O IRB entregou um resultado acima das nossas expectativas no 2T26, sustentado principalmente por uma sinistralidade significativamente melhor do que projetávamos, que mais do que compensou a fraqueza dos prêmios. O lucro líquido recorrente atingiu R$ 185 milhões (+9,7% vs. Est.; +52,0% t/t; +28,9% a/a), enquanto o lucro reportado foi de R$ 157,5 milhões (+6,0% vs. Est.; +55,0% t/t; +9,7% a/a). O ROE recorrente avançou para 14,7% (+4,8 pp t/t; +2,4 pp a/a), reforçando a trajetória de recuperação da rentabilidade.
O principal destaque veio da subscrição. Apesar de os prêmios emitidos recuarem 14,1% a/a, para R$ 1,15 bilhão, e os prêmios ganhos caírem 8,3%, para R$ 789 milhões, os sinistros recuaram para apenas R$ 330 milhões (-33,8% vs. Est.; -30,8% t/t; -26,1% a/a), levando a sinistralidade para 41,8%, melhora expressiva de 16,2 pp t/t e 10,1 pp a/a. Com isso, o resultado de subscrição atingiu R$ 250 milhões, 29,0% acima da nossa estimativa, +38,9% t/t e +9,2% a/a. No semestre, o resultado de underwriting alcançou R$ 430 milhões, crescimento de aproximadamente 30% a/a.
Underwriting: Apesar da Volatilidade e Menor Volume, Melhora na Qualidade da Carteira

A melhora técnica, contudo, não apareceu integralmente no índice combinado, que encerrou o trimestre em 92,0%, queda de 6,1 pp t/t, mas alta de 1,3 pp a/a. Outras receitas e despesas operacionais adicionaram cerca de 7 pp ao indicador, principalmente pela constituição de ajuste de valor recuperável no segmento de Vida, enquanto as despesas administrativas foram pressionadas pelos maiores gastos com pessoal, terceiros e pelas iniciativas relacionadas às novas seguradoras e estruturas internacionais. Mais do que o resultado isolado, vemos o 2T26 como mais um passo na transição do IRB para uma nova fase da tese. A recuperação técnica parece cada vez mais consolidada, permitindo à companhia voltar a reter mais risco, distribuir capital aos acionistas e investir em novas avenidas de crescimento. O ponto ainda ausente é justamente o crescimento: a reestruturação na unidade de resseguro de vida, as novas seguradoras, a expansão internacional e a maior retenção de prêmios precisam transformar a recuperação de margem em expansão de resultados nos próximos anos.
IRB Re (IRBR3) | Resultado 2T26: Resultado Técnico Compensa Prêmios Mais Fracos

Valuation: Recuperação Consolidada, Próxima Etapa é Crescimento
Após um 2T26 acima das nossas expectativas, seguimos construtivos com a tese do IRB. A melhora da sinistralidade reforça a consolidação da recuperação técnica, enquanto a retomada do JCP marca uma nova etapa na normalização da companhia, com maior capacidade de distribuição de capital e benefício fiscal.
A partir daqui, o principal desafio passa a ser converter a disciplina de subscrição em crescimento e maior rentabilidade. Vemos 2027 como um ano importante, com novas avenidas de crescimento — seguradoras, Vida, maior retenção e expansão internacional — e potencial benefício adicional da reforma tributária sobre as despesas com tributos operacionais, favorecendo o índice combinado e o ROE.
Para 2026, projetamos lucro líquido de R$ 590 milhões (+17,1% a/a) e ROE de 10,5%. A ação negocia a 6,7x P/L 2026e, 5,7x P/L 2027e e 0,8x P/VP 2026e, múltiplos que consideramos atrativos diante da melhora operacional e das perspectivas para 2027.
Reiteramos nossa recomendação de COMPRA, com preço-alvo de R$ 64,20 e upside de +24,6%. Em nossa visão, a combinação entre crescimento, expansão do ROE e normalização da distribuição de capital sustenta uma assimetria favorável para a ação.
