MBRF

    Ações > Alimentos > MBRF > Relatório > MBRF (MBRF3) | Prévia 4T25: Um trimestre mais fraco, mas sinergias à frente

    Publicado em 13 de Março às 18:40:58

    MBRF (MBRF3) | Prévia 4T25: Um trimestre mais fraco, mas sinergias à frente

    A MBRF divulgará seus resultados do 4T25 em 18/mar, após o fechamento do mercado. O EBITDA Ajustado Consolidado é esperado em R$3.4b Est. (-4,4% t/t; -10,6% a/a), com margem de 7,9% (-0,5p.p. t/t; -1,1p.p. a/a), refletindo uma queda sequencial em grande parte impulsionada pela divisão Marfrig, particularmente na unidade de negócios da América do Norte, onde pressões sazonais típicas e a continuidade da oferta apertada de gado devem pressionar as margens. Para Marfrig, estimamos EBITDA de R$815m Est. (-21,0% t/t; -20,4% a/a), já que o desempenho ligeiramente mais forte na América do Sul deve apenas compensar parcialmente a forte compressão sazonal na operação da América do Norte.

    Para a BRF, projetamos EBITDA de R$2.6b Est. (+2,6% t/t; -7,6% a/a), com a margem comprimindo um pouco para 14,7% (-0,9p.p. t/t; -1,4p.p. a/a), mas ainda acima da média histórica (~12% nos últimos 5A), sustentada por uma dinâmica de top-line mais forte, principalmente no mercado de exportação após a reabertura do mercado chinês a partir de nov/25, mesmo com uma base de custos maior decorrente de um product mix sazonalmente mais pesado, juntamente com custos mais altos relacionados a embalagens e outros insumos de consumo.

    Projetamos Receita líquida consolidada de R$42.6b Est. (+2,0% t/t; +1,6% a/a), principalmente sustentada pela expansão da divisão BRF, que deve atingir R$17.7b Est. (+8,6% t/t; +1,2% a/a), impulsionada por maiores volumes de embarque de 1.4Mt (+4,4% t/t; +5,3% a/a), beneficiando-se da reabertura do mercado chinês e da demanda doméstica resiliente durante a temporada festiva de fim de ano, além de preços de frango mais firmes. Do lado da Marfrig, a Receita líquida é projetada em R$24.8b Est. (-2,8% t/t; +1,3% a/a), refletindo uma dinâmica sequencial mais fraca na América do Norte devido à demanda sazonal por carne bovina e aos custos de gado ainda elevados, parcialmente compensados pelo contínuo ramp-up das operações na América do Sul.

    Dentro da Marfrig, a Receita líquida da América do Norte é estimada em R$18.6b Est. (-6,1% t/t; -0,4% a/a), refletindo menores embarques e leve suavização de preços em meio à desaceleração sazonal típica da demanda por carne bovina nos EUA. Na América do Sul, a Receita líquida deve alcançar R$6.1b Est. (+8,6% t/t; +6,8% a/a), sustentada por maiores exportações, continuidade do ramp-up das plantas brasileiras e pela reintegração dos ativos uruguaios. Por fim, projetamos bottom line consolidadode -R$83m Est. (vs. R$183m no 3T25 e R$2.7b no 4T24), refletindo uma rentabilidade operacional mais fraca e despesas financeiras ainda elevadas.

