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    Publicado em 12 de Maio às 00:41:48

    Itaúsa (ITSA4) | Resultado 1T26: Fechamento do Desconto Continua, Mas Ainda Há Espaço para Reprecificação

    Ao longo dos últimos trimestres, nossa tese de fechamento do desconto da Itaúsa em relação à sua soma das partes (SOTP) vem se materializando. O desconto, que já superou 25%, caiu para aproximadamente 18,2% atualmente. Ainda enxergamos espaço para compressão adicional, embora entendamos que a parcela mais óbvia desse movimento já tenha ocorrido.

    A discussão agora passa a ser: qual seria um nível “justo” de desconto para a holding? Algo próximo de 15%? Ou até menos? Por um lado, a presença de ativos não listados no portfólio naturalmente justifica algum nível de desconto adicional frente a holdings puramente líquidas. Por outro, entendemos que o patamar atual ainda não reflete integralmente:

    • a listagem de ativos destravando valor;
    • a melhora operacional das investidas;
    • a redução gradual da alavancagem da holding;
    • e o fim da ineficiência fiscal, catalisador estrutural que se aproxima.

    O principal deles continua sendo o fim da ineficiência fiscal associada à incidência de PIS/Cofins sobre JCP da holding, aprovado dentro da Reforma Tributária por meio da Lei Complementar 204/23, sancionada em janeiro de 2025 e com vigência prevista para 2027.

    Na prática, a mudança elimina um importante custo estrutural da holding, melhorando sua eficiência tributária e reduzindo parte relevante do desconto historicamente aplicado pelo mercado. Em nossa avaliação, apenas essa ineficiência fiscal poderia justificar algo entre 7%–9% do market cap da companhia.

    À medida que o mercado passa a incorporar gradualmente essa nova dinâmica, acreditamos que o desconto tende a convergir para níveis estruturalmente mais baixos e mais próximos de um patamar “justo” para a holding.

    O resultado do 1T26 reforça essa leitura. As principais investidas seguiram apresentando resultados sólidos, enquanto a holding continuou avançando em sua agenda de desalavancagem, melhorando o perfil da dívida e reduzindo gradualmente seus custos financeiros estruturais.

    Itaúsa | Desconto em Relação a Soma das Partes (SOTP): Desconto finalmente fecha, mas ainda há espaço para mais

    Destaques do 1T26:

    O 1T26 reforçou a trajetória de melhora consistente dos resultados da Itaúsa, que alcançou lucro líquido recorrente de R$ 4,49 bilhões no trimestre (+1,0% t/t; +17,0% a/a), com evolução das investidas não-financeira evoluindo mais que o Itau.

    Itaú Unibanco (ITUB4/ITUB3)

    O banco entregou lucro líquido recorrente de R$12,3 bilhões (-0,3% t/t; +10,4% a/a), com ROE de 24,8% (+2,3pp a/a) – resultado sólido mesmo em um primeiro trimestre sazonalmente mais fraco, com dois dias úteis a menos. Inadimplência estável em 1,9% pelo segundo trimestre consecutivo e índice de eficiência avançando para 38,6% (-2,4pp a/a). O banco segue como principal ativo da holding, respondendo por cerca de 91% do valor da SOTP.

    Setor Não Financeiro

    As investidas não financeiras seguiram apresentando evolução operacional relevante, contribuindo com R$ 456 milhões para o resultado da holding (+52,5% t/t; +76,5% a/a).

    Os principais destaques foram:

    Motiva (MOTV3): Lucro Líquido Ajustado +16,3% a/a; tráfego crescendo em todas as plataformas; Fernão Dias iniciou operação em abril, reforçando a escala da plataforma.

