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    Publicado em 12 de Agosto às 23:44:02

    Copasa (CSMG3) | Resultado 2T26: O início de uma grande história!

    Conclusão | 1º trimestre pós-privatização!

    Seguimos com a recomendação de COMPRAR. Para além do resultado trimestral, consideramos particularmente relevante a evolução do portfólio de concessões. Até 10 de agosto, a Copasa havia celebrado 43 contratos sob as novas bases regulatórias e contratuais, todos com vencimento em fevereiro de 2073. Esses contratos representam aproximadamente 37,5% da receita líquida anual da companhia, e contribuíram para elevar o prazo médio ponderado das concessões de cerca de 13 anos em junho de 2025 para 29 anos atualmente.Além disso, o acordo homologado pelo TCE-MG criou a possibilidade de inclusão dos serviços de esgoto em contratos de 273 municípios atualmente atendidos apenas com água, mediante negociação individual e preservação do equilíbrio econômico-financeiro. Até agosto, 23 novos contratos de esgotamento sanitário já haviam sido celebrados nesse contexto.

    Em nossa leitura, esses movimentos possuem relevância estratégica importante: o alongamento das concessões reduz risco terminal e amplia a visibilidade necessária para justificar o elevado ciclo de investimentos, enquanto a expansão de esgoto oferece uma avenida adicional de crescimento de volume, receita e base de ativos. Portanto, apesar da pressão de curto prazo sobre dívida e fluxo de caixa, o 2T26 mostrou uma operação mais eficiente e um portfólio contratual estruturalmente mais robusto elementos particularmente relevantes no contexto do processo de desestatização da companhia.Valendo lembrar que esse é o primeiro resultado trimestral da empresa pós anuncio da privatização.

    A Copasa apresentou um resultado operacional positivo no 2T26, com combinação favorável entre reajuste tarifário, expansão dos volumes e crescimento de custos administráveis bastante abaixo da receita. A receita líquida avançou 8,9% a/a, para R$ 1,95 bilhão, enquanto o EBITDA ajustado cresceu 11,7%, para R$ 762,1 milhões, levando a margem ajustada a 39,0% (+1,0 p.p. a/a). O trimestre reforça uma dinâmica que consideramos importante para a tese: após a revisão tarifária, a companhia conseguiu transformar crescimento nominal de receita em expansão de EBITDA, mesmo diante da pressão de energia e materiais de tratamento.

    Por outro lado, abaixo do EBITDA, a leitura foi menos favorável. O resultado financeiro negativo aumentou para R$ 168,1 milhões, refletindo principalmente o maior estoque de dívida e a inflação, enquanto o lucro líquido contábil caiu 21,5%, para R$ 227,1 milhões. Excluindo os efeitos não recorrentes (principalmente a obrigação de R$ 60 milhões associada ao termo de autocomposição com o TCE-MG), o lucro ajustado alcançou R$ 275,5 milhões (-4,8% a/a). Paralelamente, o forte ciclo de investimentos continua consumindo caixa: foram investidos R$ 1,54 bilhão no 1S26 (+27% a/a) e a dívida líquida chegou a R$ 8,18 bilhões, levando a alavancagem para 2,8x.

    Resultado 2T26: Receita. Tarifa + volume entregam crescimento robusto

    A receita líquida de água, esgoto e resíduos sólidos atingiu R$ 1,95 bilhão no 2T26, alta de 8,9% a/a, frente aos R$ 1,79 bilhão do 2T25. A receita líquida direta de água alcançou R$ 1,3 bilhão (+8,4%), enquanto esgoto apresentou expansão ainda mais forte, de 10,3%, para R$ 667,7 milhões. O desempenho reflete essencialmente a combinação entre preço e volume, com a aplicação integral da 3ª Revisão Tarifária, de 6,56%, vigente desde 22 de janeiro, e aumento de 2,1% no volume medido agregado de água e esgoto.

    Olhando os drivers operacionais separadamente, o volume medido de água chegou a 173,0 milhões de m³ (+1,0% a/a), enquanto esgoto alcançou 123,5 milhões de m³ (+3,6%). A expansão acompanha o crescimento estrutural da base de consumidores: o número de economias avançou 1,3% em água e 3,0% em esgoto nos últimos 12 meses. Portanto, diferentemente do 1T26, quando fatores climáticos e de calendário pressionaram volumes, o 2T26 apresentou contribuição positiva tanto de preço quanto de quantidade.