    Principais Destaques:

    (i) BRF Doméstico: Vendas de 781Kt Est. (+1,0% t/t; -0,1% a/a), sustentadas pela demanda resiliente durante a temporada festiva de fim de ano e pelo consumo doméstico estável; preço realizado de R$12.2/kg Est. (+4,5% t/t; +3,0% a/a), refletindo preços mais fortes de frango e melhora de mix; (ii) BRF Externo: Embarques de 611Kt Est. (+9,0% t/t; +13,0% a/a), impulsionados pela reabertura do mercado chinês e pela demanda sustentada de mercados halal; preço de R$13.4/kg Est. (+3,1% t/t; -12,2% a/a), apoiado por realizações mais firmes em diversos cortes de exportação; COGS/kg de R$9.6/kg Est. (+4,3% t/t; +3,7% a/a), refletindo product mix sazonalmente mais pesado e maiores custos de embalagens e insumos; EBITDA de R$2.6b Est. (+2,6% t/t; -7,6% a/a), com margem de 14,7% (-0,9p.p. t/t; -1,4p.p. a/a), indicando compressão moderada de margens; (iii) América do Norte: Preço realizado de US$7.5/kg Est. (-2,0% t/t; +17,0% a/a), com embarques de 461Kt Est. (-3,3% t/t; -7,9% a/a), refletindo a desaceleração sazonal típica da demanda por carne bovina nos EUA; COGS/kg de US$7.3/kg Est. (-1,0% t/t; +18,6% a/a), ainda pressionado pela oferta apertada de gado; EBITDA de US$31m Est. (-58,7% t/t; -50,3% a/a), com margem de 0,9% (-1,1p.p. t/t), indicando compressão sazonal dos spreads; (iv) América do Sul: Embarques de 299Kt Est. (+2,6% t/t; +10,4% a/a), sustentados pelo ramp-up das plantas brasileiras e pela reintegração dos ativos uruguaios; preço realizado de R$20.6/kg Est. (+5,9% t/t; -3,2% a/a); COGS/kg de R$17.2/kg Est. (+5,6% t/t; -1,6% a/a), ainda pressionado pelos custos do gado de ~R$317/arroba (+4% t/t); EBITDA de R$649m Est. (+3,4% t/t; -2,1% a/a), com margem de 10,6% (-0,5p.p. t/t), permanecendo em nível saudável de dois dígitos; (v) Receita líquida de R$42.6b Est. (+2,0% t/t; +1,6% a/a), sustentada por uma dinâmica mais forte de top-line na BRF após a reabertura do mercado chinês, parcialmente compensada por um desempenho sequencial mais fraco na Marfrig América do Norte; (vi) EBITDA de R$3.4b Est. (-4,4% t/t; -10,6% a/a), com margem de 7,9% (-0,5p.p. t/t; -1,1p.p. a/a), refletindo a compressão sazonal na Marfrig América do Norte, parcialmente compensada pelo desempenho resiliente da BRF; (vii) Assim, mesmo reconhecendo os riscos cíclicos associados aos segmentos de frango e alimentos processados, acreditamos que os vetores de valor provenientes da fusão ainda não estão totalmente refletidos no preço, mantendo o case coerente e ainda descontado. Dessa forma, mantemos nossa recomendação de COMPRAR, com Target Price 12M de R$23,00, implicando upside de +35,3%.

    MBRF3 4T25 Prévia: No detalhe!

    BRF — Doméstico: Vendas praticamente estáveis, preços mais altos

    Estimamos embarques domésticos de 781Kt Genial Est. (+1,0% t/t; -0,1% a/a), indicando volumes praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior e ao ano passado. O desempenho deve permanecer sustentado por uma demanda sólida durante a temporada festiva de fim de ano (Natal e Ano Novo), que tipicamente sustenta o consumo de alimentos processados e de frango, mesmo diante de sinais de desaceleração mais ampla no varejo em outras categorias. Acreditamos que a demanda por proteína tenha permanecido relativamente resiliente frente ao enfraquecimento observado em segmentos discricionários, mantendo os volumes amplamente em linha com o trimestre anterior.

