Conclusão
As vésperas da da privatização. Em nossa leitura, o atual nível de preços precifica a privatização em praticamente 100%! Se por um lado a evolução do tema é positivo para tese, por outro lado essa “reta final” precisa ser acompanhada de perto para evitar quaisquer contratempos. O processo de privatização encontra-se em estágio avançado e segue sendo o grande gatilho para o case. A melhora operacional já observada (especialmente na redução de perdas e disciplina de custos) antecipa o potencial de captura adicional de eficiência sob uma gestão privada, com maior racionalidade econômica, otimização de Capex e possível reprecificação estrutural do múltiplo da companhia. Em nossa visão, a combinação entre melhoria operacional já em curso e avanço concreto da desestatização mantém assimetria positiva relevante para o papel.
Resultados 4T25
Receita Líquida: boa expansão de volumes! A receita líquida de água, esgoto e resíduos sólidos atingiu R$ 1,9 bilhão no 4T25, crescimento de 6,9% a/a. O desempenho reflete principalmente dois vetores estruturais: (i) o reajuste tarifário aplicado em 1º de janeiro de 2025, com Efeito Tarifário Médio (ETM) de 6,4% autorizado pela Arsae-MG; e (ii) o crescimento operacional de volumes. No trimestre, o volume medido de água avançou 3,3% e o volume medido de esgoto cresceu 3,9%, impulsionados pelo aumento do número de economias ativas e pelo maior período de consumo registrado (95,4 dias no 4T25 versus 92,3 dias no 4T24). A receita bruta totalizou R$ 2,07 bilhões, sendo R$ 1,36 bilhão proveniente de água (+6,0% a/a) e R$ 709 milhões de esgoto (+8,8% a/a). Outro ponto que chamou a atenção e acabou por propelir o consumo: combate a perda, com o índice de perdas caindo impressionantes 570 bps para 32,4% vs 38,1% no 4T2 – nada como um processo de privatização para acelerar melhoras na operação de uma estatal.
Diluição de Custos. Os custos e despesas totais (excluindo depreciação e amortização) somaram R$ 1,1 bilhão no 4T25, crescimento de 3,0% na comparação anual . O avanço abaixo da receita líquida reforça ganho de eficiência operacional e diluição de custos fixos. Os custos administráveis atingiram R$ 877,1 milhões (+3,9% a/a). Dentro dessa linha, as despesas com pessoal totalizaram R$ 442,6 milhões, crescimento de 4,9%, refletindo reajustes salariais decorrentes dos ACTs de 2024 e 2025 (indexados ao INPC), maior utilização do plano de saúde e pagamento de participação nos lucros. Esse movimento foi parcialmente compensado pela redução de 1,8% no quadro de empregados, evidenciando disciplina estrutural na gestão de headcount.
Expansão de Margem. O EBITDA atingiu R$ 731,0 milhões no 4T25, crescimento de 14,1% em relação ao 4T24 . A expansão superior ao crescimento da receita indica ganho operacional relevante, fruto da diluição de custos, maior eficiência administrativa e captura adequada do reajuste tarifário. O trimestre evidencia melhora estrutural de rentabilidade, mesmo em ambiente de pressão inflacionária sobre custos específicos (como na linha de energia).
O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 104,4 milhões, melhora de 4,5% frente ao resultado negativo de R$ 109,3 milhões no 4T24 . O desempenho foi influenciado positivamente por maior ganho real em aplicações financeiras, beneficiado pelo patamar elevado da Selic e maior volume médio de caixa aplicado, além de ganhos com instrumentos derivativos destinados à proteção cambial. Em contrapartida, houve incremento relevante nas despesas com juros sobre financiamentos, reflexo do maior estoque de dívida contratado para sustentar o plano de investimentos e do aumento do cupom médio da dívida.
Lucro líquido maior, com redução de alíquota efetiva no 4T25. O lucro líquido totalizou R$ 337,0 milhões no trimestre (+23,9% a/a). O avanço reflete a expansão do resultado operacional, a melhora do resultado financeiro líquido e a redução da alíquota efetiva de IR/CSLL, que atingiu 9,6%, influenciada pelo maior benefício fiscal decorrente da declaração de juros sobre capital próprio no período. O trimestre demonstra capacidade da companhia de expandir lucro mesmo em cenário de maior despesa financeira.
Endividamento confortável. A alavancagem encerrou 2025 em 2,3x Dívida Líquida/EBITDA . O patamar é compatível com empresas reguladas em fase de expansão e permanece dentro de zona confortável. Destaca-se que praticamente a totalidade da dívida em moeda estrangeira encontra-se protegida por hedge, mitigando exposição cambial.
Investimentos. O Capex totalizou R$ 2,9 bilhões em 2025, crescimento de 32%. O volume expressivo de investimentos sustenta a expansão da cobertura de esgoto, a redução de perdas (que recuaram para 32,4%, queda de 5,7 pontos percentuais) e a modernização da infraestrutura operacional. Esse movimento reforça a expansão futura da base regulatória e a captura de crescimento estrutural de receita nos próximos ciclos.