    Outro ponto construtivo foi a continuidade da redução das perdas. O índice recuou 2,6 p.p. a/a, para 35,0%, enquanto as perdas em litros por ligação/dia caíram 7,8%, para 233,6 litros. Parte dessa evolução decorre do aumento dos investimentos específicos em combate às perdas, que alcançaram R$ 156 milhões no 1S26, ante R$ 104,4 milhões no 1S25, incluindo substituição de hidrômetros, renovação de redes, controle de pressão e identificação de vazamentos. Foram substituídos 654 mil hidrômetros nos últimos 12 meses.

    Os custos e despesas, excluindo depreciação e amortização e cobrança pelo uso de recursos hídricos, atingiram R$ 1,09 bilhão, alta de apenas 3,0% a/a, crescimento significativamente inferior aos 8,9% observados na receita líquida. Os custos administráveis chegaram a R$ 874,8 milhões (+1,9%), enquanto os não administráveis somaram R$ 218,0 milhões (+7,8%). Essa diferença entre crescimento de receita e custos recorrentes foi o principal fator por trás da expansão do EBITDA ajustado no trimestre.

    Em pessoal, os gastos alcançaram R$ 434,8 milhões (+4,8% a/a). A pressão veio principalmente do acordo coletivo de trabalho de 2025, baseado em reajuste de 4,49% pelo INPC, além de R$ 8,4 milhões adicionais relacionados ao plano de saúde e R$ 2,8 milhões de aumento em PLR e bônus. Esses efeitos foram parcialmente mitigados pela redução de R$ 1,7 milhão em horas extras e, estruturalmente, pela diminuição de 2,6% no quadro de empregados, que encerrou junho com 9.733 funcionários.

    Os serviços de terceiros atingiram R$ 238,7 milhões (+1,1%), desempenho relativamente controlado. Houve acréscimos de R$ 7,0 milhões em informática, R$ 3,8 milhões em locação de bens móveis e R$ 2,5 milhões em limpeza e vigilância, compensados principalmente por reduções de R$ 6,1 milhões em serviços técnicos regulatórios e R$ 5,9 milhões na locação de veículos, esta última associada à capitalização de gastos ligados à implantação e expansão dos ativos da concessão.

    A PCLD ficou praticamente estável, em R$ 65,5 milhões (+1,6%), com o incremento relacionado principalmente à revisão anual da matriz de provisão. Já os repasses tarifários aos municípios recuaram 4,3%, para R$ 78,4 milhões, beneficiados em aproximadamente R$ 9 milhões pelos descontos concedidos ao Município de Belo Horizonte no Programa de Desconto Progressivo para Municípios Adimplentes.

    Os gastos com energia elétrica atingiram R$ 170,7 milhões, alta de 11,5% a/a, tornando-se uma das principais fontes de pressão sobre custos no trimestre. A variação refletiu quatro fatores principais: reajuste de 7,8% das tarifas da Cemig desde julho de 2025; reajuste médio de 4,1% no mercado livre atacadista; aumento de 3,9% no consumo; e alterações no mix de contratação.

    Apesar da pressão de curto prazo, a companhia continua reduzindo estruturalmente sua exposição ao mercado cativo. A participação dessa modalidade no consumo caiu de 32% no 2T25 para 20% no 2T26, com avanço do mercado livre e de fontes renováveis.

    Os materiais de tratamento e laboratório também pressionaram o trimestre, avançando 14,0%, para R$ 38,0 milhões, devido ao maior consumo de produtos químicos e à atualização dos preços dos insumos. Em contrapartida, combustíveis e lubrificantes recuaram 60,1%, para R$ 4,4 milhões, principalmente pela capitalização de gastos associados à implantação e ampliação de ativos.

    Outras despesas operacionais. A principal explicação foi o reconhecimento de uma obrigação não recorrente de R$ 60 milhões associada ao termo de autocomposição firmado no âmbito da Mesa de Conciliação do TCE-MG. Também houve maior pressão de processos trabalhistas, multas ambientais e gastos de preservação ambiental. O termo está associado à possibilidade de expansão dos serviços de esgoto em municípios anteriormente atendidos apenas com água e, portanto, embora penalize contabilmente o trimestre, está inserido em uma iniciativa que pode ampliar a abrangência futura das concessões da companhia.