    Em relação aos preços, nosso modelo aponta para um preço realizado de R$12.2/kg Genial Est. (+4,5% t/t; +3,0% a/a), refletindo um aumento sequencial relevante que deve ser sustentado principalmente por preços mais fortes de frango no mercado doméstico, com os preços do frango resfriado CEPEA/ESALQ subindo +9% t/t, contribuindo para um ambiente de preços mais firme. Além disso, a reabertura do mercado chinês deve ter permitido que parte do mix voltado à exportação retornasse a níveis mais normalizados, reduzindo a necessidade de redirecionar cortes de menor valor para o mercado doméstico e, portanto, sustentando melhores realizações médias.

    BRF — Externo: Reabertura do mercado chinês sustenta volumes e preços

    Estimamos embarques externos de 611Kt Genial Est. (+9,0% t/t; +13,0% a/a), refletindo uma recuperação sólida nos volumes de exportação. De acordo com nossa análise, esse desempenho deve ser principalmente impulsionado por uma demanda mais forte da Ásia após a reabertura do mercado chinês a partir de nov, juntamente com embarques sustentados para mercados halal no Oriente Médio. Observamos que essa dinâmica também é consistente com dados da SECEX, que indicam exportações brasileiras de frango em alta de +11% t/t, reforçando o momento positivo que esperamos para as vendas internacionais da BRF.

    Do lado dos preços, nosso modelo aponta para um preço realizado de R$13.4/kg Genial Est. (+3,1% t/t; -12,2% a/a), indicando uma melhora sequencial reforçada por preços mais firmes em diversos cortes de frango no mercado de exportação (particularmente asas, pés, frango inteiro e coxa/sobrecoxa), que apresentaram realizações mais fortes em USD durante o trimestre, apesar da queda de -1% t/t no USD/BRL FX. A principal exceção deve ser a Turquia, onde um forte aumento na oferta doméstica pressionou os preços locais e resultou em desempenho mais fraco. Ainda assim, acreditamos que o portfólio mais amplo de exportações deve permanecer sustentado por condições de demanda mais saudáveis na maioria dos mercados internacionais.

    BRF — Consolidado: Leve compressão de margem t/t

    Projetamos COGS/kg de R$9.6/kg Genial Est. (+4,3% t/t; +3,7% a/a), indicando aumentos tanto sequenciais quanto anuais. Segundo nossa análise, embora os preços dos grãos tenham subido durante o trimestre — com soja +1% t/t e milho +5% t/t — o impacto sobre a base de custos da companhia deve ser parcialmente mitigado por estoques de grãos adquiridos anteriormente a preços mais favoráveis. Ainda assim, outros vetores de custo devem anular parte desse benefício.

    Em particular, (i) o product mix sazonalmente mais pesado durante a temporada festiva de fim de ano (mais caro de produzir, como alimentos processados especiais), juntamente com (ii) custos mais elevados relacionados a embalagens e outros insumos de consumo, devem contribuir para pressão de alta nos custos. Além disso, a hiperinflação na Turquia deve afetar negativamente os custos consolidados quando convertidos para BRL.

    Diante dessa dinâmica, estimamos EBITDA Ajustado de R$2.6b Genial Est. (+2,6% t/t; -7,6% a/a), com margem recuando para 14,7% (-0,9p.p. t/t; -1,4p.p. a/a). Em nossa visão, embora devamos observar uma compressão de margem, a melhora sequencial do EBITDA nominal deve ser impulsionada principalmente por uma dinâmica mais forte de top-line, já que tanto os volumes consolidados quanto os preços realizados são projetados em alta no trimestre, especialmente sustentados pela divisão externa.

    Marfrig — América do Norte: Compressão sazonal de margens

    Nosso modelo aponta para um preço realizado de US$7.5/kg Genial Est. (-2,0% t/t; +17,0% a/a), com embarques atingindo 461Kt Genial Est. (-3,3% t/t; -7,9% a/a), refletindo a sazonalidade típica de fim de ano na demanda por carne bovina nos EUA. Em nossa visão, sequencialmente, os preços de venda da carne bovina devem ter recuado levemente, em linha com a queda observada no indicador de preço médio USDA Comprehensive, o que deve ter limitado a capacidade da companhia de repassar integralmente os maiores custos de insumos.

