O que esperar do 2T26? O trimestre deve trazer uma mudança relevante na principal variável da indústria: o preço do Brent. Este trimestre foi marcado por forte volatilidade e por um choque temporário de oferta associado às tensões no Oriente Médio e às restrições no Estreito de Hormuz – e o 2T26 deve pegar esse movimento “na veia”. Segundo a EIA, o Brent atingiu um pico recente em abril de 2026 e, embora ainda tenha permanecido em patamar elevado no trimestre, recuou para uma média de US$85/barril em junho. Na média mensal, o Brent ficou em US$117,3/barril em abril, US$107,1/barril em maio e US$85,4/barril em junho, implicando média trimestral próxima de US$103/barril no 2T26.
Do lado cambial, o real se valorizou em relação aos níveis observados em 2025: a taxa média USD/BRL do 2T26 ficou em aproximadamente R$5,05/US$, com médias mensais de R$5,05 em abril, R$4,99 em maio e R$5,13 em junho. Assim, esperamos que os resultados do 2T26 sejam positivamente impactados pelo Brent substancialmente mais alto, embora parcialmente compensados por um câmbio médio mais apreciado e pela normalização gradual do mercado de petróleo ao longo do trimestre.
Nem tudo é festa. Apesar dos fundamentos construtivos, é importante mencionar outro fator que deve compensar o nosso discurso otimista com preço do brent: tributação dos 12% sobre exportação de petróleo. Entendemos que o case mais exposto a essa nova tributação é o da Prio, o que deve acabar por remover parte do brilho que a empresa teria nesse trimestre.
Petrobras (PETR4) | Recomendação Manter – Preço Alvo: R$50/ação
A companhia deve reportar seus resultados do 2T26 em 04/08, após o fechamento do mercado, com conference call marcada para 05/08. Temos uma leitura construtiva para o trimestre, sustentada por uma combinação de Brent em patamar significativamente mais alto, produção recorde e maior eficiência operacional, ainda que parcialmente compensada por câmbio mais apreciado e eventuais impactos da tributação sobre exportações de petróleo. Do ponto de vista operacional, a Petrobras reportou produção própria média de 3,3 milhões de boe/d no 2T26, avanço de impressionantes 14,1% a/a e 3,4% t/t, com destaque para o pré-sal, que atingiu 2,78 milhões de boe/d, e para Búzios, impulsionado pela entrada da P-79 em maio e pelo ramp-up de novas unidades e poços produtores. A companhia também colocou em operação 10 novos poços produtores no trimestre, reforçando a trajetória de crescimento de volumes e diluição de custos. No downstream, o fator de utilização das refinarias permaneceu elevado, com maior participação de derivados próprios e menor necessidade de importações, o que deve favorecer margens e geração operacional. Para o 2T26, aplicando a fórmula de dividendos (45% fluxo de caixa operacional – investimentos), encontramos um dividendo potencial de até R$1,1/ação.
Prio (PRIO3) | Recomendação Manter – Preço Alvo: R$72/ação
A companhia deve reportar seus resultados do 2T26 em 04/08, após o fechamento do mercado, com conference call marcada para 05/08. Temos uma leitura construtiva para os resultados do trimestre, que devem refletir uma combinação de Brent significativamente mais alto, maior contribuição de Peregrino, avanço operacional de Wahoo e, finalmente, o novo patamar do brent. Ao longo do trimestre, Wahoo avançou com a entrada em operação de novos poços produtores, incluindo o terceiro poço em abril e o quarto poço em junho, completando a abertura dos poços previstos no projeto e estabilizando a produção adicional em cerca de 40 mil barris por dia. No lado negativo, como mencionado anteriormente, vemos o impacto da taxação de 12%
Brava (BRAV3) | Recomendação Comprar – Preço-alvo: Em revisão
A Brava deve reportar seus resultados do 2T26 no próximo dia 06/08. Temos uma leitura neutra para o resultado, apesar de uma dinâmica operacional melhorando na margem. A companhia reportou produção média de 81,7 mil boe/d no 2T26, alta frente aos 76,0 mil boe/d do 1T26, mas queda de 5% a/a, com junho atingindo 84,5 mil boe/d.A melhora sequencial foi impulsionada principalmente por Papa-Terra, Parque das Conchas e pela retomada gradual da Bacia Potiguar, enquanto Atlanta ainda pressionou a produção na margem. Além disso, o Brent médio substancialmente mais alto no 2T26 deve mais do que compensar parte dos efeitos negativos de menor produção a/a e do câmbio mais apreciado, embora os hedges limitem a captura integral da alta da commodity.
No newsflow operacional, destacamos a antecipação da parada programada de Papa-Terra para a segunda quinzena de julho, com duração estimada de até 12 dias, medida que busca alinhar a manutenção à campanha de perfuração e preparar o ativo para receber a produção dos novos poços PPT-52 e PPT-53. Também vemos como positiva a continuidade da campanha de perfuração em Papa-Terra e Atlanta, com foco em destravar produção adicional a partir do 4T26 e 2027. Do lado negativo, é importante mencionar não apenas o impacto marginal da exportação do petróleo
Petrorecôncavo (RECV3) | Recomendação Manter – Preço-alvo: R$16,5/ação
A Petrorecôncavo deve reportar seus resultados do 2T26 no dia 06/08, com apresentação pública prevista para 07/08. Temos uma leitura neutra para o trimestre. A companhia encerrou o 2T26 com produção média de aproximadamente 24,1 mil boe/d, praticamente estável em relação ao 1T26, mas ainda abaixo dos patamares observados no ano anterior. Em junho, a produção média foi de 24,1 mil boe/d, alta de 0,8% m/m, impulsionada principalmente por maior produção no campo de Tiê e por projetos de workover, com melhora no Ativo Bahia e estabilidade no Ativo Potiguar. Ainda assim, a entrega de gás foi impactada pela parada programada de manutenção na UPGN Guamaré, com duração de 21 dias, levando a companhia a complementar parte do suprimento contratado por meio de compras no mercado spot. Do ponto de vista de tese, seguimos sem esperar grandes surpresas no trimestre: a produção permanece relativamente estável, os ganhos de Brent mais elevado devem ser parcialmente compensados por câmbio mais apreciado e pela menor diluição operacional, e a companhia continua priorizando disciplina de capital, geração de caixa e manutenção da produção.

