Conclusão | Em linhas gerais, achamos os termos apresentados com interessantes para o setor como um todo devido ao fato de trazer maior segurança para o sistema integrado nacional após a agressiva entrada de fontes intermitentes em nossa matriz energética. O leilão chamou atenção pelo o expressivo volume de investimentos e grande participação de empresas de capital aberto.
Os Fatos | A ANEEL realizou o tão esperado Leilão de Reserva de Capacidade de Potência. Em linhas gerais, podemos dizer que o leilão apresentou resultado satisfatório para os seus participantes tendo em vista o alto volume de projetos contratados. Tendo em vista o volume de projetos sendo oferecido, observamos com naturalidade o baixo deságio do certame. Foram leiloados 100 empreendimentos, alcançando 18,9 GW. O preço médio ficou em R$2,3 mil/MWano, representando um deságio de apenas 5,5% em relação ao preço teto. Os investimentos vão totalizar R$64 bilhões. Os ativos existentes corresponderam por 40,1% do certame. Importante mencionar também que 2,5 GW corresponde a extensão de usinas hidroelétricas que já existem.

Fonte: PPI GOV
Quem ganhou? Dentre os vencedores de capital aberto, citamos: I) Petrobras, II) Eneva, III) Engie, IV) Copel e V) Axia.
Engie & Axia. Ambas as empresas adquiriram o direito de expandir suas hidroelétricas – projetos interessante de expansão de uma fonte energética limpa e que já estava a muito tempo sem oportunidades de crescimento. Enquanto a Axia adquiriu o direito de ampliação da UHE Luiz Gonzaga (Itaparica) enquanto a Engie adquiriu o direito de ampliação de expandir a UHE Jaguara. A potencia contratada foi de 190,1 MW e 195 MW, respectivamente. Os investimentos esperados foram de R$1 e 1,2 bilhão para cada um dos projetos, respectivamente. De acordo com nosso modelo proprietário para ambos os projetos, encontramos retornos razoáveis para cada um deles. Importante mencionar que ambos os projetos são razoavelmente pequenos em relação as empresas como um todo.
Engie | Expansão UHE Jaguara | TIR alavancada (70% dívida) de 11%. Premissas: Receita R$270 milhões (2026), IPCA longo prazo de 4%, Kd 11%, MG EBITDA 50% (vs 55% engie consolidado), Investimentos R$1,2 bilhões 2026-2030 e IR 34%. Valor a ser gerado considernado uma tx de desconto de 12% é de R$81 milhões. Pequeno versus atual capitalização da empresa, mas esse projeto tende a ser melhor precificado ao longo do tempo.


Contexto. Escrevemos um longo relatório sobre os desafios que o setor elétrico brasileiro está atravessando (para maiores detalhes, clique aqui e leia Geração | Da expansão Renovável ao Desafio da Estabilidade: quem ganha com o novo setor elétrico?). Essencialmente, a existência de leilões de capacidade derivam do I) aumento da entrada de fontes intermitentes, II) déficit de potência, mesmo com energia sobrando e III) perda da capacidade de regularização das hidroelétricas: oferta de fontes não intermitentes praticamente estáveis versus demanda crescente.
O que é um leilão de reserva de capacidade? Um Leilão de Reserva de Capacidade de Potência (LRCAP) é um mecanismo regulatório do setor elétrico brasileiro criado para contratar potência disponível (MW), e não energia (MWh), com o objetivo de garantir a segurança do suprimento do Sistema Interligado Nacional. O sistema elétrico paga usinas para estarem disponíveis quando o sistema precisar especialmente nos horários de pico de carga ou em situações críticas (ex.: seca severa, baixa geração eólica/solar, falhas de transmissão). Esse modelo é análogo a um “seguro”: você paga para ter o recurso disponível, mesmo que ele não seja usado com frequência.

