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    Publicado em 13 de Agosto às 19:18:27

    Banrisul (BRSR6) | Resultado 2T26: Lucro Reage, mas Revisão do Guidance Expõe Desafios Operacionais 

    O Banrisul reportou um lucro melhor sequencialmente no 2T26, mas a recuperação das principais linhas recorrentes ainda não apareceu. O lucro líquido somou R$ 325 milhões (+4,9% vs. Est.; +46,9% t/t; -13,9% a/a), 11,3% acima do consenso de R$ 292 milhões, com ROE de 11,3% (+0,5 pp vs. Est.; +3,5 pp t/t; -3,0 pp a/a). Na superfície, os indicadores melhoraram: a inadimplência cedeu pela primeira vez em mais de um ano e a cobertura voltou a subir. Uma camada abaixo, porém, a melhora não veio das principais linhas recorrentes: a margem financeira caiu mesmo com a Selic elevada, a carteira permaneceu praticamente parada e as tarifas não cresceram, levando as receitas totais a R$ 2,34 bilhões (-1,0% vs. Est.; -5,5% t/t; -2,3% a/a).

    A melhora sequencial do lucro veio principalmente de duas linhas de provisão. As provisões fiscais, trabalhistas e cíveis passaram de uma despesa de R$ 98,9 milhões no 1T26 para uma reversão líquida de R$ 101,5 milhões, beneficiadas principalmente pelos acordos individuais referentes às ações de 7ª e 8ª horas e pela revisão do critério de atualização monetária das contingências trabalhistas. Já a PDD líquida caiu para R$ 265 milhões (-13,5% vs. Est.; -51,2% t/t; +43,7% a/a), enquanto a despesa bruta de provisão recuou para R$ 334 milhões (-10,0% vs. Est.; -44,7% t/t; +15,8% a/a). Parte dessa melhora também decorreu da transferência de responsabilidade de um ativo problemático relevante, permitindo sua reclassificação para um estágio de menor risco (de estágio 3 para 1).

    Ao mesmo tempo, o banco reconheceu uma perspectiva operacional mais desafiadora para 2026 ao reduzir o guidance de crescimento da carteira e de margem financeira e elevar a faixa esperada para o custo de crédito. Além disso, o pagamento em parcela única de R$ 1,23 bilhão pela recontratação da folha do Estado do Rio Grande do Sul pressionou os ajustes prudenciais e contribuiu para uma queda de aproximadamente -1,7 pp no Capital Principal no trimestre. O contrato tem duração de cinco anos e abrange aproximadamente 294 mil servidores, aposentados e pensionistas.

    Reiteramos nossa Recomendação de MANTER

    Reiteramos nossa recomendação de MANTER, com preço-alvo de R$ 16,20. O trimestre mantém presentes os principais riscos que motivaram nosso downgrade no 1T26: qualidade dos ativos ainda em processo de normalização, crescimento abaixo do inicialmente esperado e dificuldade de transformar o capital disponível em crescimento rentável. Agora, a contratação da folha reduz parte do excesso de capital que funcionava como contrapeso à tese. O papel negocia a 6,64x P/L 2026e, 7,33x P/L 2027e e 0,63x P/VP 2026e, múltiplos aparentemente descontados. Ainda assim, acreditamos que uma reprecificação mais consistente depende de evidências de retomada das principais linhas recorrentes — especialmente carteira e margem — acompanhada de uma normalização sustentável do custo de crédito. Enquanto a melhora do lucro depender mais de reversões e eventos específicos do que de originação e expansão das receitas, não vemos um gatilho suficiente para revisitar nossa recomendação.

    Banrisul (BRSR6) | Resultado 2T26: Lucro Reage, mas Linhas Recorrentes Seguem Pressionadas

    Revisão do Guidance 2026: Piora nas três linhas que mais importam

    A revisão do guidance talvez seja a principal mensagem prospectiva do resultado. O Banrisul reduziu a expectativa de crescimento da carteira de crédito de 3%-8% para 2%-7%, cortou o guidance de margem financeira de 8%-13% para 5%-10% e elevou a faixa esperada para o custo de crédito de 1,2%-2,2% para 1,5%-2,5%. O guidance de despesas administrativas foi mantido em 5%-9%.

    A combinação é pouco favorável: menos crescimento da carteira, menor expansão da margem e maior custo de crédito. Em nossa visão, a revisão valida parte das preocupações que motivaram nosso downgrade para MANTER no 1T26 e indica que a recuperação operacional deverá ocorrer de forma mais lenta do que inicialmente esperávamos.

