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    Publicado em 25 de Fevereiro às 23:20:45

    Engie (EGIE3) | Resultado 4T25: Crescimento, Margens Pressionadas e Transição para um Novo Ciclo de Caixa em 2026

    Conclusão

    Seguimos com recomendação MANTER para EGIE3. A companhia reportou resultados levemente abaixo do consenso, porém com qualidade operacional mista e ainda pressionada no core business de geração – o que imaginamos que deva mudar com os melhores preços de geração já em 2026. O grande destaque de 2025 em nossa leitura foram os projetos que acabaram por entrar em operação somados as relevantes aquisições. Ainda assim, o trimestre reforça a leitura de que a Engie atravessa um momento de transição: forte ciclo de investimentos, desafios conjunturais no parque hidrelétrico e exposição crescente à dinâmica de preços e curtailment no mercado livre. Em 2025 a empresa distribuiu R$1,2/ação em proventos, representando um pay-out de 55% – razoável, tendo em vista o volume de investimentos. Atualizamos as estimativas da Engie aos novos preços de longo prazo de energia (R$240/MWh vs R$160-170/MWh) e ajustamos o nosso preço-alvo ao novo número de ações pós-bonificação. Vemos a empresa negociando com uma TIR implícita de 6,8% em termos reais, ainda pouco interessante para justificar uma posição mais agressiva.

    Detalhamento dos Resultados 4T25

    Receita. A receita líquida operacional atingiu R$3,4 bilhões (+4,5% a/a). A performance anêmica pode ser explicada pelos preços realizados mais baixos ao longo de 2025 (R$214 MWh vs R$224,9 MWh, -6,3% a/a) devido a preços menos interessantes no mercado livre de energia, contratos com preços mais modestos devido a aquisição das Usinas de Santo Antõnio do Jari e Cachoeira Caldeirão. Tal condição mais restritiva foi parcialmente compensada pelo maior volume de energia vendida em contratos (4,867 MW médios vs 4,332 MW médios in 4T24) devido a entrada de projetos em desenvolvimento (Serrá do Assuruá e UFV Assú do Sol). No segmento de transmissão, excluindo receita de construção (Asa Branca), a receita regulatória teria sido de R$285 milhões (+18% a/a), refletindo atualização monetária da RAP e entrada gradual de ativos em operação.

    Custos operacionais. Os custos operacionais somaram R$1,9 bilhão (+18% a/a), devido principalmente maiores gastos com trading, depreciação e transmissão. Nesse trimestre específico, como mencionamos anteriormente, a empresa entregou uma série de projetos que estavam em desenvolvimento ao longo de todo ano. Sendo assim, a evolução em custos é explicada devido a entrada de tais projetos no portfólio da empresa. Queremos destacar o bom trabalho na linha de energia comprada: Entre o 4T24 e o 4T25, as compras de energia recuaram R$32 milhões (-9,1%), principalmente pela redução de 85 MW médios no volume adquirido. A diminuição dos volumes decorre da maior capacidade instalada própria da companhia, reduzindo a dependência de energia de terceiros, enquanto a queda nos preços está associada ao encerramento de contratos antigos com valores superiores aos vigentes em 2025.

    EBITDA. O EBITDA ajustado foi de R$1,9 bilhão (-4% a/a). O crescimento da transmissão (+R$48 milhões), equivalência patrimonial (+R$47 milhões) e trading (+R$5 milhões) não compensou integralmente a deterioração do segmento de geração.

    Investimentos. Os investimentos totalizaram R$6 bilhões em 2025, sendo principalmente: I) R$1,2 bilhões no projeto Asa Branca, II) R$2,9 bilhões na aquisição de ativos, III)R$712 milhões em Assú do Sol + demais projetos, principalmente de distribuição. No campo de expansão, a Engie avançou de forma consistente ao longo de 2025, com destaque para a entrega e energização gradual de projetos renováveis e para o progresso relevante em transmissão, especialmente no Sistema Asa Branca, cujo avanço físico já vem impactando a receita de construção reconhecida no resultado. No segmento solar, projetos como o Conjunto Fotovoltaico Assú Sol ganharam tração ao longo do ano, consolidando a estratégia de diversificação da matriz e reduzindo, ainda que de forma incremental, a dependência estrutural do portfólio hídrico. Em transmissão, a evolução das obras reforça a expectativa de entrada em operação comercial faseada, o que deve ampliar a RAP contratada e adicionar previsibilidade ao fluxo de caixa a partir de 2026. Para esse ano, o volume de investimentos deve ser mais modesto e, consequentemente, favorecer a distribuição de proventos.

    Endividamento. A dívida líquida atingiu R$25 bilhões (vs R$20 bilhões no 4T24), com prazo médio de ~7 anos e relação dívida líquida/EBITDA de 3,3x vs 2,7x no 4T24. Observamos a evolução dessa divida com a naturalidade tendo em vista os projetos que acabaram por entrar em operação ao longo de 2025 somadas as recentes aquisições. Apesar do aumento, o patamar permanece administrável, especialmente considerando a previsibilidade de caixa da transmissão, política de dividendos disciplinada e perfil alongado da dívida.

    Lucro Líquido. O lucro líquido do trimestre foi de R$727 milhões (-31,4% a/a) devido ao EBITDA mais fraco que o esperado, maior endividamento e maior custo da dívida, que acabou por pressionar o resultado financeiro do trimestre (-R$645 milhões vs -447 milhões no 4T24), mais que compensando uma alíquota efetiva no trimestre.

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