Seguimos com a recomendação de MANTER. A teleconferência do 1T26 foi positiva para a tese de PRIO. O principal ponto é que a companhia passou a entregar, de forma concreta, as alavancas que sustentavam a visão construtiva para a ação: Wahoo em produção, Peregrino integrado, lifting cost em um dígito, maior eficiência operacional, recompras ativas e perspectiva de política de dividendos.
O próximo ciclo de valor deve depender menos de anúncios transformacionais e mais da execução fina dos ativos. Os principais gatilhos a monitorar são: i) entrada do 4º poço de Wahoo; ii) comportamento do reservatório e eventual decisão sobre aceleração de produção; iii) resultado da perfuração do Isolado; iv) conclusão do GIP em Peregrino (que deve acabar por reduzir custos); v) closing dos 20% remanescentes de Peregrino; vi) início da nova campanha de Frade; viii) sustentação da eficiência de Albacora Leste acima de 90%; ix) formalização da política de remuneração e outros.
Em resumo, a PRIO parece estar entrando em uma fase de maior escala, menor custo unitário e maior geração de caixa. A tese segue sujeita aos riscos naturais de execução operacional, declínio de campos maduros, volatilidade do Brent e complexidade de Peregrino. Ainda assim, o call reforçou que a companhia tem conseguido transformar projetos em produção, produção em margem e margem em potencial retorno ao acionista. Importante mencionar que utilizamos um brent de US$84-72 para 2026/2027.

Principais pontos discutidos
I) Wahoo: primeiro óleo entregue e próximo gatilho com o 4º poço
O principal destaque da teleconferência foi o início da produção de Wahoo. A PRIO informou que já colocou três poços em operação, com produção de aproximadamente 30k bpde, ou cerca de 10k bpde por poço, em linha (e até ligeiramente acima…) das expectativas iniciais da companhia. O management destacou que a entrega ocorreu de forma consistente, um pouco à frente do cronograma originalmente previsto e sem grandes impactos operacionais sobre o FPSO de Frade.
Para frente, o próximo catalisador é a entrada do 4º poço. A companhia indicou que o poço já está perfurado e completo, com dados de qualidade de rocha e óleo em linha com o esperado. O atraso está relacionado à conexão submarina, após problema pontual no guindaste da embarcação responsável pela instalação. Segundo a administração, não há risco técnico relevante remanescente, e a expectativa é concluir a conexão no fim de maio.
Apesar da produtividade dos poços ter vindo acima do esperado, o management adotou um tom prudente em relação à aceleração da produção. A companhia pretende limitar Wahoo a cerca de 30 mil bpd com três poços e a 40 mil bpd após a entrada do 4º poço, até ter maior visibilidade sobre o comportamento do reservatório. A PRIO também pretende realizar testes de pressão para entender melhor a dinâmica do campo. Essa postura reduz o risco de exaurir o reservatório de forma ineficiente e reforça o foco da companhia em maximizar fator de recuperação, e não apenas antecipar produção em um momento de Brent mais elevado.
II) Peregrino: sinergias capturadas mais rápido do que o esperado
Peregrino foi outro ponto central da teleconferência. A administração destacou que o ativo já está integrado à cultura operacional da PRIO, com captura de sinergias mais rápida do que inicialmente esperada. O campo apresentou eficiência operacional acima de 97% no trimestre, mesmo em um contexto de alto volume de atividades, incluindo workovers, perfuração de novos poços, manutenção e projetos de integridade. Na nossa visão, a mensagem sobre Peregrino foi um dos pontos mais positivos do call. A PRIO afirmou que Peregrino já opera em níveis de custo próximos ao restante da companhia, o que representa uma evolução importante frente ao histórico do campo antes da assunção da operação. Para fins de comparação, o lifting cost de US$9,4/barril é o menor da empresa desde 2023.
