Copasa (CSMG3): Seguimos com a recomendação para MANTER. O resultado reportado do 4T24 foi mais fraco do que o esperado. Quando olhamos o EBITDA, a empresa reportou um número -17% das nossas estimativas e -20% abaixo do consenso. Esse resultado aquém do esperado está principalmente atrelado a custos administráveis e não administráveis maiores, que compensaram negativamente a receita em linha com o 4T23. Detalhamos mais abaixo, os fatores que contribuíram para o resultado desse trimestre.
De modo geral, entendemos que o destravamento de valor para o case está ainda associado a eventos mais significativos, como a privatização da companhia (leia mais sobre aqui: Copasa (CSMG3) & Cemig(CMIG4) | Projetos de Privatização enviados! E agora?). Ainda que a empresa negocie a 4.0x EV/EBITDA 25E, entendemos que outros cases sejam mais interessantes no setor, sobretudo Sabesp. Dito isso, seguimos com nossa recomendação de MANTER, observando os futuros e possíveis desdobramentos que a tese possa ter.
Detalhamento do Resultado
A Copasa reportou uma receita líquida de R$1,8 bilhão, em linha na comparação anual. Apesar do (i) reajuste tarifário realizado no início de 2024 (+4,21%) e (ii) da migração de clientes da categorial social para residencial, a queda no volume medido (em -2,3% em água e -1,5% em esgoto) pesou negativamente no resultado. Esse efeito menor no volume está atrelado a (i) um consumo atípico no 4T23 e (ii) menor período de consumo no 4T24.
Na parte de custos e despesas, o total somou -R$1,3 bilhão, +7,4% a/a. Entre os custos administráveis, a parte de pessoal enfrentou uma queda de -3,3% a/a, chegando no valor de -R$421,9 milhões, com redução de provisões na participação de lucros, redução de gastos com horas extras, entre outros fatores. Contudo, a linha de serviços de terceiros teve a maior contribuição negativa, com um aumento de +34,7% a/a. O principal fator impulsionador aqui está atrelado a (i) reajustes/majoração de preços e (ii) aumento de demanda.
O endividamento líquido alcançou R$5,4 bilhões, +41% a/a, chegando a 1,9x Dívida Líquida/EBITDA (aumento de +0,4x, vindo de 1,5x Dívida Líquida/EBITDA em 2023). O resultado financeiro foi de -R$109,3 milhões, +396,3% a/a. Vale ressaltar que há efeito de despesas de variação cambial (Euro frente ao Real), por conta de dívidas em moeda estrangeira. Ainda assim, a elevação da dívida bruta também pesou significativamente no resultado.
O EBITDA ajustado totalizou R$640,6 milhões, -10% a/a e -12% t/t. Por consequência, a margem EBITDA do 4T24 foi de 36,0%, representando uma queda de -3,8p.p. a/a e -4,5p.p. t/t. A Equivalência patrimonial da COPANOR teve um prejuízo líquido -R$2,1 bilhões, com receitas -12,5% a/a e custos e despesas operacionais de +4,1% a/a. Com isso o lucro líquido reportado foi de R$271,9 milhões, -23,5% a/a e -26,2% t/t.