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    Publicado em 05 de Maio às 21:32:41

    Prio (PRIO3) | Resultado 1T26: Mais Volume & Melhor Preço do Brent!

    Conclusão

    Seguimos com a recomendação de MANTER. A PRIO reportou um 1T26 forte, que reforça a transição da companhia para um novo patamar operacional. O resultado confirma três pilares centrais da tese de PRIO: I) Wahoo começa a se transformar de projeto em produção efetiva; II) Peregrino passa a capturar sinergias mais rapidamente após a assunção da operação; e III) os ativos maduros operados pela companhia, especialmente Albacora Leste e Bravo, mostram maior estabilidade operacional. Em termos de equity story, o trimestre reduz o risco de execução percebido para 2026 e reforça a visibilidade de desalavancagem, geração de caixa e crescimento de produção ao longo dos próximos trimestres. Vemos a empresa negociando a 3,6x EV/EBITDA 26E – entretanto, usando como premissa um brent normalizado de apenas US$85/2026 vs US$115 no spot. Vamos avaliar a escalada do conflito EUA vs Iran e tentar entender se vale a pena mudar a recomendação do papel.

    Detalhamento Resultado 1T26

    Receita. A receita total atingiu US$ 1,2 bilhão no 1T26, alta de 67% a/a, impulsionada pelo aumento de 45% no volume vendido e pelo avanço de 5% no Brent médio entre os períodos. A composição da receita também mostra a nova escala da companhia: Peregrino respondeu por 44,7% da receita total, Albacora Leste por 24,4%, cluster Valente por 22,0% e cluster Bravo por 8,9%. O ponto de atenção permanece no desconto realizado: o preço médio Brent de referência foi de US$ 83,5/bbl, enquanto o preço equivalente FOB foi de US$ 75,34/bbl, resultando em desconto consolidado de US$ 8,15/bbl, acima dos US$ 7,73/bbl do 4T25. A maior participação de Peregrino nas vendas, aproximadamente 50% do volume comercializado, explica boa parte desse desconto, dado o perfil mais pesado do óleo do ativo.

    Produção, vendas e preços realizados: 2T26 vai ser ainda melhor! A produção média consolidada foi de 155,4 mil bpd, crescimento de 42% a/a, enquanto as vendas atingiram 14,8 milhões de barris, avanço de 45% a/a e 40% t/t. O volume vendido foi distribuído entre Peregrino, com 7,2 milhões de barris, cluster Valente, com 3,3 milhões de barris, Albacora Leste, com 3,2 milhões de barris, e cluster Bravo, com 1,1 milhão de barris. O grande destaque veio do Cluster Valentes (Frade + Wahoo) com a tão aguardada entrada operacional de três dos quatro campos produtores de Wahoo (o último poço produtor deve entrar em operação ainda em Maio). Em relação aos drivers de valor da empresa, é importante citar que os dados de produção referentes a Abril/26 já foram divulgados (para maiores informações, clique aqui – Prio (PRIO3) | Dados de Produção Abr/26 – Recorde de Produção!) e a empresa já está produzindo 172k bpd mesmo em meio a uma série de paradas técnicas ao longo do mês. Além disso, o preço médio do brent em abril está em impressionantes US$115/barril vs o preço de referência de US$83/barril no 1T26. Sendo assim, esperamos números muito interessantes para o próximo trimestre.

    EBITDA. O EBITDA ajustado US$ 822 milhões, alta de 91% a/a, refletindo maior volume de vendas, maior Brent e maior diluição operacional (vale lembrar que o custo de produção de Wahoo é de apenas US$1/barril). A margem EBITDA ajustada ficou em 74% (+12% vs1T25). Essa expansão é relevante porque ocorreu apesar do maior peso de Peregrino nas vendas, ativo que possui desconto comercial estruturalmente maior. Ou seja, mesmo com mix de óleo menos favorável do ponto de vista de realização, a PRIO conseguiu expandir margem pela combinação de escala, diluição de custos fixos, maior eficiência operacional e início da captura de sinergias em Peregrino.

    Lifting cost caindo. O lifting cost caiu para US$ 9,4/bbl no 1T26, redução de 27% a/a e 25% t/t. A companhia atribui a melhora à otimização dos custos operacionais de Peregrino após assumir a operação em novembro de 2025 e ao início da produção de Wahoo, que ajudou na diluição de custos do cluster Valente. Esse é um dos indicadores mais importantes do trimestre para a tese: a PRIO sempre defendeu que a melhor proteção contra a volatilidade do Brent é a redução estrutural do lifting cost. O 1T26 mostra que essa narrativa voltou a ganhar tração: Peregrino começa a sair de um ativo de custo elevado herdado da antiga operadora para um ativo em processo de otimização, enquanto Wahoo adiciona barris de baixo custo marginal por meio de tieback ao FPSO Valente. Essa combinação é central para sustentar geração de caixa mesmo em cenários de petróleo mais adversos.

    Resultado financeiro. O resultado financeiro ex-IFRS 16 foi negativo em US$ 128 milhões, contra US$ 86 milhões negativos no 1T25. A piora reflete principalmente o aumento das despesas com juros, em função da maior posição de dívida após Peregrino, além da perda no prêmio das puts de hedge com vencimento em fevereiro. Apesar da deterioração a/a, a leitura não muda a tese. O aumento do custo financeiro é consequência direta da estratégia de crescimento inorgânico e da consolidação de Peregrino.

    Endividamento. A dívida líquida aumentou aproximadamente US$ 63 milhões em relação ao 4T25, alcançando US$ 4,4 bilhões ao fim do 1T26. A alavancagem encerrou o período em 2,0x dívida líquida/EBITDA ajustado, abaixo dos 2,3x do 4T25. A companhia não realizou novas emissões de dívida no trimestre, e o custo médio da dívida caiu para 6,30% ao ano, com duration de 2,79 anos, beneficiado pela queda da SOFR nos financiamentos bilaterais indexados a taxas flutuantes. Esse ponto é importante porque mostra que a alavancagem já começa a cair mesmo com capex elevado, recompras de ações e aumento de capital de giro.

    O lucro líquido ex-IFRS 16 foi de US$ 460 milhões, alta de 33% a/a, refletindo o forte desempenho operacional. O resultado também foi beneficiado pelo imposto diferido, em função do ajuste da base tributável decorrente da valorização do real frente ao dólar, que altera o valor apresentado dos ativos imobilizados e intangíveis. A leitura do lucro deve ser feita com cautela, dado o efeito tributário positivo.

    Investimentos. O capex foi um dos principais usos de caixa no trimestre, concentrado no desenvolvimento de Wahoo, incluindo construção submarina e perfuração dos poços, além da perfuração de um poço em Polvo e manutenção em Albacora Leste. Na demonstração de fluxo de caixa, o caixa líquido aplicado em atividades de investimento foi de US$308 milhões no 1T26, refletindo a continuidade da fase intensiva de execução dos projetos.

    Fluxo de Caixa. O fluxo de caixa livre recorrente (EBITDA – Investimentos – Resultado Financeiro) foi de US$456 milhões ou pelo menos R$9,1 bilhões em termos anualizados (c. 15% rendimento de fluxo de caixa). A empresa realizou a recompra de 5,5 milhões de ações no trimestre.

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