Outro vetor relevante é o projeto de importação de gás, o GIP. A companhia indicou que o projeto está praticamente pronto, em fase final de comissionamento, com expectativa de entrada em operação ainda em maio. A conclusão do GIP deve reduzir a queima de diesel para geração de energia no campo, com impacto positivo em custos e emissões. Esse ponto reforça o potencial de queda adicional do lifting cost nos próximos trimestres.
Ainda em Peregrino, a companhia também comentou sobre o closing dos 20% remanescentes. O management indicou que espera concluir essa etapa entre setembro e novembro de 2026.
III) Isolado: potencial opcionalidade adicional em Peregrino
O “Isolado” foi um dos temas mais relevantes do Q&A. A companhia afirmou que a perfuração estava em andamento no momento da teleconferência, com expectativa de obter resultados ao longo da semana. A intenção da PRIO é colocar o poço em produção e realizar um teste para avaliar o comportamento do reservatório. O management se mostrou otimista com a região, mas também ressaltou que será necessário observar a produção inicial e, possivelmente, perfurar outro poço antes de tomar decisões mais definitivas sobre o desenvolvimento.
Do ponto de vista da tese, o Isolado representa uma opcionalidade importante dentro de Peregrino. Caso a perfuração confirme volumes adicionais com produtividade adequada, a área pode contribuir para alongar a vida útil do campo, sustentar o patamar de produção e ampliar a base de reservas recuperáveis. A administração também mencionou que está avaliando o Capex necessário para o desenvolvimento, e que a produção inicial deve ajudar a dimensionar melhor o potencial econômico da oportunidade.
Esse tema deve ser acompanhado de perto, pois pode funcionar como um gatilho relevante para revisão de expectativas de produção e reservas em Peregrino. Ainda assim, a própria companhia adotou uma postura técnica e gradual: primeiro testar, depois avaliar o tamanho da oportunidade e, apenas então, decidir sobre a melhor alternativa de desenvolvimento.
IV) Tieback entre TBMT e Peregrino: estudo ainda em fase inicial
A companhia também foi questionada sobre um possível tieback entre TBMT e Peregrino. A administração afirmou que o estudo está nas mãos da equipe de engenharia e que ainda não há uma conclusão definitiva. O objetivo é detalhar a alternativa o mais rápido possível, mas a decisão dependerá da análise técnica, do Capex necessário e do potencial de produção associado.
Esse projeto ainda parece preliminar, mas faz sentido dentro da lógica histórica da PRIO. Caso avance, o tieback pode gerar sinergias adicionais entre campos próximos, embora ainda seja cedo para incorporar esse potencial de forma material na tese.
V) Frade: licença para 14 novos poços aumenta flexibilidade operacional
A PRIO destacou que obteve licença para perfurar 14 novos poços em Frade. Após a conclusão de um workover em TBMT, a sonda deve ser deslocada para Frade, onde a companhia pretende iniciar uma nova campanha. O management mencionou que há pelo menos dois poços a serem perfurados inicialmente, com múltiplos alvos a serem testados e expectativa de colocar ao menos um poço em produção ainda este ano.
Esse é um ponto relevante porque Frade vinha sendo visto como um ativo em declínio natural, mas a companhia indicou que a recuperação secundária por injeção de água tem ajudado a desacelerar a queda da produção. A nova licença amplia a capacidade da PRIO de administrar o declínio do cluster Valente, preservando a utilização do FPSO e adicionando potenciais barris de alto retorno, dada a infraestrutura já instalada.
Na prática, Frade passa a oferecer uma nova camada de opcionalidade. O campo não deve ser o principal vetor de crescimento da companhia, mas pode ajudar a sustentar produção, melhorar a eficiência do FPSO e complementar a contribuição de Wahoo.
VI) Albacora Leste: eficiência acima de 90% como meta de sustentação
Albacora Leste também foi discutido com tom positivo. A companhia reportou eficiência operacional acima de 95% no 1T26, nível recorde para o ativo. Segundo o management, esse desempenho reflete o trabalho realizado nos últimos trimestres em geração de energia, compressão e confiabilidade operacional.
