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    Publicado em 13 de Janeiro às 21:57:06

    Transmissão: Quem vai ficar com a Quantum?

    Opa, tem ativo bom dando sopa

    De acordo com a Reuters, a subsidiária do grupo Canadense Brookfield Asset’ Management conhecida como Quantum estaria interessada em vender seus ativos de transmissão de energia elétrica no Brasil. A matéria diz que a empresa já teria contratado bancos de investimento para assessorar o processo e o valor rumorado pelos ativos seria de R$3,5 bilhões – o que aparenta ser o “valor base” nessa negociação.

    A Quantum foi fundada em 2017 e atualmente possui linhas de transmissão em diversos estados Brasileiros (Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Piauí, Bahia, Goiânia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul) em oito diferentes projetos. De acordo com a matéria em questão, os investimentos em tais projetos alcançaram os R$10 bilhões desde 2017, quando a empresa foi fundada. Por se tratar de uma empresa de capital fechado, dados financeiros para nos ajudar em uma modelagem e/ou avaliação do preço proposto por hora são muito limitados. De uma maneira ou de outra, segue um video institucional de um dos empreendimentos da empresa.

    Quem são os potenciais compradores?

    Dentre as empresas sob nossa cobertura, que observamos como potenciais compradores, citamos dois nomes principais: Transmissão Paulista (TRPL4, Manter, R$27/ação) e Engie (EGIE3, Comprar, R$49/ação). Tal afirmação é derivada do endividamento saudável de tais players, o que permitiria uma captação de dívida sem grandes comprometimentos a estrutura de capital da empresa e o custo de capital das mesmas. Para além dessa questão, tentamos fazer uma análise de retrovisor, tendo em vista o histórico de ambas as empresas em aquisições grandes e relevantes – que diga a aquisição da TAG pela Engie, que alcançou quase R$32 bilhões a época.

    Para estimar o “poder de fogo” de cada empresa que eventualmente pudesse participar do processo, utilizamos as dívidas das empresas e as nossas estimativas de EBITDA para cada uma das empresas no ano de 2022. Alcançando a dívida líquida/EBITDA de cada uma das empresas, consideramos uma alavancagem alvo de 4,5x, valor este que consideramos um limite de endividamento para uma empresa de energia elétrica com o perfil similar aos nomes abaixo. Concluímos que, tendo em vista o valor rumorado pelo ativo em questão, Engie e Transmissão Paulista emergem como os principais nomes com capacidade financeira para adquirir o ativo sem trazer um grande comprometimento à sua alavancagem. Como podemos perceber na tabela abaixo, uma alavancagem-alvo de 4,5x Dívida Líquida/EBITDA 22E geraria um “poder de fogo” de até R$16 bilhões e R$6 bilhões para Engie e Transmissão Paulista, respectivamente.

    A Alupar, mesmo estando em um processo de redução da sua dívida, achamos que seria uma movimentação para além da sua capacidade financeira. O mesmo com a TAESA, que investiu fortemente em novos projetos e aquisições nos últimos anos sem alterar a sua generosidade no que diz respeito à distribuição de proventos nos últimos anos.

    Como por ora é muito difícil avaliar o ativo em termos fundamentais (afinal de contas, temos de saber se a aquisição vai gerar valor para um eventual comprador), podemos observar a operação uma ótima estratégica. Observando o tamanho da operação e a sua disponibilidade geográfica ao redor do Brasil (ativos no Nordeste, Sul e Sudente), achamos que a aquisição pode ser muito interessante para Engie. A empresa tem feito uma série de esforços para aumentar a sua participação no negócio de transmissão e a aquisição de um ativo desse porte poderia ser um passo interessante para consolidar o seu interesse no segmento e ter tamanho e escala mais consolidados ao redor do Brasil. Vale mencionar que essas características são interessantes tendo em vista a aquisição de outros projetos nos leilões vindouros e o uso de uma operação base para eventuais sinergias com projetos futuros. Além disso, a empresa já demonstrou sua capacidade de geração de valor em termos de M&A via outras aquisições pregressas.

    A Transmissão Paulista não foge muito desse racional – com a diferença que sua estrutura no negócio de transmissão já é bem consolidada. Aqui, a grande questão diz respeito a sua atual alavancagem, que achamos muito baixa. Uma oportunidade de aquisição de um ativo desse porte a termos interessantes ao invés do pagamento de dividendos é algo que observamos com bons olhos.

    Agora é aguardar o desenrolar dos fatos. Vamos ver.

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