    Aplicando as novas faixas de guidance às nossas demais premissas, estimamos um lucro líquido para 2026 entre R$ 741 milhões e R$ 1,80 bilhão, com ponto médio de aproximadamente R$ 1,25 bilhão, queda de 22,3% a/a frente aos R$ 1,61 bilhão reportados em 2025. A sensibilidade para o ROE varia entre 6,6% e 15,6%, com ponto médio de 11,0%, contra 14,9% em 2025.

    A mudança é relevante frente às faixas anteriores. Utilizando o guidance original, o mesmo exercício indicava lucro médio de aproximadamente R$ 1,58 bilhão e ROE de 13,8%. Dessa forma, a revisão das premissas retirou cerca de R$ 337 milhões de lucro e 2,8 pp de ROE do nosso cenário central.

    Dois fatores tornam até mesmo o ponto médio relativamente exigente. O primeiro é a carteira: com saldo de R$ 64,4 bilhões em junho, ainda abaixo dos R$ 65,0 bilhões registrados ao final de 2025, alcançar até mesmo o piso de 2% do guidance exige uma aceleração relevante da originação no 2S26. Em outras palavras, a nova faixa já pressupõe melhora frente ao ritmo observado no primeiro semestre.

    O segundo é a tributação. Nosso cenário médio implica uma alíquota efetiva de aproximadamente 12,5% em 2026, bastante abaixo dos 23,6% observados no 1S26 e dos 30,1% registrados apenas no 2T26. Na prática, o ponto médio da nossa simulação ainda depende de uma alíquota significativamente inferior à observada no primeiro semestre, tornando o cenário central menos conservador do que os números de lucro isoladamente sugerem. Sem uma alíquota novamente baixa no segundo semestre, o lucro tende ao piso da faixa.

    Banrisul (BRSR6) | Guidance 2026: Menos crescimento, menor margem e maior custo de crédito

    Assim, embora o 2T26 tenha apresentado uma recuperação importante do lucro reportado e primeiros sinais de estabilização da qualidade de crédito, a leitura prospectiva ficou mais fraca. A revisão do guidance formaliza aquilo que os números operacionais já sugeriam: o Banrisul deve crescer menos, gerar menos margem e conviver com um custo de crédito maior do que esperava no início do ano.

    Principais Destaques do Trimestre

    Carteira de Crédito: Parada, com Mix Mais Arriscado. A carteira encerrou junho em R$ 64,4 bilhões (-0,3% vs. Est.; +0,2% t/t; +0,7% a/a), praticamente estável há doze meses. O consignado caiu para R$ 18,4 bilhões (-2,3% t/t; -10,8% a/a), enquanto o espaço foi ocupado por crédito pessoal (+4,5% t/t) e renegociação de dívidas, que alcançou R$ 1,57 bilhão na PF (+3,9% t/t). A Pessoa Jurídica foi o principal vetor de crescimento, atingindo R$ 11,4 bilhões (+4,9% t/t; +13,9% a/a), puxada por capital de giro e pela retomada do Pronampe com garantia do FGO, enquanto a carteira rural recuou 4,0% t/t. A substituição gradual do consignado por crédito pessoal, renegociações e outras linhas de maior spread eleva a rentabilidade potencial da originação, mas também aumenta a exigência de provisões em um ambiente de crédito ainda adverso.

    Margem Financeira: Base Forte Explica Parte da Queda, mas Guidance Confirma Pressão. A margem financeira somou R$ 1,62 bilhão (-3,3% vs. Est.; -6,6% t/t; -1,1% a/a), com NIM de 4,9% (-0,3 pp vs. Est.; -0,5 pp t/t; -0,5 pp a/a). Parte da queda sequencial era esperada, uma vez que o 1T26 foi beneficiado por aproximadamente R$ 90 milhões de efeitos relacionados ao reconhecimento de receitas em operações renegociadas. Ainda assim, mesmo ajustando a base, a dinâmica permanece pouco favorável: as receitas de crédito caíram 4,5% t/t, o custo de captação subiu para 84,88% da Selic efetiva (+1,13 pp t/t; +3,28 pp a/a) e a tesouraria passou a representar 50,1% dos ativos rentáveis, contra 38,7% do crédito. A revisão do guidance de margem de 8%-13% para 5%-10% reforça que a pressão vai além da normalização da base de comparação.

