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    Publicado em 07 de Maio às 01:33:30

    PORTO (PSSA3) | 1T22: Resultado fraco com inflação galopante de auto e financeiro abatido! 

    Entenda por que ainda estamos positivos com Porto

     O resultado da Porto foi fraco no 1T, muito impactado pela elevada sinistralidade do auto e performance financeira fraca. O lucro recorrente da seguradora caiu 41% t/t e a/a para apenas R$ 175m, 5% maior que nossas expectativas e 12,5% abaixo das estimativas do mercado. De certa forma, os resultados reportados para SUSEP (órgão regulador de seguros) já vinham antecipando um trimestre bem mais fraco. 

    O cenário desfavorável no curto-prazo posterga nossas expectativas de uma volta de crescimento de lucro mais forte nesse tri, mas não apaga nossas expectativas de uma melhora de desempenho no 2S22 e 2023. Apesar do resultado fraco no trimestre continuamos otimistas para o ano em função da: (i) perspectiva de melhores resultado financeiro com elevação da Selic média; (ii) reprecificação da carteira, que deverá reduzir a sinistralidade ao longo de 2022, e; (iii) crescimento de receitas, tanto no seguro auto e em outras linhas de negócio.    

    Esperamos que a reprecificação dos seguros e melhora do resultado financeiro contribuam para avanço do lucro nos próximos trimestres, justificando nossa visão construtiva no desempenho da Porto. Dada perspectiva de recuperação e valuation atrativo de 9,2x P/L 22 mantemos a recomendação de COMPRAR.

    Sinistralidade: tendência de melhora com o pico de sinistro nesse tri 

    No 1T22, a rentabilidade da Porto foi impactada principalmente pela elevação da sinistralidade do seguro de automóveis, que segundo a empresa já está equacionada nos modelos de subscrição e precificação, e que deverão se refletir gradualmente nos resultados. A rentabilidade (ROE) da unidade de seguro caiu de 20-35% para apenas 9,6% no 1T22. A boa notícia, é que provavelmente o pico de sinistralidade da unidade de seguro auto foi nesse trimestre. Esperamos que a rentabilidade volte a patamares mais normalizados nos próximos trimestres.  

    A sinistralidade da unidade de seguro auto atingiu 69,47%, impactada principalmente pelo aumento nos custos de indenização e reparos, por conta da inflação de autopeças e do forte aumento no preço de carros (provocado pela interrupção da cadeia produtiva das montadoras), além do retorno da mobilidade para os níveis pré-pandemia.

    Receita: boa dinâmica de receitas 

    As receitas cresceram 21,4% a/a, chegando a R$5.9b no trimestre. A boa performance é derivada de aumento de preços e crescimento do número de clientes. Além disso, do ponto de vista de risco, a Porto vem diversificando suas linhas de negócio fora da área de seguros. A receita de seguros cresceu 16% a/a, em comparação a 37,4% de saúde, 36,7% de serviços financeiros e 35,6% de serviços.  

    Resultado financeiro: fraco, apesar do aumento da Selic, mas esperamos uma volta 

    Resultado financeiro foi fraco esse tri, mas esperamos uma volta com desempenho provavelmente acima da Selic e se beneficiando do crescimento float (fluxo livre para investimentos no segmento de seguro). O bom crescimento dos prêmios, hoje na faixa dos 19% a/a, tende a favorecer o aumento do float.  

    O resultado financeiro mais fraco do trimestre pode ser explicado pelo desempenho de títulos indexados à inflação e a alocação em câmbio. Diferentemente dos trimestres anteriores, as alocações em renda variável contribuíram para o resultado financeiro no 1T. 

    Nova Porto: quatro verticais para dar mais foco, novo branding e mais varejo  

    A Porto anunciou em seu Porto Day a mudança da marca Porto Seguro para Porto. Além do re-branding, a companhia iniciou uma campanha de marketing, que incluiu uma campanha no BBB, o patrocínio do Rock in Rio e do GP São Paulo de Fórmula 1. A Porto está cada vez mais engajada em crescer, a fim de atingir a meta de dobrar o número de clientes até 2025. O management espera avanços no crescimento principalmente nas verticais financeiras de seguros saúde, que devem se tornar mais relevantes, o que deve mitigar o aumento de custos com marketing.  

    As quatro verticais de negócios com mais autonomia e CEOs diferentes são: 

    1. Porto Seguros (seguro auto, patrimonial, transporte, vida e previdência); 
    1. Porto Saúde (seguro saúde e odontológico); 
    1. Porto Seguro Bank (crédito, consórcio, serviço de pagamento, conta digital, soluções financeiras para locação);  
    1. Porto Serviços (carro por assinatura, vendas avulsas de serviços de assistência); 

    Porto Bank (serviços financeiros): de olho na inad 

    As receitas da vertical de serviços financeiros continuaram apresentando um bom crescimento de 37% a/a. O bom desempenho foi impulsionado pelo crescimento da carteira de 30% no período e reprecificação do crédito. O número de cartões da Porto cresceu 8,5% a/a, atingindo 2,8 milhões de plásticos. O número de financiamentos cresceu 12% a/a, chegando a 119 mil contratos. 

    Apesar do bom grau de crescimento, a inadimplência vem subindo rapidamente. O índice de inadimplência (NPL 90d) atingiu 6,2%, alta de 0,9 pp t/t e 2,2pp a/a. Como reflexo da elevação da inadimplência, o índice de cobertura caiu 7 pp t/t e 30 pp a/a. O lucro da vertical também foi mais pressionado, tendo apresentado queda de 30% a/a e ROE de 18,8% (vs. 30,2% no 1T21). O lucro da vertical Porto Bank foi e R$ 69m, uma queda de 30% a/a e 47% t/t. Dado o ciclo de elevação da inadimplência esperado para 2022, esperamos um resultado da vertical mais pressionado pela alta das provisões. 

    Porto Saúde: forte crescimento com sinistralidade melhor que a concorrência  

    Ainda pequena em relação as líderes no segmento de saúde, a Porto Saúde vem encontrando espaço para crescer. Esse trimestre, a unidade cresceu 37% seu faturamento e 35% o número de vidas para 369 mil beneficiários. A sinistralidade ficou em um patamar saudável de 76,9%, resultando em um lucro de R$ 36m e um ROE de 28% no trimestre. Resta saber se esse recente crescimento pujante e mais agressivo comercialmente levará a uma pior rentabilidade mais à frente. Por outro lado, para se tornar uma unidade mais relevante dentro do conglomerado, a aceleração de faturamento é necessária.   

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