Principais Destaques do Trimestre
- Prêmios: Disciplina Preserva Margem, mas Crescimento Continua Ausente. Os prêmios emitidos somaram R$ 1,15 bilhão (-16,7% vs. Est.; -10,4% t/t; -14,1% a/a), enquanto os prêmios retidos ficaram em R$ 783 milhões (-5,1% vs. Est.; -12,7% t/t; -5,4% a/a) e os prêmios ganhos em R$ 789 milhões (-8,1% vs. Est.; -4,0% t/t; -8,3% a/a). A diferença entre emitidos e retidos começa a refletir uma maior retenção de risco no próprio balanço, com os gastos com retrocessão recuando 28,0% a/a, para R$ 372 milhões. A estratégia é positiva diante da maior confiança na subscrição, mas seu benefício sobre o resultado tende a aparecer gradualmente, uma vez que a maior retenção também exige constituição inicial de provisões.
- Sinistralidade: Principal Surpresa Positiva do Trimestre. Os sinistros recuaram para R$ 330 milhões (-33,8% vs. Est.; -30,8% t/t; -26,1% a/a), levando a sinistralidade para apenas 41,8%, muito abaixo da nossa projeção de 58,0% e dos 58,0% registrados no 1T26. A queda na sinistralidade foi ocasionada principalmente pelas linhas de Patrimonial (19%) e Riscos Especiais (11%). A melhora mais do que compensou a menor base de prêmios e levou o resultado de subscrição a R$ 250 milhões, 29,0% acima da nossa estimativa. O IRB não fornece abertura suficiente para separar quanto da melhora veio da experiência corrente de sinistros e quanto decorreu do desenvolvimento favorável de safras anteriores, ponto relevante considerando o trabalho de revisão de sinistros antigos realizado pela companhia. Por isso, não tratamos os 41,8% como uma nova taxa de cruzeiro. Ainda assim, a magnitude da melhora, somada à sequência de resultados técnicos positivos, reforça nossa leitura de que a recuperação do underwriting é estrutural, apoiada pela maior disciplina de precificação e seleção de riscos construída nos últimos anos.
Sinistralidade: Melhora estrutural na subscrição

- Outras Receitas e Despesas: Ajuste em Vida Pressiona o Combinado. O índice de outras receitas e despesas operacionais subiu para 7,2% dos prêmios ganhos, ante apenas 0,9% no 1T26, tornando-se um dos principais detratores do combinado no trimestre. A pressão esteve relacionada principalmente à constituição de ajuste de valor recuperável (impairment) no segmento de Vida. Por se tratar de um ajuste de recuperabilidade, e não de maior sinistralidade corrente, não extrapolamos integralmente o patamar do trimestre como novo run-rate, embora a companhia não tenha fornecido abertura suficiente para quantificar o efeito ou sua eventual recorrência.
- Índice Combinado: Forte Melhora, Mas Aquém da Queda da Sinistralidade. O índice combinado recuou para 92,0%, ante 98,1% no 1T26, beneficiado pela forte melhora da sinistralidade, que caiu 16,2 pp t/t, para 41,8%. A redução do combinado, contudo, ficou limitada a 6,1 pp t/t, uma vez que parte relevante desse ganho foi absorvida pela piora das demais linhas, principalmente G&A e outras receitas e despesas operacionais. Ainda assim, o trimestre reforça a melhora da rentabilidade técnica, com o resultado de subscrição alcançando R$ 250 milhões.
- Resultado Financeiro: Estável e Ainda Relevante para a Rentabilidade. O resultado financeiro atingiu R$ 167 milhões (-4,4% vs. Est.; -1,6% t/t; +3,1% a/a), permanecendo como importante componente do resultado. A companhia segue indicando como vetor futuro o vencimento de investimentos do legado e a possibilidade de reinvestimento a taxas mais atrativas.
