Conclusão
As vésperas da da privatização. Em nossa leitura, o atual nível de preços precifica a possibilidade da privatização ser bem sucedida em praticamente 100%! Se por um lado a evolução do tema é positivo para tese, por outro lado essa “reta final” precisa ser acompanhada de perto para evitar quaisquer contratempos. O processo de privatização encontra-se em estágio avançado e segue sendo o grande gatilho para o case. A melhora operacional já observada (especialmente na redução de perdas e disciplina de custos ao longo de 2025 e 2026) antecipa o potencial de captura adicional de eficiência sob uma gestão privada, com maior racionalidade econômica, otimização de Capex e possível reprecificação estrutural do múltiplo da companhia. Em nossa visão, a combinação entre melhoria operacional já em curso e avanço concreto da desestatização mantém assimetria positiva relevante para o papel. O processo de privatização segue avançando e continua sendo o principal gatilho para o case. Em nossa visão, uma eventual desestatização possui potencial relevante de destravar eficiência operacional adicional, acelerar captura de valor e promover reprecificação estrutural dos múltiplos da companhia no médio prazo. Estamos colocando a recomendação e preço-alvo sob revisão. Por último, importante mencionar que a própria Sabesp emerge como o principal nome a privatização da empresa.
Resultado 1T26
Receita Líquida. A receita líquida de água, esgoto e resíduos sólidos atingiu R$ 1,9 bilhão no 1T26, crescimento de 2,5% em relação ao 1T25. O desempenho foi sustentado principalmente pelo efeito da 3ª Revisão Tarifária, que resultou em reajuste médio de 6,56% aplicado a partir de 22 de janeiro de 2026, parcialmente compensado por um comportamento mais fraco dos volumes medidos no trimestre. O volume medido de água recuou 0,4% a/a, atingindo 167,3 milhões de m³, enquanto o volume medido de esgoto apresentou leve alta de 0,3%, alcançando 116,9 milhões de m³ . Segundo a companhia, o comportamento mais fraco dos volumes decorreu principalmente de: (i) menor período de consumo no trimestre (89,5 dias vs. 90,5 dias no 1T25), (ii) chuvas mais intensas e temperaturas mais amenas no período e (iii) efeitos do calendário de faturamento implementado após ajustes relacionados à reforma tributária. Ainda assim, a companhia segue apresentando crescimento estrutural da base operacional, com avanço de 1,5% no número de economias de água e 3,0% em esgoto nos últimos 12 meses. Outro destaque operacional relevante foi a continuidade da melhora do índice de perdas, que caiu para 34,7%, redução de 2,8 p.p. a/a, refletindo investimentos em substituição de hidrômetros, sensoriamento via satélite, inteligência artificial e renovação de redes na RMBH .
Custos Operacionais sob pressão. Os custos e despesas operacionais, excluindo depreciação/amortização e cobrança pelo uso de recursos hídricos, totalizaram R$ 1,06 bilhão no 1T26, crescimento de 4,7% a/a . O avanço acima da receita líquida acabou pressionando a rentabilidade operacional da companhia no trimestre. Os custos administráveis atingiram R$ 844,1 milhões (+4,9% a/a). A principal pressão veio da linha de serviços de terceiros, que totalizou R$ 232,6 milhões, crescimento de 12,0% a/a, refletindo maiores gastos com: (i) leitura de hidrômetros e entrega de faturas, (ii) locação de veículos, (iii) conservação e manutenção de sistemas e (iv) fretes e carretos. A linha de PCLD também chamou atenção negativamente, alcançando R$ 73,4 milhões (+67,6% a/a), impactada pela revisão da matriz de provisão ocorrida no 2T25, maior base de receita e ausência de efeitos extraordinários positivos observados no 1T25, quando houve renegociação relevante de débitos antigos. Por outro lado, os custos com pessoal totalizaram R$ 422,4 milhões, apresentando leve queda de 0,6% a/a, beneficiados por menor utilização do plano de saúde, redução de horas extras, menor PLR e redução de 2% no quadro de funcionários, efeitos que compensaram parcialmente os reajustes salariais vinculados ao ACT de 2025.Nos custos não administráveis, o principal destaque foi energia elétrica, que atingiu R$ 158,0 milhões (+4,4% a/a), impactada por reajuste tarifário da Cemig, aplicação de bandeira amarela em janeiro e reajustes no mercado livre . Ainda assim, a companhia segue avançando na migração de sua matriz energética, reduzindo exposição ao mercado cativo e ampliando o uso de energia renovável e mercado livre.
EBITDA sob pressão. O EBITDA totalizou R$ 787,4 milhões no 1T26, queda de 3,2% na comparação anual. A margem EBITDA recuou 240 bps, encerrando o trimestre em 40,9%. O desempenho mais fraco decorreu principalmente do descasamento entre crescimento mais modesto da receita líquida (+2,5%) e avanço mais forte dos custos operacionais (+4,7%), especialmente em serviços de terceiros, PCLD e materiais de tratamento. Apesar da pressão de curto prazo, entendemos que parte relevante desses custos possui caráter operacional e regulatório, enquanto os investimentos em redução de perdas e modernização operacional seguem apresentando efeitos positivos estruturais.
Resultado Financeiro. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 74,1 milhões no 1T26, deterioração expressiva frente ao resultado negativo de R$ 22,4 milhões observado no 1T25. O principal impacto veio do aumento de 36,6% nas despesas com juros sobre financiamentos e provisões judiciais, que atingiram R$ 146,0 milhões, refletindo o maior volume de dívida contratado ao longo dos últimos 12 meses e o aumento do cupom médio da dívida . Além disso, a companhia registrou perdas líquidas relevantes com instrumentos derivativos e variações cambiais, impactadas pela desvalorização de 7,6% do euro frente ao real em 2026. Esses efeitos foram parcialmente compensados por maior ganho em aplicações financeiras e crescimento da remuneração do ativo financeiro vinculado ao aditamento de Belo Horizonte.
Lucro Líquido. O lucro líquido totalizou R$ 368,1 milhões no 1T26, queda de 14,1% em relação ao 1T25 .A retração reflete principalmente: (i) compressão operacional observada no EBITDA e (ii) piora relevante do resultado financeiro líquido. A queda poderia ter sido mais intensa não fosse a redução da alíquota efetiva de IR/CSLL para 19,6% (vs. 25,2% no 1T25), beneficiada por maior utilização de JCP no trimestre.
Endividamento. A dívida líquida encerrou março de 2026 em R$ 7,1 bilhões, crescimento de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior . A alavancagem medida pela relação Dívida Líquida/EBITDA atingiu 2,4x, frente a 1,8x no 1T25. O aumento reflete principalmente o forte ciclo de investimentos da companhia e a emissão de R$ 2 bilhões em debêntures realizadas no período . Ainda assim, entendemos que o patamar permanece administrável para uma empresa regulada com geração de caixa previsível e elevada capacidade de financiamento.
Investimentos. O Capex totalizou R$ 695 milhões no 1T26, crescimento expressivo de 28% a/a . Os investimentos seguem concentrados em expansão de cobertura, redução de perdas, modernização operacional e universalização do saneamento. A companhia também avançou na implementação do projeto de substituição de redes na RMBH, com 41% dos 351 km contratados já executados . O ciclo atual de investimentos reforça crescimento futuro da base regulatória e expansão estrutural de receita.