    Do lado dos custos, o ambiente operacional permanece pressionado pela oferta restrita de gado nos EUA, com o rebanho ainda próximo de mínimas históricas segundo dados do USDA, sustentando preços elevados do live cattle. Ainda assim, observamos uma leve acomodação dessa pressão, com queda nos preços do USDA KS Steer devido a uma disponibilidade relativamente maior de gado em comparação ao 3T25.

    Dessa forma, projetamos COGS/kg de US$7.3/kg Genial Est. (-1,0% t/t; +18,6% a/a), recuando ligeiramente na comparação sequencial, mas ainda em patamar bastante elevado frente ao ano anterior. Diante dessa dinâmica, o EBITDA é esperado em US$31m Genial Est. (-58,7% t/t; -50,3% a/a), com margem comprimindo para 0,9% (-1,1p.p. t/t; -1,0p.p. a/a), em linha com a sazonalidade negativa típica observada nos 4Ts para processadores de carne bovina nos EUA.

    Marfrig — América do Sul: Ramp-up, mas com pressão de custos do gado

    Esperamos embarques de 299Kt Genial Est. (+2,6% t/t; +10,4% a/a), com leve alta sequencial, refletindo (i) o ramp-up contínuo das plantas no Brasil, (ii) a consolidação de maiores taxas de utilização ao longo da região e (iii) níveis elevados de exportação, conforme observado nos dados da SECEX no Brasil, mesmo com a imposição de tarifas pela administração Trump. Na base anual, a expansão de dois dígitos também deve refletir a reintegração das plantas do Uruguai às operações contínuas (realizada no trimestre anterior), o que ajudou a sustentar níveis mais altos de produção e ganhos de escala.

    Em termos de preços, projetamos um preço realizado de R$20.6/kg Genial Est. (+5,9% t/t; -3,2% a/a), sustentado por fundamentos ainda firmes no mercado de exportação e por uma demanda relativamente resiliente por carne bovina nos mercados da América do Sul, com a companhia encerrando 2025 com ~R$22b Est. de receita (+18% a/a).

    Do lado dos custos, estimamos COGS/kg de R$17.2/kg Genial Est. (+5,6% t/t; -1,6% a/a), indicando pressão contínua dos preços do gado nas principais regiões, particularmente no Brasil, onde observamos aumento para R$317/arroba (+4% t/t). Assim, acreditamos que, embora níveis mais elevados de vendas permitam alguma diluição de custos fixos, a tendência de alta nos custos de aquisição de gado provavelmente deve pressionar a rentabilidade. Como resultado, esperamos EBITDA de R$649m Genial Est. (+3,4% t/t; -2,1% a/a), com margem recuando levemente para 10,6% (-0,5p.p. t/t; -1,0p.p. a/a). Mesmo com essa compressão sequencial moderada, a rentabilidade deve permanecer em um nível saudável de dois dígitos.

    Nossa visão e recomendação

    FCF em queda e alavancagem em alta

    Esperamos que a companhia reporte FCF de R$10m Est. (-94% t/t; -99% a/a), refletindo uma forte queda tanto na base sequencial quanto anual, principalmente impulsionada por (i) maiores desembolsos de CAPEX, estimados em R$1.9b Est. (+3% t/t; +36% a/a), dado o esperado nível contínuo de investimentos em manutenção nas operações de gado na América do Norte e América do Sul; (ii) maiores despesas com juros e também (iii) um FCO menor, que deve atingir R$3.3b Est. (estável t/t; -24% a/a).

    Em termos de alavancagem, assumimos que a companhia reportará aumento na razão Dívida Líq./EBITDA para 3,3x Est., em BRL (+0,2x t/t; +0,5x a/a), com alta sequencial devido a um aumento esperado da dívida líquida, impulsionado pela valorização do câmbio USD/BRL EoP para R$5,50 (vs. R$5,32 no 3T25), o que deve elevar a dívida em moeda estrangeira quando convertida para BRL; além de uma queda no EBITDA LTM, estimado em R$13b Est. (-3% t/t).

