benefício fiscal, compensando a maior carga tributária decorrente da majoração da CSLL. Embora o estoque de JCP ainda possa sustentar alíquotas menores no curto prazo, o benefício é temporário e a tributação deve convergir gradualmente para o novo patamar estrutural.
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