    – Dexco (DXCO3): Lucro Líquido Ajustado: -24,9% a/a; FCL positivo em R$235 milhões, alavancagem recuando para 2,99x; Madeira com EBITDA recorde; Revestimentos ainda pressionado, mas melhorando

    – Alpargatas (ALPA4): Lucro Líquido +44,8%; Números avançando no Brasil e na maior parte das operações internacionais;

    – Aegea: Lucro Líquido Recorrente: +16,3% a/a; EBITDA recorrente +65,3% a/a; alavancagem em 3,9x com foco em desalavancagem; Reapresentação contábil sem impacto em caixa; acordo de leniência já endereçado; IPO adiado

    – Copa Energia: Lucro líquido recorrente: +27,3% a/a; Alavancagem confortável em 0,5x; Única não-financeira a declarar proventos à Itaúsa no trimestre (R$23 milhões)

    – NTS: Lucro líquido: -10,1% a/a; Desempenho pressionado por vencimento de contrato legado e IGP-M negativo; Contribuição à Itaúsa de R$157 milhões (+87% a/a) via dividendos e variação positiva no valor justo

    Composição da Holding: Itaú continua como âncora, mas diversificação cresce (market cap e/ou valor livro)

    Resultado Individual Gerencial da Itaúsa: Desempenho melhor em todas as investidas não financeiras

    Preço-Alvo e Upside Potencial para Itaúsa (ITSA4)

    Nossa preferência pela Itaúsa não reflete necessariamente uma visão de superioridade estrutural em relação ao Itaú Unibanco, mas sim o entendimento de que, nos preços atuais, a holding oferece uma forma mais eficiente de capturar a tese do banco.

    Além da exposição predominante ao Itaú, a Itaúsa combina:

    • desconto relevante em relação à soma das partes (SOTP);
    • potencial de redução da distorção fiscal da holding;
    • e dividend yield aproximadamente 12% superior ao do próprio ITUB4.

    Com a aprovação da Reforma Tributária e a perspectiva de eliminação da ineficiência fiscal a partir de 2027, acreditamos que o desconto da holding tende a convergir gradualmente para níveis mais razoáveis ao longo dos próximos anos.

    Nosso preço-alvo para a Itaúsa parte do target de R$ 53,00 para ITUB4 e incorpora:

    1. redução do desconto da holding para 15% em relação ao SOTP;
    2. convergência das ações PN da Aegea ao valor implícito das ONs;
    3. continuidade da desalavancagem da holding e melhora do fluxo estrutural de caixa.

    Com essas premissas, chegamos a um preço-alvo de R$ 18,30 para ITSA4, implicando potencial de valorização de aproximadamente 38,0% frente ao último fechamento.

    Desconto de Holding: Upside de ITUB4 + reprecificação da Aegea + fechamento parcial do desconto sustentam o target de ITSA4

    Desconto da Holding: Movimento de fechamento já começou

    O desconto da Itaúsa em relação à sua soma das partes (SOTP) recuou para aproximadamente 18,2%, após ter atingido quase 26% ao longo de 2025. Na nossa leitura, esse movimento já reflete o início da precificação, pelo mercado, do fim da ineficiência fiscal aprovado dentro da Reforma Tributária.

    Ainda assim, o desconto atual permanece acima do intervalo que a própria administração considera razoável — entre 15% e 17% — sugerindo que ainda existe espaço relevante para compressão adicional.

    Parte desse desconto é naturalmente justificável. Ao investir via holding, o acionista passa a carregar:

    • uma camada adicional de custos;
    • menor liquidez relativa;
    • e potenciais ineficiências tributárias e financeiras,

    quando comparado ao investimento direto nas empresas investidas — especialmente no Itaú Unibanco.

    No caso da Itaúsa, porém, conseguimos explicar estruturalmente apenas cerca de 10,3 pp do desconto atual através de fatores efetivamente mensuráveis:

    • 8,3 pp relacionados à ineficiência fiscal;
    • e aproximadamente 2,0 pp associados ao custo operacional da holding.

    Isso implica que os 7,9 pp restantes não possuem uma justificativa estrutural clara na nossa visão, reforçando a assimetria positiva do papel e a possibilidade de continuidade do fechamento do desconto ao longo dos próximos anos, até maior que os 15% mencionados.