    Alavancagem: Desalavancagem em ritmo lento no curto prazo

    Avaliamos que a alavancagem permanece uma preocupação recorrente para os investidores, refletindo o balanço consolidado após a integração de Marfrig e BRF, combinado com níveis mais elevados de CAPEX e distribuição de dividendos durante o processo de fusão. No curto prazo, esperamos que a alavancagem permaneça relativamente estável ao longo de 2026 (3,3–3,5x), já que a geração de EBITDA deve permanecer amplamente similar aos níveis de 2025, considerando a suavização dos ciclos de proteína frente aos ganhos de EBITDA provenientes de sinergias, o que limita o espaço para uma redução mais significativa apenas por meio da performance operacional.

    Como resultado, entendemos que o foco do management ao longo do próximo ano deve permanecer em iniciativas de liability management, buscando oportunidades para otimizar o perfil da dívida e reduzir custos financeiros sempre que possível. No entanto, ressaltamos que o principal vetor estrutural de desalavancagem será a recuperação do ciclo da carne bovina na América do Norte, particularmente por meio da operação National Beef. À medida que as margens da indústria melhorem mais adiante (2027–2028), o negócio deve voltar a apresentar um perfil mais robusto de geração de FCF.

    Nesse momento, uma geração mais forte de EBITDA proveniente da plataforma de carne bovina nos EUA poderia acelerar de forma relevante a redução da dívida, potencialmente levando a alavancagem para ~2x Dívida Líq./EBITDA (28E), saindo do patamar atual próximo de 3x.

    Conflito no Oriente Médio: Impacto positivo em preços vs. custos logísticos

    É possível que o conflito envolvendo o Irã traga benefícios de curto prazo para a MBRF, potencialmente sustentando preços e volumes mais elevados, embora riscos logísticos permaneçam caso as disrupções se prolonguem. O Oriente Médio representa ~5% da receita líquida da companhia, mas pode atingir 8–10% do EBITDA 26E, refletindo sua crescente relevância estratégica. A companhia depende fortemente do Estreito de Ormuz como rota logística para a região, embora os impactos até o momento tenham sido limitados.

    Se as interrupções forem temporárias, (i) preços domésticos mais firmes e (ii) o maior nível de estoques da companhia podem favorecer o desempenho operacional. Por outro lado, (iii) um conflito prolongado poderia elevar custos de frete e exigir rotas alternativas, pressionando margens no médio prazo.

    BRF: Momento ainda forte apesar da pressão na Turquia

    Dentro do portfólio internacional, a Turquia permaneceu como o principal destaque negativo, refletindo um ambiente operacional significativamente mais desafiador em 2025 em comparação com o forte desempenho observado em 2024. O mercado de frango turco registrou um aumento relevante na oferta local (~+11% a/a), levando a um excesso de disponibilidade doméstica e pressão de queda sobre os preços. Como a maior parte da produção no país é consumida internamente — com apenas ~25–30% exportado — o excesso de oferta se traduziu diretamente em menor rentabilidade, especialmente no final do ano, quando o 4T25E provavelmente se tornou particularmente desafiador para a operação.

    Olhando à frente, no entanto, vemos um cenário ainda construtivo para a BRF entrando em 2026. Entre os principais catalisadores estão (i) a retomada das exportações para a China a partir do Rio Grande do Sul, o que deve impulsionar o embarque de cortes de maior valor, como asas e pés, bem como (ii) a reabertura do mercado europeu sob o regime de pre-approval listing, permitindo que a companhia volte a vender peito de frango para um destino premium após vários anos de ausência. Esses fatores devem vir acompanhados de (iii) demanda forte em mercados-chave (incluindo Japão, Europa e China) e do aumento do spread de preços entre frango e carne bovina, favorecendo o trade-down de consumo (substituição de carne vermelha por frango).