- JCP: Benefício Fiscal Volta à Equação. Depois de anos concentrado na reconstrução patrimonial, o IRB voltou a distribuir capital aos acionistas, com R$ 49 milhões em dividendos e R$ 78 milhões em JCP. A retomada do JCP é particularmente relevante porque adiciona uma nova alavanca tributária ao resultado. No 2T26, a alíquota efetiva ficou em 22,3%, ante 34,9% no 2T25. Com o retorno das distribuições e a geração consistente de lucro, o benefício fiscal do JCP passa a fazer parte da equação de rentabilidade da companhia.
- Tributos Operacionais: 2026 Penalizado por um Efeito Transitório. O índice de despesas com tributos atingiu 9,6%, alta de 3,6 pp a/a. O principal efeito extraordinário continua sendo a realização do ativo diferido de PIS/Cofins relacionado às provisões técnicas de sinistros. Foram R$ 46,2 milhões no 2T26, após R$ 33,5 milhões no 1T26, restando R$ 148,2 milhões a realizar. O efeito é não caixa e temporariamente piora tanto o resultado operacional quanto o índice combinado. No semestre, as despesas com tributos atingiram R$ 144,3 milhões, ante R$ 88,4 milhões no 1S25, com a companhia atribuindo o aumento principalmente à realização desses ativos diferidos em função dos efeitos preliminares da reforma tributária.
Reforma Tributária: Potencial Catalisador para o Índice Combinado em 2027
A reforma tributária pode se tornar um dos principais vetores de expansão de margem do IRB a partir de 2027. Atualmente, a linha de tributos operacionais incorpora PIS/Cofins sobre faturamento e importações, além dos tributos retidos sobre aceitações no exterior, e entra diretamente no cálculo do índice combinado.
Nossa leitura preliminar é que a nova sistemática tributária pode reduzir significativamente essa incidência para as resseguradoras a partir de 2027. Em um cenário no qual o tax ratio normalize próximo de 2%, contra aproximadamente 4%-5% historicamente e 9,6% no 2T26, enxergamos potencial para 2-3 pp de melhora estrutural no índice combinado frente a uma base normalizada, além da reversão do efeito temporário que pressiona 2026.
Esse é um ponto importante para a tese, mas que ainda exige cautela. A própria companhia destaca que os textos referentes à transição de PIS/Cofins continuam em revisão, de modo que ainda existem incertezas sobre a implementação final. Além disso, será importante entender como a maior carga tributária potencial das seguradoras será distribuída pela cadeia — absorvida pelas cedentes, repassada aos segurados ou incorporada aos preços negociados com as resseguradoras. Portanto, tratamos o tax ratio próximo de 2% como premissa nossa, e não como guidance do IRB.
2027 Começa a Ganhar Forma
O resultado reforça nossa leitura de que 2026 deve funcionar mais como um ano de construção do que de aceleração do crescimento. A companhia ainda enfrenta uma base fraca de prêmios, ao mesmo tempo em que absorve despesas relacionadas às novas seguradoras, às estruturas internacionais e à realização do ativo diferido de PIS/Cofins.
Em contrapartida, essas mesmas iniciativas criam uma configuração potencialmente mais favorável para 2027. A companhia chega ao próximo ano com maior capacidade de retenção de prêmios, retomada de Vida, novas seguradoras, expansão internacional via novas estruturas e potencial redução estrutural do tax ratio. A retomada do JCP adiciona ainda uma nova alavanca para a alíquota efetiva e distribuição de capital.
Assim, o principal desafio deixa gradualmente de ser “consertar o balanço” e passa a ser transformar a qualidade técnica recuperada em crescimento de prêmios e lucro. O 2T26 mostrou que o underwriting está funcionando; na nossa visão, a próxima etapa da tese exige crescimento.
Nossa leitura do trimestre é positiva. A forte melhora da sinistralidade levou o resultado de subscrição significativamente acima das nossas expectativas, enquanto o lucro recorrente avançou quase 30% a/a. Por outro lado, a queda dos prêmios continua impedindo uma leitura mais construtiva sobre crescimento estrutural. Para os próximos trimestres, o foco passa a estar menos na recuperação técnica — que nos parece cada vez mais consolidada — e mais na capacidade das novas avenidas de crescimento de destravar receita sem deteriorar a disciplina de subscrição.