    Qualidade de Crédito: Primeiros Sinais de Melhora, mas com Ajuda Pontual. A inadimplência acima de 90 dias recuou para 4,62% (-0,2 pp t/t; +2,5 pp a/a), primeira queda do ciclo, enquanto a cobertura subiu para 149,5%, ante 145,4% no 1T26. A formação de inadimplência também caiu de forma relevante, para R$ 264 milhões (-63,3% t/t). A leitura, contudo, exige cautela. Parte da melhora decorreu da transferência de responsabilidade de um ativo problemático relevante, que permitiu sua reclassificação para um estágio de menor risco, enquanto o elevado volume de renegociações também contribui para reduzir os indicadores de atraso no curto prazo. A performance dessas safras será importante para confirmar se o risco foi efetivamente reduzido ou apenas postergado. O Estágio 3 ainda representa 6,9% da carteira, com cobertura de 66,5%, enquanto as recuperações de crédito, em R$ 69 milhões, permanecem 33,8% abaixo do 2T25.

    Custo de Crédito: Forte Queda Sequencial, mas Ainda sem Normalização Completa. A PDD líquida de recuperações caiu para R$ 265 milhões (-13,5% vs. Est.; -51,2% t/t; +43,7% a/a), revertendo parte do salto observado no início do ano. A provisão bruta também recuou, para R$ 334 milhões (-44,7% t/t), embora permaneça 15,8% acima do 2T25. O custo de crédito caiu de 2,9% no 1T26 para aproximadamente 1,9%, mas a companhia elevou seu guidance anual de 1,2%-2,2% para 1,5%-2,5%, reconhecendo uma perspectiva mais desafiadora para a qualidade dos ativos em 2026.

    Serviços e Despesas: Jaws Negativo Continua Pressionando a Eficiência. As receitas de tarifas somaram R$ 524 milhões (-0,7% vs. Est.; -0,2% t/t; -0,3% a/a), deixando o crescimento do 1S26 em apenas 0,2% a/a — abaixo da inflação do período. A adquirência segue pressionada, com receitas da Banrisul Pagamentos em queda de 6,5% a/a, enquanto o crescimento de administração de fundos (+13,2% a/a) não foi suficiente para compensar as demais linhas.

    Do lado das despesas, pessoal atingiu R$ 747 milhões (+2,7% vs. Est.; +8,3% t/t; +10,7% a/a), enquanto outras despesas administrativas chegaram a R$ 565 milhões (+3,8% t/t; +7,5% a/a), pressionadas, entre outros fatores, por serviços técnicos especializados. O índice de eficiência atingiu 68,7% (+0,8 pp t/t). Com receitas praticamente estáveis e despesas crescendo acima da inflação, o jaws permanece negativo, um dos principais desafios estruturais para uma recuperação mais consistente da rentabilidade.

    Imposto: Normalização Reduz Ajuda à Última Linha. A alíquota efetiva subiu para 30,1%, ante 11,5% no 1T26 e acima dos 18,2% que estimávamos. O imposto somou R$ 140 milhões (-7,6% vs. Est.; +388,1% t/t; -9,5% a/a). Dessa forma, diferentemente do trimestre anterior, a recuperação sequencial do lucro não contou com ajuda relevante da linha fiscal, reforçando que o principal suporte veio das reversões de provisões.

    Capital: Contrato da Folha Consome Parte Relevante do Colchão. O Capital Principal e o Nível I encerraram junho em 12,4% (-1,7 pp t/t; -0,9 pp a/a), enquanto o índice de Basileia recuou para 15,9% (-1,6 pp t/t). A posição continua confortável frente aos requerimentos regulatórios, mas o movimento reduz parte da margem de segurança do banco.

    O principal vetor foi o aumento dos ajustes prudenciais, que consumiram aproximadamente R$ 1,49 bilhão no trimestre, em grande medida associado ao reconhecimento do contrato de R$ 1,23 bilhão da folha do Estado do Rio Grande do Sul como ativo intangível. Como ativos intangíveis são deduzidos do Capital Principal para fins prudenciais, o pagamento explica a maior parte da redução do CET1. O contrato foi pago integralmente em junho e tem duração de cinco anos.

    O efeito sobre o capital é concentrado no reconhecimento inicial, enquanto a recuperação ocorre gradualmente à medida que o ativo é amortizado. Assumindo amortização linear ao longo dos cinco anos, isso representa cerca de R$ 61,7 milhões por trimestre, que vão gradualmente voltando a compor o capital do banco. Portanto, embora o nível de capital permaneça confortável, o banco utiliza agora parte relevante do colchão sem que a carteira tenha apresentado crescimento significativo.

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