    Composição do Desconto: O fim da ineficiência fiscal e reprecificação total da Aegea como catalisadores

    Ineficiência Fiscal (8,3pp): Principal componente do desconto da Holding

    A incidência de PIS/Cofins sobre os juros sobre capital próprio (JCP), agravada pela estrutura em cascata entre IUPAR e Itaúsa, eleva a perda efetiva da holding para aproximadamente 13,2% sobre o valor bruto distribuído, patamar significativamente acima da alíquota nominal de 9,25%.

    Estimamos que essa ineficiência fiscal tenha consumido cerca de R$ 220 milhões apenas no 1T26 e consuma R$ 901 milhões durante o ano.

    Em nossa avaliação, o valor presente dessa distorção fiscal é de aproximadamente R$ 12,4 bilhões, equivalente a cerca de 8,3 pp do valor de mercado atual da Itaúsa — explicando, sozinho, mais da metade do desconto atual da holding em relação à soma das partes.

    A aprovação da Reforma Tributária representa um catalisador estrutural extremamente relevante para a tese, uma vez que elimina integralmente essa ineficiência a partir de 2027.

    Na nossa visão, o mercado ainda não precificou totalmente essa mudança estrutural, o que reforça a tese de continuidade do fechamento gradual do desconto da holding ao longo dos próximos anos.

    Ineficiência Fiscal: Valor presente da distorção ainda explica parte relevante do desconto da Holding

    Custo Operacional (2,0pp): Estrutura leve e progressivamente menos relevante

    Diferentemente da ineficiência fiscal – que deve ser eliminada com a Reforma Tributária a partir de 2027 – o Opex representa um custo estrutural e permanente da existência da holding. Ainda assim, entendemos que seu impacto econômico é relativamente limitado.

    Estimamos que o valor presente das despesas operacionais da Itaúsa seja de aproximadamente R$ 2,9 bilhões, equivalente a cerca de 2,0 pp do valor de mercado atual da companhia.

    Além disso, à medida que:

    • os dividendos das investidas não financeiras cresçam;
    • a holding continue reduzindo alavancagem;
    • e o fluxo estrutural de caixa melhore,

    o peso relativo desse custo tende a se tornar progressivamente menos relevante dentro da tese de investimento.

    Custo Operacional: Valor Presente do Opex

    Fluxo de Caixa da Holding e Subscrição: Convergência gradual, mas ainda insuficiente

    Como a Itaúsa repassa praticamente integralmente os dividendos recebidos do Itaú Unibanco aos seus próprios acionistas, a holding não retém fluxo relevante dessa principal investida para cobrir seus custos estruturais. Isso cria uma dependência relevante dos dividendos provenientes das investidas não financeiras para financiar:

    • a ineficiência fiscal da holding;
    • o Opex;
    • e o resultado financeiro negativo decorrente do endividamento.

    Em 2024 e 2025, esse fluxo ainda permaneceu insuficiente para cobrir integralmente essas despesas estruturais, o que acabou motivando a oferta de subscrição anunciada em fevereiro de 2025.

    Ao longo de 2025, os proventos recebidos das investidas não financeiras avançaram de forma relevante para R$ 822 milhões (+129% a/a), beneficiados tanto pela melhora operacional das investidas quanto por antecipações de dividendos ligadas às discussões sobre aumento da tributação sobre dividendos. Ainda assim, o montante permaneceu abaixo da combinação entre:

    • ineficiência fiscal da holding;
    • despesas operacionais;
    • e resultado financeiro negativo,

    que juntos totalizaram aproximadamente R$ 1,17 bilhão no período.

    Dividendos: Itaúsa oferece prêmio de yield em relação ao Itaú

    A Itaúsa oferece dividend yield projetado de 8,3% – prêmio de 12,2% em relação aos 7,38% estimados para o Itaú – reforçando a holding como a forma mais eficiente de capturar o fluxo de dividendos do banco com maior retorno corrente.

    Dividend Yield: Itaúsa com Prêmio de 12,2% sobre o Itaú

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