    O EBITDA reportado atingiu R$ 700,4 milhões, alta de 2,7% a/a, com margem de 35,9%, queda de 2,1 p.p. frente ao 2T25. A leitura do número reportado, contudo, é prejudicada pelos efeitos extraordinários registrados nas outras despesas operacionais.Ajustando principalmente os R$ 60 milhões referentes ao termo de autocomposição e R$ 1,7 milhão associados à apólice de seguro da oferta pública, o EBITDA ajustado alcançou R$ 762,1 milhões, crescimento de 11,7% a/a, enquanto a margem avançou de 38,0% para 39,0% (+1,0 p.p.).

    Consideramos o EBITDA ajustado a melhor representação da tendência operacional do trimestre. O crescimento de 8,9% da receita foi acompanhado por aumento de apenas 3,0% nos custos e despesas recorrentes antes de D&A e cobrança de recursos hídricos. Em outras palavras, a Copasa conseguiu capturar parte relevante do reajuste tarifário diretamente na margem, apesar das pressões de energia e pessoal.

    Depreciação. A depreciação e amortização atingiu R$ 264,3 milhões (+12,3% a/a), refletindo principalmente incorporações realizadas no imobilizado e intangível entre os períodos, além dos efeitos do recálculo dos ativos financeiros decorrentes das prorrogações das concessões.

    O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 168,1 milhões, frente a uma despesa de R$ 102,4 milhões no 2T25, deterioração de 64,2% a/a. As receitas financeiras cresceram 56,0%, para R$ 154,5 milhões, mas foram insuficientes para compensar o avanço de 81,7% das despesas financeiras, para R$ 289,1 milhões. Do lado positivo, o ganho real com aplicações financeiras mais que dobrou, para R$ 71,3 milhões, beneficiado pelo maior saldo médio de caixa decorrente das captações recentes. Também houve crescimento das receitas provenientes da capitalização de ativos financeiros. O principal problema esteve nos juros sobre financiamentos e provisões judiciais, que cresceram 62,4%, para R$ 199,1 milhões, refletindo o maior volume de dívida e a maior variação do IPCA. Adicionalmente, houve pagamentos associados à obtenção de waivers dos debenturistas e

    O lucro líquido reportado alcançou R$ 227,1 milhões, queda de 21,5% a/a. Entretanto, após os ajustes por eventos não recorrentes, o lucro líquido ajustado atingiu R$ 275,5 milhões (-4,8%). A diferença entre a expansão de 11,7% do EBITDA ajustado e a queda de 4,8% do lucro ajustado é explicada principalmente pela deterioração do resultado financeiro. A pressão foi parcialmente compensada pela menor carga tributária: a alíquota efetiva de IR/CSLL caiu de 15,94% para 14,79%, refletindo menor lucro tributável e maior benefício fiscal associado aos JCP declarados no trimestre.

    A dívida líquida consolidada encerrou junho em R$ 8,2 bilhões, frente a R$ 5,9 bilhões em junho de 2025, aumento de aproximadamente 40% em 12 meses. Consequentemente, a relação dívida líquida/EBITDA avançou de 2,0x para 2,8x. A dívida bruta totalizava R$ 9,57 bilhões, sendo R$ 8,1 bilhões denominados em moeda local e R$ 1,48 bilhão em euros. Praticamente 100% da exposição em moeda estrangeira encontra-se protegida por hedge. A elevação da dívida está diretamente associada à necessidade de financiar o ciclo de investimentos. Apenas a 22ª emissão de debêntures, realizada em março, adicionou aproximadamente R$ 2,0 bilhões à estrutura de capital, divididos entre uma série CDI +0,65% e outra IPCA +8,57%.

    Os investimentos consolidados atingiram R$ 1,54 bilhão no 1S26, crescimento de 27% a/a, frente a R$ 1,21 bilhão no 1S25. Desse montante, R$ 780,5 milhões foram direcionados aos sistemas de água, R$ 416,7 milhões a esgotamento sanitário, R$ 54,7 milhões a desenvolvimento empresarial e operacional e R$ 263,1 milhões corresponderam a capitalizações na controladora. O principal crescimento ocorreu justamente em água, com alta de aproximadamente 44% frente aos R$ 543,6 milhões investidos no 1S25. Os recursos vêm sendo destinados à implantação e ampliação dos sistemas, modernização operacional, substituição de ativos e, principalmente, programas de redução de perdas. Em esgoto, os investimentos permaneceram praticamente estáveis a/a, em R$ 416,7 milhões.

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