Apesar do desempenho excepcional no trimestre, a PRIO foi prudente ao indicar que não necessariamente espera sustentar 95% de eficiência de forma recorrente. A meta operacional mais realista é manter eficiência acima de 90%, especialmente com a instalação de novos compressores e aumento da redundância. Esse ponto é importante porque Albacora Leste ainda possui diversas frentes de trabalho e segue sendo um ativo complexo.
Para frente, a companhia está finalizando o desenho detalhado do projeto de redesenvolvimento, incluindo poços, aspectos geológicos e plano de execução. O início desse novo ciclo é esperado para 2027. Caso a PRIO consiga manter eficiência elevada e avançar com o redesenvolvimento, Albacora pode se tornar uma fonte adicional de crescimento, e não apenas um ativo em processo de estabilização.
VII) Lifting cost: tendência ainda favorável no 2T26
A redução do lifting cost foi uma das mensagens mais fortes da teleconferência. A PRIO reportou lifting cost de US$9,4/bbl, retornando ao patamar de um dígito pela primeira vez desde 2023. A administração atribuiu a queda a dois fatores principais: i) entrada de Wahoo, adicionando volumes de baixo custo incremental; e ii) otimização de custos em Peregrino, que já opera em níveis próximos ao restante da companhia.
O ponto mais relevante é que o management indicou que a tendência no 2T26 ainda é de melhora. A companhia terá contribuição mais cheia de Wahoo ao longo do trimestre, entrada do 4º poço e possível redução adicional de custos em Peregrino com a conclusão do GIP. Em outras palavras, a queda do lifting cost no 1T26 não parece ser apenas um evento pontual, mas o início de uma nova base operacional.
Esse é um dos principais vetores de destravamento de valor da tese. Em uma empresa de E&P, a combinação de maior produção e menor custo unitário amplia a geração de caixa, reduz o breakeven e aumenta a resiliência em cenários adversos de Brent. Para PRIO, que vem carregando uma alavancagem mais elevada após Peregrino, a queda do lifting cost acelera a capacidade de desalavancagem e abre espaço para maior retorno de capital.
VIII) Recompras: programa deve acelerar no 2T26
A alocação de capital foi um dos temas mais importantes do Q&A. A PRIO recomprou aproximadamente US$60 milhões em ações no 1T26 e indicou que deve comprar pelo menos o dobro desse montante no 2T26, dependendo das condições de mercado e da liquidez disponível. A administração ressaltou que não pretende “inflar” artificialmente o preço da ação, mas aproveitar janelas em que o valuation pareça atrativo.
A administração também sinalizou que a futura política de remuneração poderá combinar recompras e dividendos. Caso a companhia recompre menos do que o montante considerado adequado ao longo do ano, a diferença poderia ser distribuída como dividendos. Essa abordagem cria um modelo mais flexível de retorno ao acionista, compatível com a volatilidade do setor e com a necessidade de preservar a estrutura de capital.
IX) Política de dividendos: modelo deve combinar Brent e alavancagem
A PRIO também comentou que a política de remuneração aos acionistas deve ser aprovada e submetida ao Conselho ainda no trimestre. A ideia discutida pelo management é criar uma espécie de tabela que combine o preço médio do Brent dos últimos 12 meses com uma meta de alavancagem. Em um cenário de Brent a US$60/bbl, a referência discutida foi dívida líquida/EBITDA de 1,0x; em cenários de Brent mais elevado, a meta de alavancagem poderia ser inferior.
