Esperamos um 2T26 de lucro praticamente estável para o Itaú (ITUB4). A receita total — que soma a margem financeira, as receitas de prestação de serviços e o resultado de seguros — deve crescer +2,8% t/t, puxada pela retomada da margem financeira com clientes, mas o avanço não chega integralmente ao resultado final. Estimamos lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões, alta de +0,4% t/t e de +7,2% a/a — uma desaceleração ante o crescimento anual de +10,4% reportado no 1T26.
Projetamos ROE de 24,1% (-0,7 pp t/t; +0,8 pp a/a). A leve acomodação sequencial reflete a expansão do patrimônio líquido (+4,5% t/t) em ritmo superior ao do lucro, e não uma perda de qualidade operacional. Seguimos confiantes na manutenção da rentabilidade em patamar bem acima dos pares incumbentes, sustentada pela disciplina de custos e por uma originação concentrada em linhas com garantia, que preserva a qualidade dos ativos. Reiteramos COMPRA, com preço-alvo de R$ 53,00.
O trimestre deve ser de composição em transição, mais do que de mudança de patamar. Do lado positivo, a margem financeira com clientes retoma o crescimento após um 1T sazonalmente fraco, o custo do crédito evolui no mesmo ritmo da carteira, sem deterioração relativa, além de vermos uma desaceleração nas despesas não decorrentes de juros. Na direção oposta, as receitas de serviços seguem fracas, principalmente por um mercado de capitais em modo de espera pelas eleições presidenciais.
Para o ano de 2026, a leitura da companhia não mudou — o lucro de R$ 51 bilhões segue de pé —, mas a distribuição ao longo dos trimestres, sim: boa parte do resultado de operações estruturadas (quase-equity) que foram distribuídas ao longo dos trimestres no ano passado, deve se concentrar no 4T26, com o banco buscando antecipar parte dele para o 3T26.
Os principais vetores do trimestre são:
- Carteira de Crédito: Crescimento Seletivo com Troca de Mix. Projetamos carteira ampliada de R$ 1,50 trilhão (+0,9% t/t; +7,7% a/a). A originação mais fraca em Grandes Empresas deve ser compensada pelo maior volume em Pequenas e Médias Empresas, enquanto Pessoa Física evolui em linha.
- NII Clientes: Retomada após o Trimestre Sazonal. Estimamos que as receitas de juros com clientes (NII Clientes) alcance R$ 32,2 bilhões (+2,4% t/t; +4,1% a/a), recuperando-se do 1T26, que havia sido pressionado pelo menor capital de giro após a antecipação do pagamento de dividendos no fim de 2025.
- NII Mercado: Estabilidade. Projetamos um ganho de tesouraria (NII Mercado) R$ 820 milhões, praticamente inalterado ante o 1T26 (+0,0% t/t; -4,4% a/a). A tesouraria não deve repetir a contribuição incremental do trimestre anterior, mas também não deve recuar.
- Custo do Crédito: Cresce em Linha com a Carteira. Esperamos R$ 10,2 bilhões (+2,2% t/t; +7,7% a/a), acompanhando a expansão da carteira. A inadimplência de Pessoa Física deve seguir estável, com pressão pontual em consignado privado e imobiliário, enquanto a exposição a Grandes Empresas segue com provisionamento robusto.
- Receitas com Serviços e Seguros: Rodando no Piso do Guidance. Projetamos R$ 14,6 bilhões (+4,0% t/t; +7,3% a/a) para as receitas de serviços e seguros. As receitas de prestação de serviços seguem fracas, crescendo perto de 5% a/a: o trimestre começou devagar, a recuperação só se desenhou em junho e as taxas de performance de fundos contribuíram pouco, em linha com a indústria. O resultado de seguros segue como a parte mais forte da linha.
- Despesas Não Decorrentes de Juros: Convergindo para o Ponto Médio do Guidance. Projetamos R$ 16,8 bilhões (+3,8% t/t; +3,6% a/a), com o crescimento anual desacelerando dos cerca de 4,5% observados no início do ano para o ponto médio do intervalo.
- Imposto: Alíquota Efetiva Mais Alta no Trimestre. Assumimos alíquota efetiva de 29,5%, ante 28,2% no 1T26. O avanço da alíquota explica o lucro líquido crescer menos que o resultado antes da tributação — +0,4% t/t contra +2,3% t/t —, sem relação com piora operacional.
Prévia 2T26: Trimestre Sem Grandes Surpresas