    Especificamente na Turquia, a companhia continuará buscando maior diversificação de exportações e maior participação de produtos processados, que têm mostrado margens mais estáveis e devem ajudar a mitigar ao longo do tempo o impacto do excesso de oferta local.

    América do Norte: Ciclo estabilizando em 26E, com recuperação a partir de 27E

    Esperamos que 2026 permaneça semelhante a 2025 para a operação de carne bovina na América do Norte, com o ciclo ainda em sua fase final negativa. Embora as margens possam apresentar melhora marginal, o perfil geral de rentabilidade deve permanecer próximo dos níveis atuais, refletindo o ambiente de oferta restrita de gado nos EUA. Avaliamos que as margens podem se aproximar de ~2%, ligeiramente acima do nível de ~1,5% discutido anteriormente, embora o 1T26E deva permanecer mais fraco devido a um cut-out mais baixo no início do ano.

    Além disso, vale destacar que concorrentes como a Tyson reportaram resultados mais pressionados, reforçando o ambiente operacional desafiador em todo o setor. Ao mesmo tempo, ajustes de capacidade na indústria — particularmente por parte da Tyson, mas também de players como Cargill e JBS — devem gradualmente reduzir a pressão de oferta e sustentar os spreads da carne bovina ao longo do tempo. Combinados com uma demanda ainda resiliente por carne bovina no mercado norte-americano, esses ajustes podem permitir uma melhora modesta ao longo de 2026, embora o ano ainda deva se assemelhar a 2025 em termos de rentabilidade.

    Olhando mais adiante, continuamos vendo uma inflexão mais significativa a partir de 2027, quando o ciclo do gado nos EUA deve começar a se normalizar. Nesse estágio, espera-se que as margens da indústria retornem para níveis históricos de meio de ciclo, potencialmente em ~6–7%, com uma recuperação mais forte mais provável se aproximando de 2028.

    América do Sul: Volumes de exportação devem permanecer fortes

    É importante destacar (i) a melhora na utilização das plantas na América do Sul, com ganhos de escala, e (ii) a continuidade da otimização das operações como principais vetores. Em paralelo, o mix de portfólio continuou evoluindo, com maior participação de produtos processados em relação aos anos anteriores, reforçando a estratégia de ampliar a exposição a produtos de maior valor agregado dentro da divisão. O desempenho das exportações também surpreendeu positivamente, com dezembro registrando um resultado a/a particularmente forte, apesar das preocupações relacionadas às tarifas impostas pela administração Trump, estendendo a tendência recente de volumes recordes de exportação de carne bovina brasileira.

    Olhando à frente, esperamos que as exportações continuem crescendo em 2026, sustentadas principalmente pela oferta mais restrita de gado no Brasil. Nossas estimativas para o rebanho brasileiro sugerem um potencial de queda de -7% a/a 26E, o que deve restringir a disponibilidade doméstica. Nesse contexto, frigoríficos com licenças de exportação tendem a priorizar mercados externos, onde a realização de preços em USD tende a ser mais atrativa.

    Como resultado, vemos uma realocação natural da produção para exportações, especialmente se os preços internacionais da carne bovina continuarem subindo ao longo do ano. Outro fator que reforça essa visão é o teto esperado de preços no mercado doméstico, que pode limitar a capacidade de repasse integral do aumento dos custos do gado no Brasil. Em contraste, os mercados internacionais podem oferecer uma dinâmica de preços mais favorável, incentivando produtores a direcionar uma parcela maior da produção para exportação.