Do ponto de vista de catalisadores, a formalização da política pode ser relevante para a ação. A PRIO vem entrando em uma fase de maior escala, menor lifting cost e maior geração de caixa. Em 2026, destacamos o pagamento da fatia remanescente em Peregrino (>US$1 bilhão) que deve acabar por pesar na possibilidade de distribuição de dividendos. Entretanto, para 2027, dividendos >15%/ano (considerando a atual curva do preço do brent) não pode ser descartada, em nossa leitura. No mais, o investidor precisa ter que mente que a empresa está realizando recompras de ação ao longo deste trimestre – evento esse que não pode ser desprezado por se tratar de uma maneira de remuneração ao acionista.
X) Desalavancagem: meta de 1,0x até o fim de 2027
A companhia encerrou o 1T26 com alavancagem de 2,0x dívida líquida/EBITDA, abaixo dos 2,3x observados no 4T25 e também abaixo do que a própria administração esperava inicialmente. Segundo o management, a queda foi impulsionada por forte resultado operacional, Brent mais alto e baixo lifting cost. A PRIO manteve a indicação de atingir 1,0x dívida líquida/EBITDA até o fim de 2027.
Em nossa leitura, esse guidance é bem conservador se considerarmos a atual curva do preço do brent para 2026. Consideramos que a empresa alcance a relação dívida líquida/EBITDA perto de 1x ainda em 2026 (para maiores informações, leia nosso relatório com atualização de estimativas (Prio (PRIO3) | Quando uma twitada pode mudar tudo! – Atualização de Estimativas!). Entretanto, não consideramos novas recompras e/ou distribuição de dividendos neste ano. Se considerarmos que a empresa já adquiriu US$60 milhões no 1T26 e que pretende adquirir pelo menos US$120 milhões no 2T26, esse endividamento sendo alcançado apenas em 2027 começa a fazer mais sentido. Interessante a empresa seguir recomprando ações mesmo no atual patamar de preços.
XI) Capex: 2026 mais elevado por antecipação de projetos; 2027 deve normalizar
A PRIO indicou que vem antecipando Capex em alguns projetos, incluindo Frade, Arapuçá e o gasoduto de Peregrino. Com isso, o Capex de 2026 deve ficar mais próximo de US$550–600 milhões, acima da ideia inicial de aproximadamente US$500 milhões (vs US$700 milhões em nossas estimativas). A administração destacou que a antecipação decorre de oportunidades operacionais e disponibilidade de infraestrutura, especialmente a utilização da embarcação Amazon em diferentes projetos. Para 2027, o management espera uma normalização do Capex, com algo próximo de US$500 milhões. A composição indicada inclui cerca de US$300 milhões para perfuração de novos poços, US$100 milhões de manutenção e aproximadamente US$100–120 milhões relacionados a Peregrino. (vs c. US$700 milhões em nossos modelos, de acordo com a curva 2P das certificações de reservas)
Sendo assim, observamos esse soft guidance com uma premissa positiva em relação as nossas estimativas. Vamos acompanhar a evolução desse tema para, quem sabe, apropriar em nossos números.
XII) Produção: 200 mil bpd segue como referência, com possibilidade de upside
No fim do call, a companhia foi questionada sobre a possibilidade de encerrar 2026 acima de 200 mil bpd. O management reconheceu que há vetores positivos (entrada do 4º poço de Wahoo, conclusão dos 20% remanescentes de Peregrino, projetos em Frade e Arapuçá) mas manteve a referência de 200 mil bpd como meta mais adequada. A administração destacou que há declínio natural nos ativos e que ainda não seria confortável indicar guidance de 210–220 mil bpd. Sendo assim, nos sentimos confortáveis em manter uma produção esperada de 198k bpde 2026E em nossos modelos.
Ainda assim, o tom foi construtivo. A companhia indicou que tem conseguido antecipar algumas frentes e que pode empurrar o plateau de produção para frente. Em nossa visão, isso reforça a ideia de que o mercado deve monitorar não apenas o nível pontual de produção, mas a capacidade da PRIO de sustentar o patamar próximo de 200 mil bpd ao longo do tempo.