    Sadia Halal JV: Plataforma estratégica e opcionalidade de IPO

    Em nossa última conversa com a companhia, foi informado que o fechamento da operação para JV Sadia Halal ainda depende de aprovações regulatórias finais, com a conclusão esperada para o início de 2026. A transação amplia a parceria com o Public Investment Fund (PIF) da Arábia Saudita, por meio de sua subsidiária Halal Products Development Company (HPDC), consolidando todas as operações halal da MBRF no Oriente Médio e Norte da África (MENA) em uma única plataforma.

    Do ponto de vista estratégico, 2025 foi um ano-chave para o fortalecimento da liderança da companhia no Oriente Médio, marcado por diversas iniciativas na região: (i) o lançamento da JV Addoha para produção local de frango fresco, (ii) a expansão da parceria com a HPDC por meio da plataforma Sadia Halal, e (iii) investimentos contínuos, como a planta greenfield de alimentos processados na região. Os ativos transferidos para a JV geraram ~US$2.1b em receita e US$230m em EBITDA (LTM jun/25), implicando um múltiplo de entrada de ~9x EV/EBITDA. Após a finalização da estrutura, a MBRF manterá 70% de participação controladora, enquanto a HPDC reinvestirá capital para restaurar sua participação de 30%.

    Do ponto de vista operacional, a estrutura inclui um acordo de fornecimento renovável de 10A, no qual as plantas brasileiras venderão frango e produtos processados para a Sadia Halal a custo + ~5%, garantindo estabilidade de margens nos fluxos de exportação e reforçando o papel da plataforma como porta de entrada para o mercado halal. Sob a ótica estratégica, a JV também é vista como um potencial plataforma de mercado de capitais, com a possibilidade de um IPO por volta de 2027, frequentemente discutida por investidores. Embora a comunicação oficial tenha sugerido potenciais múltiplos de saída acima dos níveis atuais de entrada, o principal racional de investimento está menos em arbitragem financeira de curto prazo e mais na capacidade de escalar a plataforma halal.

    Um trimestre mais fraco, mas sinergias à frente

    Nesta prévia, atualizamos nosso modelo para incorporar as sinergias operacionais esperadas da fusão entre Marfrig e BRF, que estimamos totalizar ~R$1.0b acumulados nos próximos 3A (R$608m 26E, R$313m 27E e R$83m 28E), de acordo com as iniciativas de eficiência anunciadas pela companhia. Esses ganhos devem vir principalmente de (i) otimização da cadeia de suprimentos (R$470m); (ii) reestruturação organizacional (R$231m); e (iii) eficiência comercial e logística (R$230m), sendo que a maior parte do impacto deve ocorrer no lucro bruto (~63%), enquanto o restante deve refletir em SG&A (~37%).

    Na prática, a incorporação dessas sinergias em nossas estimativas ajuda a mitigar a compressão de margens esperada para este ano (-0,5% a/a 26E vs. -2,5% sem sinergias), especialmente em um contexto no qual a maior parte das unidades de negócio da companhia entra em uma fase mais fraca de seus respectivos ciclos de proteína. Ainda assim, a compressão de margens da BRF após o pico observado em 2024 (14,7% no 4T25E; -1,4p.p. a/a) continua sendo um ponto de atenção, uma vez que a MBRF permanece altamente dependente do ciclo do frango (estimamos que 77% do EBITDA consolidado no 4T25E venha da BRF).

    Em nossa visão, o mercado ainda parece precificar uma deterioração de margens mais acentuada vs. o que indica por nosso modelo, possivelmente subestimando os ganhos potenciais da integração operacional entre as duas companhias (Marfrig + BRF). Assim, mesmo reconhecendo os riscos cíclicos associados aos segmentos de frango e alimentos processados, acreditamos que os vetores de valor provenientes da fusão ainda não estão totalmente refletidos no preço, mantendo o case coerente e ainda descontado. Dessa forma, mantemos nossa recomendação de COMPRAR, com Target Price 12M de R$23,00, implicando upside de +35,3%.

    Acesse o disclaimer.

    Leitura Dinâmica

    Recomendações

      Vale a pena conferir